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LoL: Inspirada por Froskurinn, Letícia Motta se destaca como analista da Superliga

Letícia Motta é caster de League of Legends e analista da Superliga ABCDE 2019 BBL Esports

A Superliga ABCDE de League of Legends estreou em 2019 com mudanças de formato e de times participantes com relação a suas edições anteriores. A novidade mais expressiva, no entanto, acontece na equipe de transmissão, que conta com novos nomes e diversidade ainda rara no cenário do jogo.

Na mesa de análise do torneio, a caster Letícia Motta faz sua estreia contracenando com dois nomes de peso do cenário: Dudu Etsblade, analista do Circuito Desafiante, e Loop, ex-jogador profissional. Com carisma e conhecimento de jogo, a analista conquista espectadores ao apontar aspectos importantes dos jogos da liga regional.

Seu nome, no entanto, não é novidade para quem acompanha o Around The Rift, programa semanal de mesa redonda sobre o cenário internacional de League of Legends. Lá, a analista discute com Dudu, Skeat, Berunardo e Lunacy os jogos das últimas rodadas de todas as regiões — focando, sempre que possível, em sua preferida, a LEC.

No backstage da Superliga, no mezanino da BBL Arena, Letícia Motta relembra, em conversa com o ESPN Esports Brasil, dos momentos que fizeram com que ela se encantasse pelo League of Legends a ponto de se tornar analista do torneio. “Eu queria falar do jogo”, comenta, traçando os primeiros passos de sua carreira como caster. “Eu conheço e sou apaixonada pelo jogo. E eu percebi que sou capaz disso”, diz.

MUDANÇA DE CARREIRA

Letícia é recém-graduada em Psicologia, mas descobriu no casting sua vocação. “Eu queria muito trabalhar com comunicação, tanto que quase fui pro jornalismo”, comenta a analista, que escreve colunas para o site Mais Esports e já produziu matérias como freelancer para outros portais.

Jogadora de League of Legends desde 2014, a caster conta que sua vontade de trabalhar com análises para o público foi descoberta recentemente — e que ver outras mulheres falando do jogo foi fundamental para que reconhecesse seu potencial. “Eu via mais casters, streamers, influencers mulheres no LoL e pensava ‘cara, se eu estudar eu posso fazer isso’”, assume.

Em 2019, os trabalhos de Letícia nos torneios femininos do Projeto Sakura e no GirlGamer Festival foram fundamentais para que seu trabalho como comentarista e analista se desenvolvesse. Com essa experiência, ela trabalhou, também, no estande da Logitech na Brasil Game Show e no Logitech G Challenge, grande vitrine para seus comentários.

Em novembro, o convite para a equipe de transmissão da Superliga foi a consolidação de um bom ano de estreia. “A experiência está sendo fenomenal”, relata a analista, com um sorriso. “Eu sempre sonhei em trabalhar perto de grandes nomes, com grandes times. Era meu grande sonho. Eu fiz campeonatos com times menores, e agora eu to analisando a INTZ”, afirmou, olhando para o telão da arena após o jogo de INTZ e ProGaming.

“Eu fico pensando ‘Caraca, olha onde eu cheguei’”, confessa. “Acho que é muito fruto do meu esforço, também, e eu tô colhendo os frutos agora”, analisa.

LEC E FROSKURINN

Letícia não faz questão de esconder em momento algum seu amor pela liga europeia de LoL (LEC), pela G2 ou por Froskurin. Fã da Fnatic e de Caps desde 2017 e espectadora fiel do torneio europeu desde 2019, a analista conta que seu fator preferido em sua liga do coração é, justamente, a equipe de transmissão.

“Eles [casters] são o que eu mais gosto de lá”, assume. “Não só a Froskurinn, que eu acompanho desde a LPL, mas também o Vedius, o Medic…”, cita.

Froskurinn, no entanto, é assumidamente sua referência. “Acho que a Froskurinn [comentarista da LEC] foi quem me inspirou pra ir pra cima pra as oportunidades, ainda mais agora que eu vi que tenho uma história parecida com a dela”, comenta. “Quando eu a via, eu pensava: ‘poxa, eu também consigo, basta eu fazer o meu’. Nesse ano, eu basicamente estudei o jogo e corri atrás disso”, relembra.

“Quando eu comecei a assistir a LEC, eu via que ela tinha alguma coisa”, diz a brasileira, frequentemente comparada com a comentarista norte-americana. “Ela não é só boa no que faz. Ela é inspiradora”, declara Letícia. “A Sjokz, por exemplo, também é incrível, mas eu sentia proximidade com a Frosk”, afirma, referindo-se o estilo da comentarista e suas tatuagens.

A inspiração, no entanto, não fez com que Letícia perdesse seu jeito de trabalhar — pelo contrário. “Eu percebi que não vou falar como ela, mas que eu tenho o meu jeito”, expõe a analista. “Existe essa mulher, a Frosk, que eu gosto e admiro muito, mas existe eu, e eu preciso descobrir meu estilo, me diferenciar dela e criar meu próprio jeito”, comenta.

“Eu gosto muito da entonação dela, também. Acho que ela impõe muito respeito e tem um estilo meio debochado que eu gosto, acho muito divertido. É algo que eu acho que também tenho — não como ela, mas do meu jeito. Eu to buscando isso”, assume.

COMUNIDADE

Ao público que conheceu seu trabalho na Superliga, Letícia Motta afirma que, “apesar do nervosismo”, está dando seu melhor na nova oportunidade. “Tô sempre aberta a feedbacks e quero ouvir da comunidade no que eu posso melhorar”, garante.

Ela deixa, ainda, um recado para a comunidade feminina, ainda carente de representatividade nas mesas de análise de League of Legends. “Espero representar bem as meninas, também. Espero ser uma voz importante e representar vocês no jogo e nos campeonatos”, finaliza a analista.