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Circuitão: Após eliminação, Revolta revela considerar aposentadoria: 'reavaliar se estou no caminho certo'

Revolta, caçador da Red Canids no Circuito Desafiante Red Canids

Na última terça-feira (13), a final do Circuito Desafiante foi decidida. O 3 a 0 dos talentos em ascensão da ProGaming sobre os medalhões da Red Canids foi estrondoso, e garantiu a vaga das caveiras na série rumo ao CBLoL, contra a Vivo Keyd.

Na BBL Arena, o barulho foi ensurdecedor durante quase toda a série, mas, ao final, a torcida da Red era tão quieta quanto os próprios jogadores, que recolhiam seus periféricos ao deixarem o palco. A aura era de incredulidade. Era fácil entender por que o time de fnb levou a última vaga — mas era difícil aceitar como a Red de LEP, Revolta, YoDa e Cabu, com Titan de reforço na última etapa, deixava o Circuitão nas semifinais pela segunda vez.

No pós-jogo, o caçador Revolta tomou a frente para entrevistas, aceitando a solicitação do ESPN Esports Brasil e me cumprimentando com um sorriso. Ao longo da conversa, a voz de Revolta era mais calma do que a habitual. O caçador não se esquivou de perguntas e foi honesto ao avaliar seu momento e sua carreira, expondo, também sem medo, que deixar de jogar passa por sua cabeça — e não de uma maneira ruim.

“Falando de jogo, a gente não estava com macro bom”, inicia o tricampeão brasileiro quando questiono os erros na série melhor de cinco. “A gente não tinha muita noção de como ganhar o jogo — o que é contra-intuitivo, porque somos pagos para isso”, descontrai.

“Individualmente, a gente não tava conectado com o jogo”, avalia. “Como um time, a gente tava conversando, se comunicando, querendo fazer as coisas, mas não conseguia fazer, levando mais para algo individual. Foi algo que eu senti, mas não conversamos ainda sobre isso, então não tenho certeza se foi só uma sensação ou se foi algo que todo mundo percebeu”, confessa, pouco mais de 20 minutos após o final da partida e a eliminação.

“Acredito que o erro nessa série foi a gente não ter uma base de conhecimento tão forte assim, pra chegar no stage e conseguir superar tudo que estava na nossa cabeça. A emoção, o ambiente diferente. Botar tudo em prática”, arrisca.

Ao longo da conversa, a voz de Revolta era mais calma do que a habitual. O caçador não fez questão de desconversar ou de esquivar-se de minhas perguntas sobre a série, sobre sua carreira, sobre suas metas. O veterano do cenário aparentava iniciar a reflexão sobre seu momento ali, ainda na arena.

EXPERIÊNCIA NO DESAFIANTE

Após participar de todas as edições do CBLoL e de alguns torneios antes sequer do CBLoL ser oficializado, a campanha no Circuito Desafiante foi a primeira na carreira de Revolta, que já levantou a taça da primeira divisão três vezes, sendo uma em 2015 e duas em 2016.

O jogador não esconde que a vivência no Circuitão foi “estranha”. “Confesso que… assim, eu aprendi muita coisa. É estranho falar isso, mas está sendo muito bom pra mim, porque estou sendo posto à prova de uma maneira muito diferente do que era no CBLoL”, comenta.

“Obviamente que o CBLoL é melhor; eu gostaria de estar no CBLoL”, confessa, com um sorriso encabulado. “Mas eu não acho que estou em uma fase ruim, não acho que estou jogando mal. Acho que não estou me adaptando muito bem à estrutura de como é um campeonato como o Circuito, sabe?”

“Eu tenho que jogar de casa, pra mim é muito estranho ter que jogar de casa”, exemplifica. “Depois ter que vir pro palco que é um palco que não estou acostumado. Então, de uma forma geral, a estrutura inteira desse campeonato tá sendo bem diferente pra mim”, assume o caçador.

Sobre a nova organização, no entanto, Revolta é positivo. “Eu me surpreendi bastante com a Red como organização, porque eu não esperava que, no Circuito, fosse ser tão bom assim. Acho que a melhor que eu já estive em toda a minha carreira”, arrisca. “Tem o lado bom e o lado ruim”, sugere.

