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GirlGamer Festival nega condições "desagradáveis" nos torneios; Entenda

Jogadora da Grow uP Girls se protege do sol com óculos escuros e boné Reprodução/Twitch/GirlGamer

O GirlGamer Esports Festival emitiu nesta segunda-feira (23) um comunicado negando que as jogadoras da final em Dubai, que aconteceu no último final de semana, tenham sido submetidas a “condições desagradáveis”.

O ESPN Esports Brasil conferiu os pontos apresentados pelo GirlGamer Festival checando os fatos. Entenda:

O comunicado traduzido livremente diz: “Fomos informados de um relato circulando online sobre jogadoras sendo submetidas a condições desagradáveis durante o evento. Não apenas não é verdadeiro, mas também durante todos os nossos eventos, priorizamos as condições e o conforto das jogadoras”.

“As jogadoras nunca foram expostas a calor extremo e nunca jogaram sob o sol, como alguns repórteres que sequer estavam no local estão afirmando. Todas as jogadoras podem confirmar isso, assim como nossa transmissão”, afirma o GirlGamer Festival.

Na última semana, a foto de uma das jogadoras no evento submetida a sol intenso em sua face causou discussão nas redes sociais. A foto era de Vicvic, da Assassins, que posteriormente esclareceu em seu Twitter que o problema com sol em seu jogo foi solucionado pela organização em poucos minutos.

No entanto, em diversos pontos da transmissão oficial do GirlGamer Festival, é possível observar luz forte atingindo o rosto e os braços de jogadoras de League of Legends e Counter-Strike — fazendo com que, inclusive, jogadoras disputassem suas partidas com óculos escuros e bonés.

De acordo com fontes ligadas ao ESPN Esports Brasil, a iluminação que atingia as jogadoras durante a tarde não era artificial — ou seja, era luz do sol. A temperatura em Dubai entre os dias 19 e 23 de fevereiro oscilou entre 29 e 32ºC de máxima e 19 e 22ºC de mínima.

A jogadora brasileira NapeRX, da INTZ, relatou também em seu Twitter que teve seu braço queimado pelo sol durante metade de um mapa em sua partida contra a Assassins.

ATRASOS

O GirlGamer Festival se posicionou ainda sobre os atrasos, que chegaram a 12 horas no League of Legends e 26 horas no Counter-Strike. “Um dos motivos pelo qual enfrentamos atrasos foi porque estávamos cuidando das jogadoras, tendo certeza de que todas as condições fossem atendidas antes de iniciar qualquer partida oficial”, diz o comunicado.

“Fomos avisados que alguns times preferiam agendas à noite ou de madrugada para atender seus fãs que estavam em seus países de origem, e os jogos que aconteceram até tarde foram em acordo com todas as jogadoras envolvidas. As mesmas jogadoras tiveram a agenda refeita para ter tempo de descansar, e só jogaram sua próxima partida depois de mais de dez horas”, afirma o GirlGamer Festival.

O trecho tem correlação com a situação relatada pela INTZ, em que as jogadoras estrearam no torneio com 26 horas de atraso e jogaram sua primeira md3 por volta de 1 da manhã do dia 21 de fevereiro, chegando ao hotel às 5 da manhã e sendo informadas de que teriam que jogar novamente às 10h30. A equipe pediu nas redes sociais para que a organização permitisse que elas descansassem 8 horas, e não mencionou em momento algum necessidade de “atender seus fãs”.

FEEDBACKS

O GirlGamer Festival finaliza o comunicado dizendo: “É uma pena que relatos imprecisos estejam sendo divulgados, quando o feedback geral foi de que a maioria dos times teve uma experiência incrível em Dubai”.

Apesar dos problemas relatados acima e em reportagens já publicadas, os comentários gerais das jogadoras foi de que elas foram “muito bem tratadas” no evento, sem grandes reclamações por parte das participantes além do pedido da INTZ.

A jogadora norte-americana campeã do torneio de CSGO Klaudia, da Assassins, pronunciou-se em seu Twitter sobre sua experiência, e deixou sugestões aos organizadores. “Deveriam haver salas de treino disponíveis desde o primeiro dia, e não no dia anterior ou no próprio dia da primeira partida”, disse a estadunidense.

“Nós esperamos cinco dias para jogar, as mesas eram desiguais, com uma sendo maior que a outra, e as pernas das mesas não permitiam que você se sentasse confortável, com pouco espaço”, diz a jogadora.

Ela recomenda ainda que não façam eventos ao ar livre “mesmo em Dubai”; que haja cinco mesas para cinco jogadoras, e não haja necessidade de compartilhamento, e sugeriu melhor comunicação entre TOs e administradores do evento e jogadores. “Nós tivemos que perguntar múltiplas vezes qual era a agenda atualizada, com pouca resposta”, contou.

“Essa é, de longe, a maior edição do GirlGamer que já foi feita, e o maior evento individual para esports femininos do mundo. Estamos muito orgulhosos do nosso time e dos nossos parceiros, que trabalharam incansavelmente para fazer este evento incrível ser bem sucedido. Nós estamos ansiosos para receber todo mundo outra vez em Dubai no ano que vem”, diz o GirlGamer, finalizando o comunicado.

A organização do GirlGamer Festival não comentou os problemas de ping enfrentados pelas jogadoras de League of Legends e relatados pela reportagem. Eles também não mencionaram atrasos além das 4h solicitadas pela INTZ (entre 10h30 e 14h30), e também não falaram das mudanças de agenda e dificuldade de encontrar informações.

O ESPN Esports Brasil ainda aguarda resposta da organização do GirlGamer Festival referente à escolha de Dubai como sede — razão dos 120ms no LoL — dos atrasos e da demora de anúncio da agenda.


Confira o posicionamento traduzido na íntegra:

“Fomos informados de um relato circulando online sobre jogadoras sendo submetidas a condições desagradáveis durante o evento. Não apenas não é verdadeiro, mas também durante todos os nossos eventos, priorizamos as condições e o conforto das jogadoras.

As jogadoras nunca foram expostas a calor extremo e nunca jogaram sob o sol, como alguns repórteres que sequer estavam no local estão afirmando. Todas as jogadoras podem confirmar isso, assim como nossa transmissão.

Fomos avisados que alguns times preferiam agendas à noite ou de madrugada para atender seus fãs que estavam em seus países de origem, e os jogos que aconteceram até tarde foram em acordo com todas as jogadoras envolvidas. As mesmas jogadoras tiveram a agenda refeita para ter tempo de descansar, e só jogaram sua próxima partida depois de mais de dez horas.

É uma pena que relatos imprecisos estejam sendo divulgados, quando o feedback geral foi de que a maioria dos times teve uma experiência incrível em Dubai.

Essa é, de longe, a maior edição do GirlGamer que já foi feita, e o maior evento individual para esports femininos do mundo. Estamos muito orgulhosos do nosso time e dos nossos parceiros, que trabalharam incansavelmente para fazer este evento incrível ser bem sucedido. Nós estamos ansiosos para receber todo mundo outra vez em Dubai no ano que vem.”