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Mexicano Empanizado fala sobre desafios de competir em Hearthstone na América Latina

Empanizado, jugador mexicano de Hearthstone. Reprodução

Um dos mais novos Grandmasters das Américas, o mexicano Empanizado também esteve presente no Masters Tour Arlington, realizado no último final de semana na cidade do Texas, EUA.

Em entrevista ao ESPN Esports Brasil, o jogador contou sua história com Hearthstone e sobre a ajuda que recebeu da comunidade para conseguir disputar internacionalmente.

Empanizado relembra que Hearthstone chegou em sua vida por meio de uma propaganda na Twitch, “mais ou menos em 2014”. “Gostei muito do jogo e comecei a jogar bastante, e então descobri os campeonatos. Depois de jogar casualmente por alguns meses, decidi competir e continuo até hoje”, afirma.

Diferente de muitos outros competidores da América Latina, Empanizado está conseguindo ter Hearthstone como foco principal de sua vida. Isso porque sua família possui um comércio no qual ele ajuda e por ainda estar terminando sua graduação em Engenharia de Energias Renováveis.

Entretanto, assim como outros jogadores, Empanizado não possuía os meios ou o patrocínio para disputar os torneios da Masters Tour antes de sua entrada nos Grandmasters. Por conta disso, a comunidade foi essencial para a ascensão do jogador no ano passado.

Classificado para disputar a Masters Tour Seoul, na Coreia do Sul, Empanizado fez uma publicação em seu Facebook buscando por um time para patrocinar sua viagem. Nenhum time apareceu, mas diversas pessoas da comunidade se dispuseram a fazer doações para ajudá-lo com a viagem.

No fim, a história de Empanizado chamou a atenção da Federação Mexicana de Esports, que se responsabilizou por custear os gastos da viagem para o torneio. Na competição, realizada em agosto de 2019, o jogador terminou na 11ª colocação.

Apesar dos bons resultados e de sua entrada no Grandmasters, Empanizado continua sem time. Para ele, todos os jogadores da América Latina são muito habilidosos, mas o atual ecossistema de Hearthstone dificulta a aparição de times que patrocinem jogadores, e que os jogadores consigam viajar para disputar os Masters Tour.

“Há alguns [times], mas nem todos têm como mandar os jogadores para torneios por todo o mundo. Esse é o maior desafio”, explicou Empanizado. “O nível de jogo [na América Latina] não é um problema, acredito que estamos no mesmo nível que o resto do mundo”.

Empanizado acredita, no entanto, que o novo sistema de financiamento público e aumento da premiação dos MTs possa ajudar mais jogadores “a se arriscar e viajar, porque o prize pool é maior e mais distribuído entre todas as posições”. “Se você faz um bom torneio, basicamente consegue cobrir os custos”, aponta ele.

Mesmo assim, o próprio Empanizado não sabe ainda se irá para Bali — próxima parada das MTs —, por ser uma viagem custosa e longa. Porém, garante que pretende participar de todos os outros confirmados até o momento, na Suécia, no Canadá e na Espanha.

Além disso, confessa que aprendeu uma lição no torneio de Arlington e não vai mais deixar para se preparar para um torneio apenas uma semana antes — principalmente se houver o lançamento de novas cartas, como aconteceu com a chegada da nova aventura.

“Eu não performei bem, não me preparei bem”, revela. “Não achava que a competição ia ser tão de alto nível, então me preparou mais na última semana, mas não foi o suficiente para compensar meses de preparação dos outros jogadores. Se eu conseguir ir nos outros [torneios], vou melhor preparado”.