PASSOS PARA TRÁS

“Acho que foram dois passos para trás para dar um para frente, porque foram duas derrotas e a gente precisa de uma vitória”, responde o caçador, descontraído, sobre o dito popular, adaptando-o para sua situação. “Gosto de pensar dessa forma pra a gente poder caminhar. Não dar um passo maior que a perna”, assume.

O gancho foi seu desenvolvimento como jogador na última temporada, mas Revolta vai além. “A gente perdeu dois splits. Alguma coisa a gente está fazendo de errado — alguma coisa eu tô fazendo de errado. Então, assim, valeu a pena?”, questiona-se. “Eu acho que valeu. Eu tô feliz onde estou e quero subir esse time para o CBLoL. Isso é uma certeza que eu tenho, porque uma organização como a Red merece e deve estar no CBLoL”, crava.

A pergunta, agora, é sobre suas intenções para o futuro: se o objetivo prossegue sendo subir a Red Canids do Desafiante para o CBLoL. A resposta me assusta: “Eu não sei o que vou fazer. Eu não sei se me aposento, não sei se continuo”, Revolta dá uma pausa ao ver minha reação, que foi esboçar imediatamente um “não!!!” em apelo.

Ele sorri e prossegue. “Nesse momento… No momento que você perde, várias coisas passam pela sua cabeça. Eu sou um cara que, ganhando ou perdendo, gosto de tirar de três dias pra mim e ficar sozinho, sem ninguém, pra pensar em tudo. Porque tem muita coisa a refletir, sim.”

“Eu sou um cara que fui muito vitorioso no passado”, relembra. “Eu venho perdendo muito durante esses anos, então alguma coisa de errada eu tô fazendo, também. Acho que eu tenho que refletir sobre tudo, ver se estou disposto a passar por tudo que passei durante esse ano, porque é muito trabalhoso”, confessa Revolta. “Em 2016 eu não tive férias, ao longo do tempo eu tô me recuperando disso. Acho que todos os jogadores desde 2016 não estão tendo resultados muito bons, até, por conta disso”, arrisca.

“Acredito que hoje seja o momento de pensar sobre isso e ver o que eu vou fazer. Hoje, eu não consigo te dizer qual é o meu futuro. Gostaria muito e quero muito continuar jogando, porque é a minha paixão. Eu amo isso do fundo do meu coração. Mas preciso parar e pensar em deixar tudo certinho”, manifesta.

APOSENTADORIA?

Puxo o gancho da aposentadoria mencionada, no sorriso nervoso de quem acompanha o caçador desde antes de sua consolidação como um dos melhores do Brasil. “Isso realmente passa pela sua cabeça?”, pergunto.

“Cara, até quando eu tava ganhando isso passava pela minha cabeça, porque o que as pessoas veem não é nem 1% de tudo o que a gente passa”, aponta. “Nossa rotina é muito puxada, tem muita coisa na minha vida que eu gostaria de fazer e não posso por ser pro player”, confessa Revolta.

“Eu super entendo o Kami — ele tomou um tempo pra ele, foi viver a vida dele e hoje está muito mais feliz, porque consegue fazer o que ele quer”, ele cita o mid laner bicampeão brasileiro, que deixou o competitivo e, hoje em dia, estuda pilotagem de aviões.

“É botar na balança tudo o que eu quero pra a minha vida pelo peso de, possivelmente, ser campeão. Porque ser campeão não é necessariamente um título: muitas vezes, é um peso”, Revolta crava e, vendo outra vez minha reação, prontifica-se em explicar.

“Você carrega um peso para conquistar um título, é isso que eu quero dizer. Eu preciso botar tudo em ordem na minha cabeça, pra ver tudo o que eu fiz, reavaliar se estou no caminho certo. Se eu estiver, vou continuar. Se eu estiver no caminho errado, eu vou ver se tenho força o suficiente pra me botar no caminho certo. É um momento de reavaliar realmente tudo o que eu quero pro meu futuro”, confidencia, finalizando.