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União e muito treino: Cena paulista de Street Fighter chega forte para o Fight in Rio

Da esquerda para direita, Keoma, YoungTon e Silvério durante o Tiger Upper Quarta #40. Daniela Rigon/ESPN

Apesar de acontecer em Niterói, no Rio de Janeiro, o Fight in Rio contará com uma forte participação da comunidade paulista no torneio de Street Fighter V. Embalados pelos treinos semanais tanto na casa de amigos quanto no Tiger Upper Quarta, os jogadores de São Paulo viajam em busca de pontos na Capcom Pro Tour e o sonho de participar da Capcom Cup deste ano.

O ESPN Esports Brasil compareceu ao último TUQ, na quarta-feira (10) para conversar com os competidores paulistas que disputarão o major. Conheça um pouco da história de cada um!

ALEXIS

Jogador de Sagat e um dos representantes da Top Fighter, Alexis é um nome antigo da comunidade. Apaixonado por jogos de luta desde a época dos fliperamas, quando cabulava aula para jogar, Alexis entrou no competitivo “desde que a cena saiu da EVO e veio para o Brasil, com Street Fighter IV. Eu jogo desde que lançou”.

Alexis é uma presença constante no TUQ e diz que o torneio semanal “um gás que a gente precisava”. “Se tiver só o FiR e o Treta, dá até um pouco de desânimo porque depois que acaba um você pensa: ‘putz, só daqui uns meses tem outro’. E o TUQ é uma constante, você tem sempre que estar se desafiando, treinando, porque aqui estão os melhores. É um ânimo pra você conseguir um incentivo e estar treinando sempre”, explica.

Apesar de não ter esperanças em relação à uma classificação na Capcom Pro Tour, o jogador está esperançoso sobre sua participação – e a participação paulista – no FiR. “Todos os competidores são amigos nossos de muito tempo, então acho [o torneio] muito bacana. É um dos grandes campeonatos, tá valendo ponto, e São Paulo vai em peso. Praticamente a caravana inteira de São Paulo vai, e eu quero ver como o TUQ vai influenciar no nosso desempenho”, afirma.

CHUCHU

Primeiro brasileiro em uma Capcom Cup, lá em 2014 pela CNB, Chuchu também é um famoso nome no cenário. Após “uma pausa que foi muito chata pra mim”, o jogador está “firme” no competitivo desde outubro de 2017 e diz que é isso que quer fazer para o resto da vida. “Eu sempre gostei de competir, faz parte da minha vida, da minha essência. Vou querer morrer fazendo isso aqui”, crava.

Para o jogador de Chun-Li e representante da Shodown, a principal diferença entre o competitivo de anos atrás e de hoje é que, agora, “tem bastante gente nova, que não comparecia muito nos campeonatos de SFIV. A cena mudou”. Além disso, considera o TUQ como o “salvador” da cena de São Paulo, que era muito carente de torneios presenciais para uma melhora do nível como um todo.

Para o FiR, Chuchu confessa que não tem mais “aquela gana de ir pra Capcom Cup” e que acha que “já fiz minha parte”. No entanto, diz que a expectativa para o major está alta pelo treino constante. “Eu acredito no meu jogo. Sei que vai ser difícil ganhar, mas também sei que é possível”, diz. “Acho que tá todo mundo forte, e vai ser uma competição muito f*** lá. Tanto por mim quanto pra Shodown, acho que um TOP 3 seria um ótimo resultado”.

ZENITH

Representante brasileiro e jogador de Menat confirmado na EVO 2019, Zenith é uma das grandes promessas do cenário e um dos favoritos a levar os pontos para a Capcom Cup.

Para ele, o TUQ foi “a melhor preparação possível” para o FiR e “ajudou toda a cena a evoluir”. Por conta disso, acredita que São Paulo vai dominar o torneio carioca “porque a gente está treinando em alto nível há bastante tempo”. “E vai ser divertido porque, nas últimas semanas, ‘tá’ rolando uma rivalidade entre as cidades”, brinca.

Zenith afirma que o FiR também é muito importante não só pela pontuação na CPT, mas também por conta da EVO. “Estou encarando o FIR como preparação pra EVO. A minha expectativa é que seja um campeonato forte que eu consiga me testar em um nível ainda mais alto que o semanal de São Paulo”, aponta.

LEXE

Competindo desde SFIV há cerca de quatro, cinco anos, Lexe tem sido um dos destaques no TUQ com seu Rashid e venceu as edições 35, 36 e 39.

O jogador considera o TUQ uma revolução para a cena de São Paulo e afirma que só evoluiu com o torneio. “Até troquei de personagem, e a cena conseguiu ter um nível de jogo, o que não tinha antes”, comenta.

Lexe não jogou nenhum torneio valendo pontos na CPT este ano, mas afirma que vai “tentar a sorte” no FiR. “Estou com uma certa confiança, mas sei que vai ter muita gente forte lá. São muitos candidatos ao título, mas vou lá fazer meu melhor. Estou me preparando pra ganhar”, crava.

