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'Classificar Movistar para Major do Rio será uma realização dupla', afirma steel

Há quase quatro meses Steel vem defendendo o espanhol Movistar Riders DreamHack

Após quase cinco anos competindo e morando nos Estados Unidos, ainda no ano passado, o brasileiro steel decidiu iniciar um novo capítulo na carreira ao aceitar defender a equipe espanhola de Counter-Strike: Global Offensive do Movistar Raiders. Oportunidade esta que o jogador gostaria que servisse para abrir as portas do cenário europeu para os compatriotas.

“Gostaria que [minha vinda] abrisse as portas para os brasileiros [na Europa], mas não necessariamente para jogar só com brasileiro. Temos muitos brasileiros bons que atuam no Brasil e aqui, como na América do Norte, possui um cenário muito mais evoluído do que o brasileiro. O Brasil está crescendo e hoje em dia já está bom, mas ainda não possui muitas seletivas, muitos torneios que dão vaga.”, afirma steel ao ESPN Esports Brasil.

O veterano acredita que tanto Portugal, como Espanha possam servir de caminho para os brasileiros que almejam competir na Europa. “Podem sim, principalmente [o cenário] português. São idiomas parecidos, até mesmo com o espanhol. A adaptação é difícil, mas não impossível e o cenário espanhol está muito bom. Não existe apenas o Movistar. Outras boas equipes disputam as seletivas para os torneios internacionais e conseguem manter o nível. Portugal também possui muitos bons times”, aponta.

Steel trocou a América do Norte pela a Europa em outubro passado após a formação então dispensada pela Luminosity Gaming (LG) se separar. Mas antes de aceitar o convite do Movistar, a possibilidade de retornar ao cenário brasileiro passou pela cabeça do veterano, como revela o próprio

“Pensei em voltar, sim, porque eu sabia que teríamos chances de montarmos uma nova equipe e também porque existia a chance de eu não receber convite de nenhum outro time. Pensei e iria voltar para continuar jogando. Se eu não tivesse recebido essa oportunidade do Movistar, eu iria voltar a jogar no Brasil”, conta.

Quanto a separação da antiga formação da LG, steel acredita que o resultado não satisfatório na divisão norte-americana da 8ª temporada do Esports Championship Series (ECS) foi determinante para os jogadores não continuarem juntos.

Sem dizer nomes, steel revela que a equipe estava em conversas avançadas com duas organizações, mas “as negociações esfriaram” por conta dos resultados não tão bons no ECS e “decidimos que cada um deveria seguir o próprio caminho. Não passou pela nossa cabeça de voltarmos ao Brasil como equipe porque felps e skullzz tinham contrato. Isso nunca foi possibilidade. A possibilidade era fechar com algum clube e continuar nos EUA”.

O brasileiro já está há quase quatro meses na Espanha e diz que a experiência de defender o Movistar Riders está sendo muito boa: “Aprendi muita coisa com eles por causa dessa diferença [de estilo de jogo]. Gosto bastante daqui porque, na minha opinião, é aqui que estão os melhores e consequentemente estou melhorando muito por estar jogando com os melhores sempres”.

Steel, contudo, fala que a adaptação inicial foi um pouco difícil porque a forma como atuava não estava se encaixando com o estilo da equipe. “Os espanhóis possuem um estilo mais regrado. Não existe uma jogada que não seja combinada. Todas as reações são pré-determinadas. Tudo o que fazemos é combinado antes, enquanto o estilo brasileiro é mais solto e possui mais jogadas individuais. Essa é a grande diferença. Fui de um estilo mais livre para 100% mais regrado, no qual tudo é preparado antes e todo mundo sabe o que o companheiro vai fazer”, compara.

Na opinião do brasileiro, o estilo apresentado pelo Movistar é o jeito que “sempre achei que o CS deveria ser jogado, mas como fiquei por muito tempo em uma forma diferente, quando entrei no time eu sofri bastante porque eu fazia muitas jogadas que saiam do combinado. Quando cheguei, tentei me adaptar a esse estilo ao mesmo tempo que tentei jogar meu jogo porque os caras me contrataram para ver o jogo que apresentei lá na América do Norte e no Brasil. Então, foi bem difícil até encontrar meu novo estilo. Já me adaptei ao estilo deles e eles já entenderam quais são minhas reações. Mas no começo foi bem difícil”.

