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Análise: F1 2020 dá um passo adiante na simulação para quem usa volante

Mesmo durante a pandemia, e antes mesmo até que houvesse uma definição sobre a temporada do mundo real da Fórmula 1, a Codemasters anunciou o lançamento do F1 2020 com novidades que deixaram os fãs de carteirinha da série empolgados.

Antes de mais nada, é importante salientar que essa é uma análise para quem é realmente fã da série, de Fórmula 1, e, especialmente, do mundo da simulação virtual, que ganha cada vez mais espaço e relevância nos esports.

Para uma análise aos mais casuai,s ou até quem nunca jogou a série, recomendo o belíssimo review de Luiz Queiroga publicado na semana passada.

Para situar os leitores, sou “consumidor” da série da Codemasters de F1 desde o seu início, começando pelo F1 2010, jogando todos desde lá. Passei a integrar o mundo dos volantes no F1 2012, participando de corridas online e alguns campeonatos amadores.

Além disso, como jornalista, cubro o esporte a motor e mais especificamente a Fórmula 1 há uma década, tendo um amplo conhecimento do assunto e, dentro do possível à distância, da pilotagem.

Fiz essa análise com um Thrustmaster T300, um volante próprio para o mundo da simulacrao virtual. E jogo sem assistência alguma, na dificuldade da “máquina” no nível 100.

Afinal, mudou “na pista” de seu antecessor?

Ano após ano, a Codemasters sempre ajusta algumas coisas da versão anterior para a atual. Mas as melhoras do F1 2020 se comparado ao do ano passado são bem significativas.

Com pilotos cada vez mais jovens e fãs do automobilismo virtual, chegou a era em que os caras que guiam as máquinas da Fórmula 1 também são “consumidores” de eSports. Charles Leclerc é um sucesso no Twitch, Lando Norris, Max Verstappen, George Russell e outros também jogam as corridas virtuais no seu tempo livre.

Por isso, a Codemasters começou a ouvir os pilotos na questão da realidade de seu produto. E isso melhorou a física do game.

O F1 2020 traz mais “downforce”, ou aderência, ao carro. Você sente que seu monoposto está mais “no chão” se comparado ao F1 2019. É possível acelerar mais cedo na saída de curvas, como vemos na vida real.

Essa mudança certamente veio de um feedback dos pilotos.

Segundo Lee Mather, diretor da Codemasters responsável pela produção do game, Norris foi quem falou que o sistema de recuperação de energia (ERS) do F1 2019 não condizia com a realidade.

No game anterior, tínhamos controle total dessa mecânica do carro, o que às vezes chegava até a atrapalhar, pois você tinha que se preocupar até demais com o funcionamento do seu carro. Após a dica de Norris, o ERS agora tem, assim como no mundo real, um mapeamento pré-estabelecido para cada pista. E, caso queira mais performance do seu carro, você tem a opção de apertar o botão de ultrapassagem, que consome mais energia e precisa ser dosado para a bateria de sua máquina não acabar e consequentemente você perder performance na pista.

Essas melhorias não significam que o jogo tenha ficado mais fácil. De forma alguma, o desafio ainda está lá. Eu jogava na mesma dificuldade no 2019, por exemplo.

Outro ponto modificado, para ficar mais parecido com o mundo real, foram as frenagens. O carro tem mais “poder de freio”, com você podendo brecar mais em cima da curva, como é visto entre os pilotos de verdade.

Dentro disso, não é mais possível frear e diminuir as marchas em uma curva mais apertada de forma abrupta. Para poder brecar mais em cima do ponto, o ideal é diminuir, por exemplo, rapidamente da oitava para quinta marcha e aí em uma frequência mais espaçada chegar até a marcha desejada.

Há uma mudança importante na parte de acerto do carro. Agora, é possível mudar a pressão de cada um dos quatro pneus. Isso se torna crucial para quem joga com corridas de 25%, 50% ou 100% das voltas. Basicamente, na maioria das vezes você terá que baixar a pressão dos compostos, para que os mesmos não sofram superaquecimento e se desgastem mais rapidamente.

Em pistas onde, por exemplo, se tem muitas curvas para o lado direito de média a alta velocidade (como Barcelona), você terá que baixar a pressão do pneu dianteiro esquerdo para que ele não superaqueça e você não perca performance rapidamente. Se uma pista exige muito dos pneus traseiros (como Baku), diminua a pressão dos mesmos para evitar o desgaste.

O acerto manual dos carros pode ser um diferencial para você andar alguns segundos mais rápido. O game oferece alguns "presets" para pistas de alta ou baixa velocidade, mas você testando e se aperfeiçoando nessa parte, pode fazer o carro encaixar como uma luva. O importante é: se você não sabe como mexer em suspensão, diferencial de freio, etc, melhor não se arriscar, ou o monoposto pode ficar instável na pista e fazer você perder muita velocidade no curso de voltas.

Nos modos Carreira e My Team, alguns aspectos ainda poderiam ser melhorados para condizer melhor com a realidade da categoria. Como por exemplo a duração dos contratos (anuais em sua vasta maioria entre os pilotos), as transferências irreais ao longo das temporadas (no modo MyTeam ainda não é possível desabilitá-las).

Mas, no geral, isso são coisas pequenas diante do todo.

A franquia F1 da Codemasters sempre esteve mais para “Simcade”, entre a simulacão e o arcade. E a fórmula é repetida, mas com pontos positivos e elogiáveis, já que consegue agradar os gamers em busca de uma diversão mais “séria” ao mesmo tempo que dá boas horas de agrado aos mais casuais e não tão familiarizados.