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Overwatch: Echo precisa ser nerfada, mas ainda assim não é 'quebrada'; veja análise

O potencial de Echo até assusta, mas, ainda assim, não é uma personagem ‘quebrada’ Divulgação/Blizzard

A chegada de Echo tem gerado muitos debates dentro da comunidade de Overwatch. A 32ª heroína lançada para o shooter da Blizzard já é centro de polêmicas sobre ser ou não uma personagem “quebrada”. Ou seja, se a presença dela nas partidas é capaz de desbalancear por completo a lógica de batalha dentro do meta estabelecido até então.

O ESPN Esports Brasil conversou com o analista Felipe Tonello, que faz parte do casting da Overwatch Contenders South America 2020, para destrinchar sobre os impactos de Echo no jogo. Mesmo com os vídeos mais recentes de pro players que mostram uma jogabilidade “roubada” da heroína, como rapidez para entrar e sair de uma fight, dano alto e facilidade para usar a ultimate, Tonello acredita que a personagem não representa um novo paradigma.

“Vejo uma mudança de como enxergar o jogo competitivo, em escala detalhista, graças à sua suprema”, comentou. “Mas não uma quebra total de paradigma assim como foi a Brigitte.”

A comparação com Brigitte, 27ª heroína lançada pela Blizzard, é inevitável. Isso porque foi unanimidade na época do seu lançamento o quão quebrada a personagem chegou ao Overwatch - seja em escala competitiva ou então de casual e ranked.

“O problema da Brigitte era fazer a função de três posições - tanque, DPS e suporte - sendo que, em teoria, era somente pra ela ajudar os companheiros contra possíveis dives inimigos”, analisou. “Ela era muito além do que o boneco deveria ser e, sem o 2-2-2 implementado, acabou acontecendo toda aquela dinastia.”

Sendo assim, Tonello enxerga que Echo, mesmo diante de alguns questionamentos e prováveis nerfs que a personagem deva sofrer, ela não consegue desequilibrar em outras funções que não a sua de DPS. “A Echo, embora seja, forte, é muito boa na sua função específica. Faz muita coisa, mas como DPS somente.”

“Ela pode sim ser um pilar das composições em um futuro próximo devido às suas características de ‘vários bonecos em um’, se adaptando a diversas situações, estilos de jogo e sendo forte em praticamente todos. Ou seja, tendo pouca janela de counterplay, mas... Ela não vai além da sua função de DPS.”

Opinião que vai de encontro com o discurso adotado por Jeff Kaplan, diretor de Overwatch. Ele reforçou que não é preciso se preocupar, pois foram feitos ajustes para balancear a heroína que propositalmente não tem muita defesa. Kaplan disse que eles queriam que jogar com Echo “fosse louco e que tivesse a pegada de Overwatch".

Mesmo assim, Tonello acredita que ela está “muito mais forte do que deveria”. “Echo pode estar em composições padrão, mas ainda existe um counterplay - como dar dive quando ela gastar o shift [atalho pra habilidade de voo].” Portanto, na visão do caster, a heroína precisa sofrer alguns nerfs, principalmente na questão de dano e também no tempo das habilidades, para que a jogabilidade com ela seja “bacana” para todos.

REPENSANDO O JOGO

Passada a discussão sobre Echo ser ou não quebrada, Tonello chamou a atenção em como a ultimate dela força os jogadores a repensarem Overwatch - que sempre foi muito definido na economia das supremas. O especial dela consiste em copiar o ult do adversário, fator que promete afetar as estratégias das equipes - principalmente do adversário.

“Eu não diria que a partida é resolvida 100% nas ults, especialmente no nível competitivo profissional, mas com certeza a suprema da Echo acrescenta uma nova camada de ameaça”, analisou o caster. “A ult da Echo é com certeza impactante demais principalmente porque, independente do caminho que o jogador da mais nova heroína tome, é possível fazer um estrago não mensurado no adversário.”

“O que isso quer dizer: O time inimigo sempre teve que considerar 6 supremas e possíveis combos entre elas para poder fazer jogadas de acordo, posicionar seus suportes, escolher rotas de movimentação etc. Porém, com a Echo, são 11 supremas - 5 dos heróis do próprio time e 6 da equipe que está contra a Echo. Portanto, além da força da ultimate ser bem grande - e seu tempo de carregamento ser MUITO baixo -, ela constantemente ameaça o inimigo.”