Lá na Espanha o brasileiro já teve a oportunidade de jogar em frente a torcida local durante a DreamHack Sevilla. Ao ESPN Esports Brasil, o jogador afirma sentir que “estou sendo muito bem recebido e nesse campeonato o Movistar levou muitos torcedores”.

Apesar de não ter sentido pressão de jogar com a torcida espanhola a favor, steel opina que “jogar em casa é bom, é legal, mas pode ser o seu pior inimigo porque você quer performar, que jogar bem porque tem família e amigos assistindo. Ao mesmo tempo que é a melhor sensação, pode ser o pior inimigo. Eu não senti essa pressão. Pra mim foi como jogar um campeonato com uma torcida maravilhosa ao nosso lado. Foi muito legal porque vimos todos os torcedores com a nossa camisa”.

O assunto fez o veterano lembrar que nunca teve a oportunidade de disputar um torneio internacional em solo brasileiro. Mas steel sentiu o gosto de jogar em frente a uma torcida internacional. Foi quando ainda defendia o g3nerationX e disputou a final da segunda temporada da Brasil Premier League (BPL), confronto que antecedeu o mata-mata da ESL Pro League realizada no Brasil em 2016.

“Quando eu estava no g3x, num dos dias de abrir o evento foi disputada a nossa final contra Big Gods. A torcida brasileira é muito energética, mas a espanhola não é diferente. E eu achei isso muito legal porque, geralmente, a galera pensa que os europeus são frios, mas os espanhóis no caso não são”, relembra.

MAJOR NO BRASIL? UM SONHO

Nesta temporada steel terá mais uma oportunidade de disputar um grande torneio no Brasil. Isso porque o País sediará o primeiro Major da temporada, em maio.

De acordo com o jogador, “o Major sempre vai ser um objetivo. Agora, ser jogado no Brasil só fico ainda mais na vontade. Nunca joguei torneios internacionais realizados no Brasil, apenas um nacional que foi jogado num palco internacional. Sempre tive muita vontade de jogar no Brasil. Sempre quis jogar um campeonato no Brasil. Sendo um Major deixa mais empolgante ainda. Com certeza vamos treinar muito para isso”.

Mas, lúcido, steel afirma que o Movistar precisa evoluir mais antes de sonhar com o ESL One Rio. Na opinião do jogador, “o que falta pra gente é jogar mais campeonato em LAN. Falta experiência, jogar mais esses LANs internacionais porque assim vamos jogar contra equipes que são cascudas o ano inteiro. Quando enfrentamos boas equipes e que já estão acostumadas com LAN, é difícil. Faltam mais torneios para a nossa bagagem, mais experiência em LAN porque potencial nós temos”.

Ao falar sobre o Major que será disputado no Brasil, steel revela que sente falta do País. “Com certeza eu sinto falta. Fico longe da minha família por volta de seis a sete meses. Sinto falta de tudo, principalmente de estar no Brasil porque a cultura é diferente. Existem coisas presentes na cultura brasileira que fazem eu sentir falta. Esse é um dos pontos negativos de estar jogando fora e não no Brasil”, afirma.

LADO EMPREENDEDOR

Saudade esta que o jogador vem diminuindo aos poucos investindo no País. Fora dos servidores de Counter-Strike, steel se transforma no Lucas Lopes que está abrindo uma franquia de hamburgueria na região de Presidente Prudente, interior de São Paulo.

Steel revela que sempre teve vontade de investir, "só que eu guardava dinheiro diante da situação que o Brasil se encontrava. Quando comecei a ganhar dinheiro, que aconteceu quando fui para Immortals, estava rolando o Impeachment e muitas outras coisas. Mas sempre quis investir no Brasil. Guardei e esperei o momento que julguei certo para investir e percebi que essa era a melhor hora de abrir um empreendimento no País".

