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LoL: 'Não falta menina, falta oportunidade', diz Harumi após estreia no Circuitão

Nesta segunda-feira (28), o cenário de League of Legends foi surpreendido pela aparição de Gabriela “Harumi” Gonçalves, jogadora da Rensga, na titularidade pela última rodada do Circuito Desafiante.

A suporte foi a primeira mulher a participar de uma competição oficial de LoL no Brasil, ou seja CBLoL e Desafiante, organizados pela Riot. Entrando no Rift na partida que definiria seu adversário nas semifinais, Harumi e seus companheiros de time conquistaram não apenas a vitória, mas a mobilização de boa parte do cenário de esports.

Gabriela conta, em entrevista ao ESPN Esports Brasil, que joga League of Legends há cerca de seis anos, mas que nunca pensou em ser profissional até a peneira da Rensga, em 2019. “Um amigo meu disse ‘você é muito boa, por que não tenta?’, e eu fui lá e tentei. E deu certo”, relata.

Contratada há cerca de seis meses, Harumi passou a fazer parte da rotina integral do time há duas semanas, treinando contra outras equipes do Desafiante ao lado de seus companheiros diariamente. Ela explica a estreia: “foi uma oportunidade muito boa, porque a gente já estava classificado [para as semifinais], e eles acreditaram no meu potencial. Sabiam que não ia ser um showmatch e me colocaram pra jogar”.

A ESTREIA

Harumi estreou contra a Falkol com a escolha de Rakan, campeão por quem a jogadora já é conhecida — mas ela ri ao enfatizar que não é “mono”. “Odeio quando me chamam de monochampion”, brinca, dizendo que, apesar de jogar com frequência com ele e com Bardo, não se limita apenas a eles. “Nem era pra eu jogar de Rakan esse jogo”, revela, aos risos.

A jogadora conta que o campeão não deu necessariamente segurança a seu time, mas que a Rensga estava confiante com a composição escolhida. Harumi assume que estava tranquila: “Eu estava muito nervosa antes, mas quando você entra no jogo, você esquece que tem 30 mil pessoas te assistindo”, diz.

A estratégia escolhida pela Rensga foi arriscada, pois dependia de um bom início de jogo, executado com facilidade pelo time de Goiás. “A gente conseguiu manter o ritmo da partida. Estávamos com o tempo na frente, as rotações, então foi tranquilo”, analisa a suporte.

Harumi avalia sua estreia como boa, apesar de erros. “Eu já revi o jogo umas duas vezes”, confessa. “Sei onde eu errei, e não é porque ganhamos que tivemos um jogo perfeito. Tive erros, todo mundo teve. É sempre bom rever as coisas e aprender de novo, mas em geral, foi muito bom. Foi uma estreia boa, estou feliz com o resultado”, assume.

REAÇÃO DO PÚBLICO

Primeira mulher no Circuito Desafiante, Gabriela conta que sabia que sua estreia daria o que falar. “Eu sabia que quando a Rensga soltasse a escalação ia ter muita gente falando, então eu desliguei tudo. Eu não olhei Twitter, não olhei nada. Não quis ver, porque, apesar de eu saber que muita gente ia me apoiar, eu sabia que sempre tem alguém pra falar bost*, então preferi não ver nada”, diz.

A suporte afirma que se surpreendeu com a reação positiva da comunidade de esports, desde os torcedores até figuras públicas. “Quando eu saí do jogo e vi que tinha Jovirone, FalleN e o mundo inteiro falando isso, fiquei ‘que que é isso?’ Foi um baque”, relata, bem humorada.

Harumi é realista sobre as reações positivas e negativas que sua carreira pode atrair, e diz que, apesar de ter acompanhamento psicológico oferecido pela Rensga, recusou por escolha própria. Sobre críticas futuras, ela não se abala: “É difícil saber como lidar com coisas que não aconteceram ainda, mas na hora que eu precisar, sei que terei todo o apoio possível”, diz.

CENÁRIO FEMININO

Apesar de ser a primeira em uma competição oficial, outras mulheres já estrearam em torneios como a Superliga, e um forte cenário feminino de LoL é idealizado e organizado por fãs — originando figuras como Mayumi e Cute. Harumi, no entanto, confessa que não fazia parte dos campeonatos antes da peneira da Rensga.

“Aqui em Goiânia, você não vê essas coisas”, confessa. “Isso de ter muito campeonato feminino é mais coisa do eixo São Paulo-Rio, aqui é muito raro ver algo assim. Espero que agora mude, que a gente tenha incentivo, mas antes da peneira, não tinha”, diz a jogadora.

Com sua estreia, Gabriela entende que pode sim inspirar garotas a se tornarem profissionais — mas é enfática sobre não se tratar apenas de inspiração. “As organizações precisam das espaço para elas. Não adianta as meninas quererem se os times não dão espaço”, crava a jogadora.

“Tem muita menina boa no cenário, e eu espero que isso inspire os times a irem atrás”, afirma. Harumi cita ainda a transição para franquias, e diz estar otimista: “A franquia vai dar espaço para muita gente, porque os times serão obrigados a terem mais jogadores. Espero que deem espaço para as meninas. Porque não falta menina, falta oportunidade”, aponta.

SEMIFINAIS

Com o resultado, a Rensga se classifica em segundo lugar e jogará contra a Team One no próximo dia 11 de agosto. Harumi diz estar ansiosa e confiante para o jogo, mas afirma que a expectativa é que Zirigui jogue, e não ela, a princípio. “Se precisar, vai ser ok eu entrar em algum jogo, mas é pra ser ele”, diz.

Por fim, a jogadora diz que espera que seu time vença, e ressalta que está confiante contra a Team One. “Estamos fazendo bons treinos e jogamos bem contra eles no Circuitão, nenhum dos jogos foi stomp [atropelo]. (...) Se a gente mantiver a calma e jogar como estamos jogando, vai ser tranquilo”, finaliza.