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'Por que não?', se anima Bob Burnquist sobre campeonato de Tony Hawk's Pro Skater

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Bob Burnquist fala sobre esports, e sua participação em Tony Hawk Pro Skater (2:48)

Bob conta como Tony Hawk reuniu todos os presentes na versão original do game e compara Esports aos espores radicais. (2:48)

Em tempos de campeonatos profissionais de The Sims e até mesmo de jogos de fliperama, o anúncio de “Tony Hawk's Pro Skater 1+2” gera uma nova discussão: tem espaço para a famosa franquia de simulação de skate fomentar um cenário competitivo com o remake?

“Por que não?”, questiona Bob Burnquist, maior nome do skate brasileiro e personagem confirmado para o novo título da franquia. Em conversa exclusiva ao ESPN Esports Brasil, ele enxerga com bons olhos a possibilidade da série Tony Hawk’s Pro Skater entrar para os esportes eletrônicos.

“Já ouvi falar até mesmo de campeonato de farming, né? Aqueles joguinhos de fazenda. Tudo se pode”, comentou. “É questão de uma empresa querer fazer um evento. Vai ser uma junção.”

O assunto surgiu durante a conversa porque o próprio Tony Hawk se animou com a possibilidade de fomentar um cenário profissional de Pro Skater nos esports, em entrevista concedida ano passado ao front office esports.

“Tem tantos jogadores que gostam”, reforçou Bob, que até mesmo relembrou os campeonatos locais de Pro Skater que aconteciam entre amigos e até tomava conta de algumas lan houses para complementar o pensamento. “O jogo do Tony Hawk foi meio o que enraizou esse mundo. Lógico, seria incrível.”

Mas, mesmo sendo o maior nome do skate nacional, Burnquist não entende que teria sucesso como pro player da franquia. “Eu iria jogar e ia sair na primeira, mas eu ia me divertir pra caramba.”

Até mesmo pela importância do seu nome na história dos esportes radicais, Bob já foi comparado a FalleN, jogador de Counter-Strike: Global Offensive da MIBR e o maior nome da categoria no Brasil.

O skatista comentou sobre o carinho que a comunidade de esports tem com ele - e muito também porque ele era um personagem selecionável no primeiro título do Pro Skater. “Com essa entrada no jogo do Hawk e a explosão da série, as pessoas se associavam e se lembravam de mim por usar meu personagem. E não só por ser brasileiro, mas também por conta das estatísticas [overall], e isso meio que se transformou.”

PROFISSIONALIZAÇÃO DO QUE NÃO É ESPORTE

Bob Burnquist também entende que essa identificação da comunidade de esports com ele parte de um mesmo sentimento: a marginalização e o preconceito que esportes radicais e esportes eletrônicos sofrem no Brasil há tempos. “A galera apanha mesmo. O paralelo entre os dois mundos é bem esse mesmo."

Ao passo que o skatista não entenda os dois segmentos como uma prática esportiva, ele compreende a importância. “Não adianta você querer ser o que não é porque não tem uma atividade física, mas é intensa. Eu não gosto nem de falar que skate é esporte. Pra mim, é um lifestyle. Eu não gosto de falar que sou atleta. Eu sou um skatista. É tudo relativo.”

“Está tendo um movimento forte em volta. Era marginalizado e agora é profissionalizado. É a profissionalização, que não entra nem na questão de ser ou não esporte. É a profissionalização dos jogos, que vai crescendo e tomando forma, aí as pessoas que estão fazendo, fazem aquilo, ganham dinheiro com aquilo. É um trabalho.”

“‘Ah, mas é só um videogame', mas e pra você fazer esse videogame acontecer? Os jogadores encontram formas que os desenvolvedores nem imaginavam que seriam utilizadas, aí novas versões acabam acontecendo. Então é uma correlação, é uma interação que é de alto nível”, pontuou.

Tony Hawk’s Pro Skater foi lançado em 1999 e, desde então, virou o maior game de skate da história. Em paralelo, a franquia viu de longe a consolidação dos esportes eletrônicos em duas décadas. Não é de se estranhar que THPS entre para os esports também.

As palavras de Bob retratam bem essa possibilidade. “Tem momentos que você é underground, tem momentos que você já é status quo. E esses eventos grandes acontecendo. Julgamento sempre vai vir, não tem como. As pessoas que não entendem. Eu estava falando com a minha filha, a mais velha: as pessoas não entendem. Às vezes, quanto mais pra frente e mais evoluído, mais informação você tiver, você pode acabar isolado e a vanguarda é meio solitária.”