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R6: 'É muita história envolvida', admite Novys sobre saída da MIBR

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"O Brasil ter vencido um campeonato mundial, mostra que o cenário é consolidado", diz diretor de Rainbow 6 (4:45)

Ao ESPN Esports, o responsável pela marca do jogo, Alexandre Remy, revelou que a Ubisoft tem planos de voltar a promover torneios no País e como a empresa enxerga o cenário nacional (4:45)

O Brasileirão de Rainbow Six (BR6) ganhou um ilustre espectador: Novys, ex-capitão da MIBR. Desde sua saída da equipe em maio, e que pegou muita gente de surpresa, o jogador está aproveitando o período longe dos servidores para curtir mais a família - principalmente o filho - em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Com isso, já virou rotina para o fã do FPS da Ubisoft acompanhar a transmissão do BR6 com os comentários e pitacos de Novys no Twitter. “Eu preciso estar 100% quando eu voltar, né?”, respondeu o jogador em entrevista exclusiva ao ESPN Esports Brasil.

“Tenho acompanhado todos os jogos do BR6 até porque isso me soma”, explicou. “Essa season deu uma boa equilibrada. Não tem um time que está muito disparado assim. Tem muito empate acontecendo”, comentou, mas com ressalvas. “Aposto na Liquidona [Team Liquid] em primeiro.”

O Brasileirão gerou muito assunto no contato com a reportagem, mas antes de se aprofundar no assunto, claro, não tinha como deixar de falar sobre a saída inesperada da MIBR.

Foi tão inesperada que nem o próprio Novys contava. "Foi uma surpresa sim pra mim... Não esperava. Pelo momento e pelo jeito como aconteceu, eu não esperava.”

De fato, pelo momento, ninguém projetava uma reformulação de elenco por parte da MIBR. A equipe vinha, enfim, se consolidando no cenário. A line-up era sempre vista com grande potencial, mas que oscilava demais e nunca conseguia transformar todo o potencial em consistência e, óbvio, resultados.

A história mudou com a chegada de Guille como coach em 2019. Desde então, a MIBR conseguiu dois resultados expressivos em competições internacionais: terceiro lugar na OGA PIT, no fim do ano passado, e ainda com direito a vitória em cima da G2; e, em fevereiro deste ano, a posição 7-8 na tabela, sendo o melhor resultado da equipe na história da competição.

E, ainda segundo Novys, o desempenho teve sabor amargo. “Acabamos vacilando ali. Era uma line com muito potencial pra chegar mais longe.”

De qualquer forma, realmente, pelo momento, não se justificava a saída. Questionado, portanto, sobre “pelo jeito como aconteceu”, Novys não entrou em detalhes. “Para as pessoas de fora também foi uma surpresa. Foi na base do princípio que em alguma hora precisa mudar. Precisa de ar novo. Então os meninos acabaram escolhendo isso.”

Na visão dele, até mesmo pelo fato de ter atuado como capitão da line-up, o desgaste ficou cada vez maior. “Acho que foi o maior fator.”

Nessa quarta-feira (23), momentos antes da entrevista exclusiva, inclusive, a MIBR havia anunciado a saída do manager Mohamad. Ele atuava no cargo desde 2018, quando foi firmada a parceria entre Immortals e MIBR.

Novys chamou a atenção para um detalhe. “Só sobrou o Cyber [da formação original]. Me surpreende porque é muita história envolvida...”

Considerando a line-up que vinha desde os tempos de BRK, a dupla Novys e Cyber era sabidamente pela comunidade como a base da equipe. De 2018 pra cá, saíram yuuK, pX, oNe e D1OGO1 do time original. E, agora, Novys. “São escolhas, né”, deixou no ar.

PAUSA NA CARREIRA

A saída da MIBR fez com que Novys pudesse, enfim, dar mais atenção para o lado pessoal. O jogador trabalha com o prazo da abertura da próxima janela de transferências, marcada para agosto. É quando acaba o Primeiro Turno do BR6.

Um dos melhores jogadores no quesito trocação, porém, Novys não deu a cara questionado pela reportagem sobre sondagem de equipes. “Não sei. Vamos ver as novidades por aí. Novidades em breve.”

