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Shoowtime acredita que Brasil "nunca vai alcançar" cenários estrangeiros de CS

Shoowtime acha que um dos problemas é falta de um calendário fixo Felipe Guerra / Gamers Club

Cambaleando, o cenário brasileiro de Counter-Strike: Global Offensive começou a ser construído em 2012. Os anos se passaram e a evolução aconteceu gradativamente, mas muito ainda falta para o competitivo nacional se equiparar ao estrangeiro na visão de muitos jogadores.

SHOOWTiME não é um deles. Categórico, o integrante da Vivo Keyd diz acreditar que o Brasil “nunca vai alcançar lá fora”.

Apesar de não gostar de fazer comparações entre cenários, em entrevista ao ESPN Esports Brasil, SHOOWTiME aponta que, "apesar da evolução constante do nosso cenário e a melhor dos times, que vemos indo lá fora e dando mais trabalho, acredito que não tem como chegar no nível de lá. Lá fora é toda hora campeonato importante para se jogar e os times de lá só se dedicam ao Counter-Strike. Aqui conheço uns quatro ou cinco times que realmente vivem do CS, enquanto lá fora existem milhares".

Calendário fixo é uma coisa que falta no cenário brasileiro na visão do jogador da Keyd. “Aqui está tendo algumas vagas, mas lá é toda hora. Toda hora tem seletiva para alguma coisa, o que de vez em quando acontece aqui. No Brasil não dá para saber quando vai ter [classificatórios para torneios internacionais]. Fora questão de monetização”, analisa SHOOWTiME.

E é por conta desses e outros problemas que o integrante da Keyd acredita que ainda exista a necessidade dos times brasileiros ainda irem pra fora. Mas SHOOWTiME não é o único. O jogador da W7M, raafa, e o treinador da Detona, Rikz, possuem a mesma linha de raciocínio.

Para o comandante da equipe vice-campeã da terceira edição da Gamers Club Masters, ". É mais para a evolução individual dos jogadores”.

Rikz ainda afirma que, “se você pensar apenas em vaga e se classificar para torneios internacionais, você consegue fazer muito bem do Brasil. Na visão do treinador, “o problema é que você não vai conseguir uma hegemonia porque quando você tá no topo, você não enfrenta times melhores. Você precisa esperar perder para alguém melhor do que você, para então você melhorar mais. Então, você não vai conseguir se manter no topo por muito tempo”

“Ir lá para fora é mais para o nível do time e não para se classificar para um campeonato mundial porque já temos as vagas”, finaliza Rikz

O veterano raafa vê que, atualmente, o cenário brasileiro “está muito mais competitivo”. De acordo com o jogador da W7M, “antigamente era muito um time só dominando, aí ele ia pra fora e ficava lá e vinha outra equipe realizando o mesmo processo. Hoje está muito mais competitivo e a diferença de um time para outro é muito pequena. Fora os campeonatos, as vagas que vieram para o Brasil. A maior diferença é essa: competitividade”.

Experiência internacional é uma das coisas que faltam ainda para o competitivo nacional, na visão do jogador da W7M: “Quanto mais experiência os times tiverem de treinar lá fora, mais o cenário vai crescendo. Por exemplo, a Detona foi lá para fora, treinou um pouquinho e voltou com um pensamento melhor”.

Raafa, contudo, acha que “esse negócio do time ir lá pra fora e ficar é mais prejudicial ao cenário do que melhor porque o cenário vai ficar cada vez mais fraco. Os times que fortalecem vão e não volta. Acho que muitos times precisam ter essa experiência lá fora e voltar ensinando aos mais fracos”.

JÁ DÁ PARA VIVER DO CS?

Um assunto corriqueiro que volta e meia ganha os noticiários é se o Counter-Strike já possibilita os jogadores a viverem só do jogo. Para Rikz, é uma “pergunta tem que ter alguns pontos em consideração”

De acordo com o treinador da Detona, “você consegue viver, sim, do CS, mas você tem que ganhar [campeonatos]. Atualmente, deve ter umas seis organizações que pagam salários, remunerações em dia. Mas nem todo o salário é um salário que dá para viver. É mais uma ajuda de custo. É difícil. Você tem que ganhar os campeonatos. Se não, você não consegue se manter. A gente foi jogar lá fora e vimos que times ‘Tier2’, um time bem básico europeu ganha em torno de 1 mil euros”