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"Você tem que dar passos para trás, para dar vários na frente", fala Horvy sobre retorno ao Brasil

Horvy vem para o Brasil a fim de se renovar e levar o Reapers ao topo do cenário Felipe Guerra

Ter a oportunidade de morar e competir fora do Brasil é o sonho de grande parte daqueles que jogam Counter-Strike. Com 20 anos e passagens por times internacionais, Horvy está fazendo o caminho inverso. O jogador resolveu voltar a competir no Brasil, o que classifica estar dando um passo para trás, para dar vários na frente.

“É aquela coisa: você tem que dar passos para trás, para dar vários na frente. Independente para qualquer jogador que jogou lá fora, voltar para o Brasil é um passo para trás. É um cenário que está sendo desenvolvido. Ainda faltam campeonatos, vagas para torneios internacionais, mas já melhorou muito desde que joguei em 2016”, revelou o jogador ao ESPN Esports Brasil.

O jovem foi o grande reforço do Reapers para a disputa da terceira edição da Gamers Club Masters e lá em Sorocaba, em conversa com a reportagem, Horvy deixou claro que voltar a competir no País "foi algo que pensei muito. Eu precisava dar uma renovada e não tem lugar melhor para isso se não no lugar em que começamos".

Mas antes de se tornar um Ceifeiro, a possibilidade de pendurar mouse e teclado passou pela cabeça do jogador. “Eu tinha pensado em parar de jogar, em dar uma pausa. Mas vi que eu não estava pronto para isso. Tenho muito a jogar, a mostrar que eu consigo continuar me desenvolvendo como jogador”, contou Horvy.

O jogador acredita que chega ao time "para agregar e, mesmo todos achando que sou um cara muito experiente, sou um cara que consegue aprender as coisas rapidamente. Agrego sendo um cara estudioso, que gosta de ensinar para os outros tudo o que aprendi. Tento ajudar a galera desse jeito, passando calma nas horas dos jogos e tendo deixar a galera confortável".

Segundo Horvy, o que o mais atraiu no Reapers foi a sinceridade da organização: “Eles não prometem nada que seja uma loucura. Para mim, o CS nunca foi dinheiro. Jogo para ganhar e a primeira coisa que vi foi talento na formação, vontade de galera trabalhar”

A avaliação do jogador sobre o time não está errada. O Reapers é um dos times que mais vem chamando a atenção da comunidade, principalmente após o título da edição de junho da Dell Gaming Liga Pro, competição a qual a equipe conquistou após vencer nada mais, nada menos que a W7M na decisão.

No Major brasileiro os Ceifeiros também não fizeram feio. Apesar de não terem conseguido avançar para o mata-mata, o Reapers fez jogo duro contra todos os adversários durante a Fase de Grupos, inclusive conseguindo vencer a paiN, equipe que acabou vencendo a competição.

Sobre a campanha do time na GC Masters, Horvy é claro "a gente jogou bem". O jogador apontou que o que mais chamou atenção no elenco "foi a força de vontade de querer vencer de todo mundo".

“Jogamos bem esse campeonato. Tínhamos chance de estar na decisão. Foi no detalhe. Todos os mapas que jogamos, perdemos para nós mesmos. Quem viu os jogos e entende de CS, viu que perdemos para nós mesmo e isso é a maior coisa que faz a gente acreditar no futuro", avaliou

De acordo com Horvy, o Reapers mostrou na GC Masters que não está para brincadeira. Diferente de muitos na comunidade, o jogador enxerga a equipe já como uma realidade do cenário e, de forma categórica, afirmou que “o nosso objetivo é conquistar o Brasil a médio e longo prazo”.

Quanto aos novos companheiros, Horvy revelou que quem o mais chamou atenção foi brutt. “Todo mundo vê o brutt como um cara bem parecido com o kNg. Ele está aprendendo agora a controlar um pouco. Falei pra ele que eu ia ajudar nisso porque vi como o kNg jogava. O kNg, todo mundo sabe, era muito agressivo, mas foi aprendendo a recuar. Ele joga muito bem de todas as formas, é um jogador bem inteligente e acho que isso o brutt vai começar a desenvolver agora porque ele tem muita mira, é muito rápido e é um cara que tem muita vontade. Eu vi um mini kNg que pode ser trabalhado”.

AVALIANDO CARREIRA

Horvy explodiu no cenário em 2016 e rapidamente ascendeu para o competitivo internacional. Antes de retornar ao País, o jogador competiu na Europa e Estados Unidos defendendo equipes como k1ck, Immortals, INTZ e Team oNe.

Em avaliação sobre a carreira, Horvy disse que essas experiências foram “boas na minha carreira”. Mas o jogador deixa claro que não está satisfeito: “Sou um cara que sempre busco estar melhorando individualmente e ajudando meu time a melhorar também. Esses são meus pontos fortes”.

“Experiências para ganhar maturidade pessoalmente e dentro do jogo. Até hoje ouço falar ‘você se considera que sabe tudo de CS’. Não, eu não sei tudo porque CS é uma coisa que está sempre evoluindo e não tem como saber tudo. O que mais aprendi lá fora é sempre estar sempre estar preparado para aprender e melhorar”, revelou.

INTZ E TEAM ONE

INTZ e Team oNe foram as duas equipes de Horvy antes de retornar ao Brasil. O jogador começou bem vestindo a camisa Intrépida, mas depois acabou perdendo espaço. “Individualmente eu estava um pouco sem confiança, mas por N motivos eu fui perdendo minha confiança e depois a do time”, avaliou

Mas na visão de Horvy, “a gente fez um bom trabalho com a formação que tínhamos. Conseguimos nos classificar para o Minor, para as finais da ESL Pro League, para o campeonato de Abu Dhabi. Das cinco seletivas, chegamos em três, então acho que foi um bom aproveitamento durante essa passagem”.

Antes de camisa do Team oNe, Horvy ficou um tempo parado. Período este que o jogador usou “para colocar a cabeça no lugar, construir uma mentalidade forte e confiança em mim mesmo e foi primordial para a passagem pelos Golden Boys:

“Quando cheguei na T1 consegui usar tudo o que aprendi só que dessa vez eu estava confiante, então tudo dava certo pra mim. Jogadas individuais, as coisas funcionaram melhor pra mim”, finalizou.