E perguntado se, até mesmo pela bagagem acumulada por Immortals e MIBR, ele teria a preferência de jogar em alguma equipe de maior expressão - ou tentar capitanear algum dos times novatos do BR6 -, Novys foi direto. “Não tem isso. Jogador profissional tem que estar pronto para ser sempre melhor.”

Ele reforçou a obrigação individual que será sair da própria “zona de segurança de três anos com um time”. “Qualquer time que eu for, preciso me adaptar, preciso saber jogar.”

“Tem alguns times por preferência por causa de amigos, mas não tem essa. Não tem esse papo de 'Ah, nesse time vai, mas nesse time não vai' porque o jogador, quando ele realmente é bom e quer ser bom, ele precisa se adaptar a qualquer tipo de circunstância”, pontuou.

De qualquer forma, Novys bateu na tecla. “Vocês vão me ver jogando profissionalmente.”

OUTROS ASSUNTOS

MIBR SEM NOVYS

"O time perdeu um pouco de agressividade" sobre desempenho da MIBR após saída

“Eles trouxeram um jogador que não faz a mesma função que eu. Então talvez eles estejam com um pouco de dificuldade para essa adaptação. O time perdeu um pouco de agressividade, como em certos momentos tomar iniciativa. Era o que dava mais facilidade nos rounds. Mas é dificuldade de adaptação pela troca de jogador com funções diferentes. É um time muito bom.”

APOSTA NA LIQUID

"Eles vão terminar em primeiro" sobre Liquid no BR6

“Pelo trabalho e pelo o que eles [Team Liquid] têm mostrado, além da dupla impecável de nesk e Paluh, esse 1º Split é 100% de certeza que eles vão terminar em primeiro e garantir a vaga ao Major. Tem muito campeonato pra rolar ainda. Tem equipes que começam devagar, mas depois dão uma subida.”

OLHO NA FÚRIA

"O Marlon tá fazendo um trabalho bem pegado com os meninos" sobre o desempenho da FURIA

“Dos jogos que acompanhei [da FURIA], o que realmente me chamou a atenção foi a quantidade de tática que eles têm. Dá pra ver que o Marlon [técnico, Twister] tá fazendo um trabalho bem pegado com os meninos. E parece que os meninos estão bem focados em melhorar e estão dando bastante ouvidos. E, claro, o Marlon é um cara excepcional. Ele tem muito o que agregar. Já participou de vários mundiais, passou por grandes equipes. Essa parte é essencial para times de Tier-1. A versatilidade. Disciplina tática, de saber o que fazer e a hora. É o que está diferenciando eles da W7M e do Santos.”

TEAM ONE NAS CABEÇA

"Esperava que eles fossem chegar forte, mas não tanto" sobre Team oNe no G4

“Eles fizeram bootcamp nos Estados Unidos. Acredito que como essas coisas [meta/tático] mudaram na cabeça deles, eles conseguiram desempenhar ainda melhor agora voltando para o BR6. Eles alinharam as coisas. É um time extraordinário. Me surpreendeu. Eu esperava que eles fossem chegar forte, mas não tanto. Chegou a me surpreender. Eles estão aí pra tirar um time do Top-4. Agora vai ficar bem difícil. E tem BD e INTZ, que sempre estiveram brigando ali, que precisam olhar algumas coisas para ter fogo no parquinho.”

VALORANT

"Não tenho nenhum interesse de competitivo nem lado profissional" sobre migrar do R6 pro VALORANT

“Ainda é muito cedo [migrar do R6 para o VALORANT]. Eu não tenho nenhum interesse de competitivo nem lado profissional no VALORANT. Mas é um jogo que tem potencial pra isso. Tanto não só R6, como outros jogos... CoD, Point Blank, Combat Arms, CS... Todos esses jogos estão migrando e gostando. Está todo mundo apostando que a Riot vai dar bastante suporte. Eu realmente não sei até onde vai chegar nem quando vai estourar, mas, apesar do meu desinteresse, da parte do competitivo, vai ter um cenário bem forte.”