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GC Masters: BOOM e paiN na final é sinal de alerta para o CSGO brasileiro?

A GC Masters chega em sua reta final neste domingo com paiN e BOOM disputando o título de melhor time brasileiro no Counter-Strike: Global Offensive. Ambas as equipes visavam passar o ano de 2020 na América do Norte para disputar torneios internacionais – planos que foram alterados por conta da pandemia. Dessa forma, tivemos uma competição muito mais forte conforme foi atestado pelos semifinalistas da competição.

A BOOM é formada por nomes de peso como yel (ex-Luminosity), Boltz e felps (ex-MIBR, Immortals e SK). A paiN tem como base o time dominou o cenário nacional entre 2018 e 2019 e tinha planos de se estabelecer no Canadá para conquistar seu espaço internacional.

Ambas as equipes foram bastante consistentes e chamaram a atenção durante a GC Masters, mas será que a presença de times de nível internacional faz bem para o cenário brasileiro? Foi em busca dessa resposta que o ESPN Esports procurou os jogadores do torneio para avaliar essa questão.

Apoka, técnico da BOOM, não vê uma disparidade tão grande no cenário nacional. “Eu não acho que exista um abismo, tanto é que a gente perdeu uma MD1 para a Vivo Keyd. O CS tá bem equilibrado mesmo”.

Segundo ele, no Brasil outros times possuem grande potencial para disputar torneios internacionais e dá como exemplo a Isurus e a Red Canids “A Isurus também teria total condição para ir lá pra fora. Tem outros que também poderiam, mas mudaram a line e tals. A Red Canids tem cinco jogadores muito bons – dois deles já foram pra fora [KHTEX e DeStiNy] – os outros três são estrelas novas que estão chegando no cenário”.

“Falando só da presença desses dois times aqui no Brasil e tirando a parte da pandemia que é péssima para o mundo inteiro: eu acho que é muito bom para o cenário ter times bons por aqui”, falou Vaz, jogador da Red Canids na coletiva de imprensa após sua partida contra BOOM.

Segundo ele, “O nível dos campeonatos fica muito melhor pra quem joga, para quem assiste, pra quem transmite, pra todo mundo fica melhor. Isso coloca na gente a vontade de sempre melhora, de querer vencer eles, a gente nunca fica confortável”.

Já Peu (W7M), que jogou contra a paiN na semifinal, disse que “Eu não sinto que existe esse gap da paiN para os times daqui”. O jogador dos búfalos relembra que os ‘tradicionais’ não são imbatíveis “Por exemplo, a Isurus ganhou deles no primeiro dia”.

“Eu acho que eles são uma equipe muito experiente e eles erram muito pouco e isso é o grande diferencial deles. Mas eu não acho que a paiN tem um gap para outras equipes do Brasil”, diz o jogador da W7M. Para ele “a única equipe que eu consigo considerar que tem uma distância dos times daqui é a Boom”.

Mesmo que a paiN não esteja em um nível tão distante, Peu acredita que o grupo tem potencial para evoluir “A paiN tem muito potencial para quando sair do Brasil para conseguir atingir esse nível e até passar”.

A visão de Peu é compartilhada por Vaz “A Boom é o time mais forte no Brasil, independente do resultado contra a paiN. Na minha opinião e na maioria do cenário inteiro, a Boom é o time mais forte. É o time que é para se fazer uma análise de estilo de jogo e ver o que eles fazem”.

Saffee, que chegou recentemente na paiN, acredita que o elenco está sim, em um outro patamar. “Eu acho que a paiN, independente da minha entrada ou não (até com o Landin), já está se mostrando um degrau [acima] de todos os outros times. Tanto é que eles estão com um projeto de ir pra fora e, no ano passado, eles ganharam tudo aqui no Brasil. Então acho que sim: a gente e a Boom, sem desmerecer os outros times claro, com certeza estamos um pouco acima do resto”.

O treinador dos buldogues diz que o cenário nacional está em franca ascensão, independente de ter jogadores atuando no exterior ou não “Na minha opinião todos esses times podem fazer bons jogos lá fora e, claro, evoluir se tiver oportunidade”. O treinador acredita que essas ‘oportunidades’ podem surgir caso os torneios deem mais espaço para os times da América do Sul “Isso vai evoluindo cada vez mais nosso cenário”.

“OBRIGAÇÃO DE VENCER”

Entretanto, talvez o time que mais tenha pressão de vencer a GC Masters é a BOOM. Especialistas e torcedores apontam que os Buldogues é time é o que tem mais a se provar em comparação com os adversários. Entretanto, tanto Apoka quanto Chelo, não deixam isso afetar a mentalidade do time.

“Colocam uma ‘obrigação’ pelo fato de a gente ter vindo de fora e poucos se lembram que a gente fez um belo esforço pra estar lá fora no começo do ano – inclusive um belo esforço financeiro nosso”, diz Apoka.

Para ele, jogar no exterior foi um fator de muito esforço do time, além de ter sido um privilégio que os jogadores conquistaram. “Se você acha que o abismo é grande, que você precisa ir lá pra fora, acho que você precisa acordar um pouco. Junta um dinheirinho ali - combina com cada um do seu time e com sua org para pagar uma parte - e vai lá pra fora e vê se só o fato de ir pra lá se vai fazer com que você fique bom. Tem algumas coisas que são tiradas de contexto. A gente, graças a Deus, tinha um privilégio”.

Chelo, também segue essa mentalidade: “A gente não sente obrigação de ganhar nenhum campeonato. As pessoas que têm que mudar esse pensamento de que a gente é obrigado a ganhar campeonato, de ganhar de todos os times, dar 16 – 0 em todo mundo. Tem uma experiência sim de jogar lá fora que ajuda bastante, porém, como a gente já disse, o nível daqui do Brasil está muito forte. Se você não estiver 100% para jogar cada MD1, cada MD3, você vai perder”.

Vaz também se sente privilegiado por disputar um campeonato de CS:GO e que não sente pressão. “Não acredito que exista pressão. A gente é muito bem pago para jogar, para fazer o que amamos”.

Para ele “pressão quem sente é o brasileiro que acorda às 5:30, tendo que pegar dois ônibus [para trabalhar], sustentar uma família de sei lá quantas pessoas... a gente jamais tem que sentir pressão jogando e fazendo o que mais amamos”.