NIEL

Niel também é um dos destaques promissores da cena de São Paulo, e conta ao ESPN Esports Brasil que começou a jogar competitivamente e “de verdade” em 2018. “Sempre joguei, mas nunca competitivo. Sabe quando você joga sem entender muito bem o que você ‘tá’ fazendo, só pela história? Eu jogava apertando todos os botões”, lembra com uma risada.

“Eu fui aprender que o Street Fighter, que os jogos de luta, são um ‘xadrez’, um jogo que é pensado, na última versão do SFIV, em 2015, quando eu frequentava um fliperama em um shopping no bairro da Lapa. A galera começou a me ensinar que o jogo não é só apertar os botões, o jogo é pensar, é uma estratégia”, explica.

Com o TUQ, o jogador passou a frequentar o torneio semanal e credita sua evolução a isso. “O TUQ pra mim foi o diferencial. É onde você senta, tem o nervosismo do seu adversário do seu lado, ‘tá’ valendo algo, se você perder você pode estar fora, e ainda tem a troca de experiência que você tem com seu adversário. Você poder jogar a partida e perguntar depois o que você fez de errado, e vice-versa”, aponta. “O TUQ melhorou meu jogo 100%, fez um diferencial enorme. Quando ‘tava’ valendo vaga pro Chile, eu tremia. Era algo que eu nunca tinha sentido antes”.

A evolução fez Niel terminar em terceiro lugar na Tiger Upper Cup 3, e seu esforço conquistou a comunidade, que fez uma vaquinha para o jogador competir no Fight in Rio. “Eu não ia pro FiR por falta de condições, mas depois desse desempenho a galera gostou pra caramba e me ajudou”, conta. “Sempre vejo a galera falando muito da hype do FiR, então poder fazer parte disso é um sonho”.

No torneio, Niel diz que está ansioso por enfrentar Brolynho, que apesar ter se aposentado do competitivo, participará do major. Já sobre seu futuro no competitivo, o jogador de Akuma comenta que sonha não apenas com a profissionalização própria, mas de todo o cenário: “Sei que é algo bem distante ainda, mas é um sonho que eu tenho pra cena, porque é quase como uma segunda profissão, né? Eu sei que pra mim é algo distante, mas é algo que eu tenho como sonho. Viver o que o Zenith vai viver”.

YOUNGTON

Terceiro lugar da TUQ #40, Youngton conta que jogava King of Fighter em 2002 e que foi apresentado ao competitivo de Street Fighter com SFIV. Ele confessa que não tinha muito interesse inicialmente, mas que pegou gosto por incentivo dos amigos “e estou aí até hoje”.

O jogador de Karin afirma que havia uma “carência de torneio no Brasil” que o TUQ conseguiu suprir, e que o encontro semanal serve como treino e como local para fazer grandes amizades.

Sobre sua participação no FiR, além de ter a esperança de enfrentar Brolynho, Youngton diz que também tem o sonho de ir para a Capcom Cup e que “vou tentar dar o meu melhor”. “A expectativa é muito grande”, crava.

SILVÉRIO

Mais um jogador que chegou no Street Fighter depois de passar por KOF, Silvério começou a jogar competitivamente em 2016, já no SFV. Ele também utiliza a personagem Karin e terminou em segundo lugar no TUQ #40.

Elogiando o TUQ, Silvério diz que a iniciativa “é muito importante” por aumentar e intensificar a rotina de treinos do cenário paulista, o que por sua vez é essencial para um bom desempenho em majors como o FiR e o Treta.

Em Niterói, Silvério está ansioso para reenfrentar os jogadores Pupilo e Brolynho. “Eu estive lá [no RJ] uns 3 meses atrás, joguei o circuito deles e perdi duas vezes pra mesma pessoa, o Pupilo. Também Joguei duas vezes contra o Brolynho. Eu perdi uma vez e ganhei outra”, conta.

KEOMA

Apesar de não ter nascido em São Paulo, Keoma passou a integrar a cena paulista há cerca de três meses, quando se mudou para o estado. O jogador é o mais novo brasileiro a ser confirmado para a EVO 2019 após o patrocínio de um fã e prometeu “não medir esforços” para diminuir a brecha que diz existir entre ele e outros jogadores de fora.

Mais um jogador de Karin, Keoma considera a TUQ como responsável pela evolução de jogadores como Zenith e afirma que sentia falta desse tipo de iniciativa. “Além da exposição com stream e do pessoal levar o competitivo mais a sério, o TUQ ajuda a mostrar que existe, sim, um cenário de jogos de luta cada vez mais forte no Brasil”, crava.

O jogador também conta que o FiR será, acima de tudo, um momento de celebração por seus 10 anos como competidor, e que está ansioso para reencontrar Brolynho nas brackets. “A gente veio trocando vitórias nas últimas temporadas. A última veio dele nas finais regionais na América Latina. Acho que além da medalha de quarto lugar que ele esqueceu comigo, eu tenho que dar o troco pra ele”, brinca.

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O Fight in Rio acontece neste sábado e domingo, 13 e 14 de julho, em Niterói, Rio de Janeiro. O evento conta com torneios em nove modalidades, e o de Street Fighter V conta pontos para a CPT. Para saber mais sobre o FiR, acesse o site oficial.