Tonello exemplificou no seguinte cenário: o seu time tem um Zenyatta e precisa encarar uma equipe adversária que tem a Echo na composição. “Se você der muito a cara com ele quando seu próprio time for iniciar um combo grande, ela te copia, farma a ult em 2~3 tiros e cancela o combo do seu time mesmo que os suportes da Echo não tenham supremas defensivas. E, sem o Zenyatta tendo visão, o dano à escudo pode ser menor, a marcação de adversário não ocorre e a defesa consegue se segurar mais.”

Ainda assim, Tonello acredita que o impacto de Echo será diferente para o pro player e para quem joga de forma casual ou então em partidas ranqueadas. Na visão do caster, é possível que numa soloQ os times passem a não pickar mais personagens com ults fortes, mas habilidades primárias e secundárias sem tanto dano. Exemplificando: em partidas ranqueadas, Sombra e Genji poderiam desaparecer em detrimento do pick pela Echo.

Mas, num nível competitivo, a história seria outra, “pois cada um dos heróis - incluindo os citados - tem uma função diferente”. “A tendência é que a gente veja o competitivo resumido a troca de ults, porém, cada pequena tomada de decisão e habilidade dos heróis têm sua função dentro da partida.”

“A Sombra, por exemplo, não causa tanto dano, mas ameaça o adversário em posicionamento só com sua presença. Ela pode hackear um tank inimigo pra que não haja volta (D.va/Winston), hackear outra Sombra jogando defensiva e, claro, usar seu PEM que finaliza brigas usualmente.”

“Com Genji, a mesma coisa: o burst dele bem dado por um profissional é essencial na hora de finalizar o alvo primário de um dive bem coordenado, por exemplo. Fora a Blade, que é praticamente igual a suportes eliminados.”

Seguindo pela ótica do cenário competitivo, Tonello até projeta que Echo entre como a DPS padrão da maioria das composições, “justamente por ser muito competente em grande parte das funções do jogo”. Contudo, “os outros heróis continuarão tendo sua funcionalidade que vai além da quantidade de dano” já que Overwatch “leva em consideração como esse dano é aplicado, em qual local do mapa e qual outra contribuição que o herói em questão pode ter em um cenário somado a 5 outros”.

É HORA DE EXPERIMENTAR

Se a Echo promete repensar a forma como veremos os times em ação, abre-se margem também para um verdadeiro laboratório para testar várias composições e combos. É o que Felipe Tonello acredita. O analista listou alguns cenários, como:

- Entrar no lugar de McCree e Soldado quando se trata de composições lentas baseados em Rein;

- Entrar com Pharah para provocar um ‘caos aéreo’ e obrigar a equipe adversária a trazer um hitscan pelo menos - já que os duelos de Pharah vs Pharah podem ser atrapalhados por uma Echo;

- Entrar em um dive com Sombra, tanto pra ajudar no dano do dive quanto pra zonear inimigos de longe com sua mobilidade;

- Ser uma ótima opção contra Mei por sair com facilidade de seus controles de grupo, principalmente agora que o congelamento da chinesa não tá lá aquelas coisas;

- Forçar um Reaper a ficar numa sinuca de bico porque, se gastar sua Forma de Sombra pra entrar na briga, é burstado pela Echo - seja voando ou frente a frente -, mas se não gastar, assim que vierem os projéteis ele é obrigado a utilizar a habilidade e morre pro restante do time.

Por fim, Tonello acredita no potencial de Echo ser fundamental para reverter uma situação ruim. “Exemplo: na defesa, seu primeiro ponto foi capturado com facilidade e você precisa de uma ajudinha nas ults. Pega a Echo, joga um pouco mais lento e, ao final do segundo ponto ou no início do terceiro, sua ult tá carregada e você joga a maldição contra o feiticeiro, podendo parar o avanço inimigo.”

O leque de repertório tático que Echo traz para Overwatch é o ponto que Tonello defende. “São muitas as opções, de verdade. E é essa adaptabilidade eficaz que pode fazer o ‘Ditto’ [referência ao Pokémon que também copia os adversários] do Overwatch aparecer na grande maioria das composições competitivas.” Definitivamente, “agora é a hora de experimentar por completo!”