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Hearthstone: Apesar dos desafios, Masters Tour buscam inclusão e reunir jogadores pelo mundo

Masters Tour Arlington de Hearthstone. Blizzard Entertainment

Mais de 250 competidores ocupavam a arena de esports da cidade de Arlington, Texas, quando cheguei ao evento. Vindos de diferentes lugares do globo, todos estavam ali com um único objetivo: acumular vitórias e — quem sabe — levantar o troféu de campeão do Masters Tour Arlington de Hearthstone.

Fazer parte de um evento com tantos jogadores foi algo novo para mim. A sensação de ver tanta gente era incrível e desesperador ao mesmo tempo. Afinal, seria humanamente impossível entrevistar todos e conhecer a história de cada um.

Esse é um dos diversos desafios que a Blizzard enfrenta no competitivo de Hearthstone, especialmente depois da chegada dos Masters Tour — torneios com qualificatórias online que chegam a ter mais de 300 competidores entre classificados e convidados.

Mas para Alex Charsky, Gerente de Produtos de Esports de Hearthstone, reunir esse tanto de competidores é apenas uma evolução dos seus dias de organização de torneios de cardgames físicos. “Sou acostumado com esse tipo de torneio. Fico muito animado em criar oportunidades para o máximo de pessoas que estiverem interessadas em competir”, disse ao ESPN Esports Brasil durante o evento.

“Nosso objetivo com as Master Tours e suas qualificatórias é ser o mais inclusivo possível, por isso a maioria das qualificatórias acontece online”, explica.

Drew Higbee, Gerente de Produtos de Hearthstone, comentou exatamente sobre a questão da dificuldade de se contar a história de tantos jogadores — especialmente quando alguns nem querem ter a sua história contada —, mas afirmou que é um desafio divertido e recompensador.

“Um bom exemplo é o Hunterace. Ele tinha problemas de ansiedade no passado, mas agora ele aparece na câmera e é muito interessante vê-lo falando. É bom ver que ele cresceu nos últimos anos e seu amor por Hearthstone”, aponta Drew.

Outro desafio que a Blizzard encontra com as Masters Tour é a dificuldade dos jogadores qualificados conseguirem viajar ao torneio. Embora classificados, os competidores precisam pagar os custos da viagem do próprio bolso, já que a desenvolvedora banca apenas os jogadores Grão-mestres.

Embora muitos competidores classificados ou convidados para Arlington não compareceram por conta do coronavírus, outros não puderam ir pelo custo da viagem ou por questões de visto. Para tentar amenizar a situação, a Blizzard aumentou a premiação mínima dos participantes de US$ 500 para US$ 850.

Parte desse aumento veio da iniciativa de crowdfunding com a venda de um pacote de cartas especial. Assim, a premiação total do torneio passou de US$ 1,5 milhão para US$ 3 milhões.

“Acho que é importante reconhecer que os jogadores fazem um investimento significativo em jogar e competir nesses torneios, e queremos garantir que, sempre que possível, podemos ajudá-los a realizar seu sonho de ser um competidor de Hearthstone”, disse Alex.

Além da premiação, a Blizzard também acredita que a recém-anunciada parceria com a ESL e a DreamHack é mais uma maneira de melhorar o ecossistema do competitivo de Hearthstone — como, por exemplo, levando torneios da Masters Tour para diferentes regiões do globo.

“Em 2019, tivemos só três Masters Tour, e é claro que vamos desapontar alguém em algum lugar, porque temos que decidir as cidades. Mas, para 2020, dobramos o número de torneios para seis. Trabalhar com a ESL, que tem uma rede vasta de escritórios regionais, nos permite usar parceria para nos ajudar a levar os eventos para todo o mundo, incluindo a América Latina e América do Sul”, explica Alex.

Alex também comentaram sobre um desafio comum a todos os jogos: como manter antigos jogadores e atrair novos, principalmente quando vemos a chegada de Magic: The Gathering Arena e Legends of Runeterra no mundo dos cardgames.

Para ele, “a competição é boa e sempre aprendemos com os outros”. “Sabemos o que eles querem fazer, mas nós também temos objetivos próprios e continuamos a focar em nosso jogo e em nossos jogadores”, explicou.

“É sempre nossa missão atrair mais jogadores, seja por meio de Masters Tour ou por transmissões que animam os jogadores que assistem. Esperamos que as transmissões criem interesse dos jogadores de entrarem no competitivo, ou de simplesmente só jogar”, complementou.

Já Drew apontou a quantidade de novos conteúdos que Hearthstone recebe como um ponto positivo para o jogo nesta questão. “O legal no Hearthstone é que sempre que sempre tem conteúdo novo, e isso traz jogadores que já haviam jogado antes e estão voltando. [O modo] Battlegrounds também está atraindo jogadores, o beta está indo muito bem e é uma maneira nova de jogar o Hearthstone que tanto amamos”, afirmou.

Além disso, Drew exemplificou como a equipe de Hearthstone busca engajar os jogadores que assistem aos torneios — sejam eles veteranos ou novatos.

“Uma das coisas que fizemos este ano é um tipo de deck spotlight, onde mostramos todas as cartas de um deck de jogador e destacamos três delas que são essenciais. Então mesmo que você esteja assistindo pela primeira vez, você sabe que quando tal carta aparecer, vai ser um momento importante”, diz Drew.

“Também adicionamos um QR Code, que você pode scannear, abrir o jogo e copiar a lista de deck. Então se você ficou animado ao assistir uma partida e gostou de um deck, você pode usá-lo rapidamente, e acho que isso ajuda muito jogadores”, adiciona.


Hearthstone recebeu o último capítulo do Despertar de Galakrond e suas novas cartas nesta terça-feira (11). Enquanto isso, os jogadores de todo o mundo se preparam para a próxima Masters Tour, que acontece em Bali, Indonésia, no fim de março.

* A jornalista viajou a convite da Blizzard.