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Keyd sem "Stars": diretor estratégico comenta contratações e mudança na metodologia

Para segunda etapa de 2019, Vivo Keyd abandona as "Stars" e vem com metodologia focada em talentos Riot Games Brasil

A Vivo Keyd findou o mistério e anunciou nesta quarta-feira (22) sua escalação para a disputa da segunda etapa do Circuito Desafiante 2019. A equipe é recém-chegada no campeonato — pela primeira vez desde que o CBLoL existe como CBLoL (2015), caiu para a segunda divisão, fato que demandou uma reestruturação mais crítica no time de LoL.

Ao lado de Klaus e Professor, rota inferior que veste a camisa da Keyd desde o final de 2018, junta-se à Keyd o mid laner NOsFerus, ex-Santos eSports, destaque nas classificatórias abertas e na Superliga. Além dele, Grell e mumus100, importações não tão conhecidas pelo público, também juntam-se ao time.

A fim de obter mais informações sobre o futuro da Vivo Keyd, o ESPN Esports Brasil entrou em contato com o Diretor Estratégico da organização, Lorenzo Jung.

KEYD SEM STARS

De acordo com Lorenzo, a Vivo Keyd busca neste split mudar a metodologia adotada. “Queremos entrar com um pensamento diferente não apenas do split passado, mas acredito que até de antes de eu entrar na organização [final de 2016]”, afirma. Desde 2014, a Keyd tem a cultura de contratar estrelas para suas escalações, o que o diretor afirma que não acontecerá nesta etapa.

“Os jogadores que estamos contratando não ganharam vários CBLoL, não são como o Exodia. Mas, através de entrevistas e conversas, encontramos 7 ou 8 jogadores com a mesma mentalidade, com mentes mais abertas. São nomes não tão conhecidos, mas que têm muita fome por aprender”, diz.

Para Lorenzo, apostar em novos talentos é um dos melhores caminhos não apenas para ter sucesso no CBLoL, mas para “o CBLoL ter sucesso”. “Nosso objetivo é ter um grupo que quer chegar longe e sacrificaria tudo pra isso”, crava.

REFORÇOS ESTRANGEIROS

Lorenzo comentou também a contratação de Grell e mumus100. O caçador mexicano Grell tem cerca de dois anos de carreira e uma passagem expressiva pela Rainbow7, um dos times mais vencedores da América Latina, em que foi vicecampeão da LLN. “Ele foi uma das promessas do cenário LAN. (...) Ele é muito novo e já mostrou seu potencial, mostrou que consegue chegar longe. A gente espera ter uma organização que vai dar todo o suporte pra ele, em técnica e estrutura”, afirma.

“O mumus100 é o cara que literalmente ninguém conhece”, brinca o diretor estratégico. “Ele já jogou na Rússia e em algumas ligas nacionais da Europa. Conversando com ele, você consegue ver que ele é um jogador diferenciado”, relata. O top laner húngaro se comunica com facilidade em inglês e tem noções de espanhol, o que, para Lorenzo, faz com que o português se torne tranquilo por assimilação.

“Ele também sabe falar um pouco de coreano”, conta, explicando que o topo aprendeu por acreditar que seria interessante para sua carreira, devido à experiência de jogadores coreanos. “Ele tem preocupações diferentes. O objetivo dele não é treinar seu individual e melhorar sua imagem, é realmente evoluir como jogador e como pessoa. É algo que a gente preza muito”, diz.

COMISSÃO TÉCNICA E CIRCUITO DESAFIANTE

Para o diretor estratégico da Keyd, a comissão técnica tem sido vista como parte quase mais importante que os próprios jogadores, não apenas na Keyd e não apenas no LoL, e cita que todas as equipes campeãs dos últimos anos tiveram foco nessa parte. Lorenzo afirma que não pode detalhar, mas que a organização anunciará seu time técnico os próximos dias.

Ele diz ainda que o trabalho com Nelson foi positivo, apesar do resultado. “O Nelson tinha uma metodologia em que a Keyd era o time que mais treinava, era um sistema de treinos muito pesado”, afirma, e não descarta o uso de comissão técnica estrangeira nesta etapa.

Lorenzo diz ainda que, nesta etapa, o objetivo do time vai além de recuperar a vaga na primeira divisão. “Queremos subir tendo todos os fundamentos corretos para subir melhor. Não queremos subir para ser a mesma Vivo Keyd de antes. Queremos uma Keyd nova”, reforça.

O diretor estratégico opina ainda que, apesar da força de outras escalações, como a Red Canids e seu investimento massivo e as novas contratações da Havan Liberty, não vê diferença de nível entre a escalação da Vivo Keyd e a de suas adversárias. “Vejo a Red com superioridade, olhando a segunda divisão inteira, mas não tenho medo. Nenhuma expectativa absurdamente alta sobre os times do Desafiante”, afirma, e finaliza dizendo que os dois times a subirem ao CBLoL devem ser a Keyd e a Red Canids.

REPERCUSSÃO DO REBAIXAMENTO

Sobre a queda para a segunda divisão, Lorenzo assume: “Foi decepcionante não apenas para os fãs, mas internamente, também. Como o Edu disse no depoimento em vídeo, as pessoas que mais estão sentindo o peso do rebaixamento somos nós. Não tem ninguém no mundo que sinta mais o peso do que nós e os jogadores”, confessa.

“Acho que não tem como falar só um motivo, e acho que se eu falar só um seria muito desonesto, não seria certo da minha parte”, diz, negando que tenha sido sobre um jogador específico, questões na organização ou na comissão técnica.

“Tem diversos fatores, desde o jogo, como lidávamos com os jogadores, como eles lidavam com a gente, com o técnico, tudo. Diversos fatores pequenos que acabaram se acumulando, tanto é que você via durante o campeonato e você via que a gente tinha uma equipe forte, que sempre parecia que "falta pouco". Faltava um detalhe pra realmente engatar”, relembra.

Lorenzo conta que vê o rebaixamento, no entanto, como uma oportunidade de crescimento para ele e para a Keyd. “Trabalhar em uma organização que ganha tudo é muito fácil. Não importa a posição, se o carro-chefe está ganhando, fica tudo fácil, desde o Social Media ao cara do Marketing”, comenta e finaliza dizendo que, com a experiência de 2019, caso a Keyd volte ao CBLoL, ela “com certeza” virá mais forte.