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Hearthstone: Do anonimato ao presencial, DashingHenry faz boa estreia no Masters Tour Arlington

DashingHenry, jogador de Hearthstone no Masters Tour Arlington ESPN

Junto dos nomes costumeiros de Rase, Fled, Lucas e Nay entre os de brasileiros inscritos para o Masters Tour Arlington, havia um novo na área: DashingHenry.

O jogador se classificou na 60ª qualificatória para o torneio, ainda em outubro do ano passado, e era um mistério para os conterrâneos até aparecer na competição realizada no último final de semana.

Por estar presente no evento, fui atrás do misterioso jogador para descobrir Felipe José Barreiro Soares, um mineiro tímido de 19 anos que faz faculdade de Computação. Ao lado da mãe, que o acompanhou até o evento, ele conversou comigo sobre sua história no Hearthstone e como foi participar de seu primeiro presencial.

Segundo Felipe, Hearthstone apareceu em sua vida como indicação de um amigo. “Ele disse que eu ia gostar. Fiquei um tempo enrolando, até que finalmente fui na casa dele, joguei e gostei mesmo”, relembra.

Ao contrário de muitos jogadores de Hearthstone, que vieram de outros cardgames, Felipe nunca tinha tido experiência com jogos do gênero, e confessa que também não era muito aficcionado por videogames. “Eu tinha costume de jogar mais aqueles jogos de Facebook”, afirma.

Felipe se encantou com o jogo e sua aleatoriedade — algo que é até criticado por outros competidores —, e acabou descobrindo o cenário competitivo. “Fui jogando, ficando melhor, daí fiquei sabendo que tinha um competitivo e comecei a participar das qualificatórias. A minha primeira foi a do Masters Tour Seoul”, explica. “Então, nessa [de Arlington] acabei passando, conversei com a minha mãe e ela veio comigo”.

Os treinos de cerca de cinco horas por dia e o esforço para a viagem valeram a pena, já que Felipe teve um bom desempenho ao conseguir passar para o segundo dia da competição logo em seu primeiro torneio presencial. No fim, o jogador terminou com três vitórias e cinco derrotas e embolsou o prêmio mínimo de US$ 850.

Sobre a experiência, Felipe afirma que ficou bem nervoso por ser seu primeiro presencial, mas que o saldo é positivo e vai ajudá-lo nos próximos torneios. “Dá bastante nervoso estar no presencial, mas é muito bom. É uma experiência muito boa, e acho que pro próximo vou estar menos nervoso, e quem sabe consigo um resultado melhor”, diz.

Embora não tenha conseguido se classificar para o próximo Masters Tour, que acontece em Bali no fim de março, o jogador está esperançoso quanto aos próximos. “Vou tentar me classificar para todos os outros, e qualquer um que eu passar vai ser muito bom”, crava.

COMPANHEIRA DE VIAGEM

Ao lado de Felipe estava a mãe, Maria Gorete Barreiro Soares. Professora aposentada é empresária junto ao marido, Gorete afirma que não pensou duas vezes em apoiar e acompanhar o filho em seu primeiro presencial.

“Eu sempre soube que ele gosta muito de jogar. Às vezes a gente até fala que ele tá gastando muito tempo com jogos, mas sempre apoiei”, garante.

“Teve uma vez que ele queria ir [competir] em Curitiba, nós apoiamos, mas acabou que não deu certo. Dessa vez, ele falou: ‘mãe, fui classificado, o que você acha?’ Eu falei: ‘ué, vou com você’”, complementa.

Ela confessa que não sabia o que era esporte eletrônico antes do filho começar a competir, mas diz que ficou impressionada com a estrutura e o tamanho do evento.

“Fiquei insegura dele vir sozinho, então vim junto e fiquei surpresa com a organização, segurança, com um pessoal envolvido e engajado. Todos levam muito a sério. Achei bem bacana isso”, afirmou ela, olhando ao redor da arena.

Agora que viu um torneio de esports com os próprios olhos, Gorete que vai passar a se interar mais sobre os próximos passos do filho no competitivo de Hearthstone, e afirmou que vai apoiá-lo se ele quiser seguir carreira.

“Sempre apoiei o que meus filhos querem fazer, acho que vale a pena a gente sonhar, é bom”, aponta. “Se ele quiser, o importante é a pessoa realizar o sonho. A gente apoia. Vale a pena”.

*A jornalista viajou a convite da Blizzard