O veterano conta que a idia inicial era ter aberto "a minha própria hamburgueria, mas como eu não tenho nenhuma ideia de como funciona o ramo alimentício optamos em abrir uma franquia, que já possui todo um suporte. Vamos começar com essa unidade da franquia que estudamos, vimos o potencial dela e os números que conseguiram na minha cidade. Será meu primeiro empreendimento".

"Depois de aprender como funciona esse ramo, minha ideia é abrir uma steakhouse, que não é tão diferente mas não é uma hamburgueria. Mas vou abrir no meu nome e não uma outra franquia. Pretendo continuar no ramo de comunida e também tenho interesse de aplicar na bolsa, mas primeiro vou ver tudo o que vai acontecer com a hamburgueria enquanto estudo a bolsa de valores", comenta steel.

Questionado se algum dia investirá no cenário brasileiro de esporte eletrônico, steel responde que não sabe se o mercado é rentável no País no momento, mas afirma que "seria um prazer apesar de não estar nos meus planos atuais de investir nos esports".

APOSENTADORIA FORA DOS PLANOS

Steel completou dez anos de carreira em 2019. O ínicio de tudo foi no falecido Counter-Strike: Source, modalidade na qual defendeu importantes equipes como CNB e-Sports Club e TargetTDown.

O jogador relembra de como tudo começou, em 2002, quando assim como outros brasileiros na época iam para as lan houses.

Jogar Counter-Strike passou de hobbie para profissão em 2015, afirma o jogador: "A transição começou naturalmente. Nunca foi algo que pensei que ia acontecer. Jogava para me divertir, mas meus times sempre conseguiram jogar bem e ganhar títulos. Dei sorte de continuar jogando por todo esse tempo".

A passagem pela Immortals, entre 2016 e 2017, é classificada pelo brasileiro como o melhor momento da carreira. Foi por essa equipe que o jogador ganhou campeonatos nos EUA e chegou perto de um título de Major: o do PGL Kraków.

"Foi um momento muito bom. Éramos um time muito 'skillado', mas para ter ganho aquele Major acho que faltou um pouco mais de saber jogar melhor time. Era um time muito habilidoso, com um estilo que todos eram 'cachorros loucos', mas que era um pouco inconstante porque se a gente não estivesse num bom dia, ficava fácil dos times nos counterar. Faltou um pouco de malícia nesse sentido, em relação a mudar o estilo de jogo", analisa em entrevista ao ESPN Esports Brasil.

Steel não consegue nem imaginar como teria sido a vida de todos se a Immortals tivesse vencido a Gambit no confronto final do Mundial: "Ia mudar tanta coisa, da água para o vinho e eu não consigo nem imaginar onde estaria hoje. Do segundo para o primeiro lugar é uma distância gigantesca. É difícil falar".

Já considerado um jogador que possui uma carreira longeva, steel não tem uma data para "pendurar mouse e teclado" e tampouco voltar para o Brasil. "Não sei se vou voltar para jogar no Brasil. Não é algo que penso agora. Não sei se algum dia eu vou voltar" afirma.

Steel completa lembrando que é da "primeira safra e a gente não sabe até quando dá pra jogar. Muita gente fala que 'deu 30 anos e está velho'. Mas eu discordo. Os esports funcionam diferente dos esportes convencionais, nos quais você precisa usar muito a parte física. Acredito que dá pra jogar CS por muito mais do que 30 se você manter a motivação. Por isso realmente não sei quando pretendo parar".

Ao falar novamente se voltaria ao Brasil para atuar, steel fala sobre a possibilidade de jogar em solo brasileiro mas de forma mais leve. "Talvez siga o exemplo do mch, que joga com os amigos. Mas não sei se quero jogar minha na minha última temporada e se quero jogá-la no Brasil porque não sei se vou estar no pique para jogar no nível profissional no Brasil porque o País está se desenvolvendo muito e eu não vou entrar para perder".