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O desempenho magistral que conduziu a G2 Esports ao título da MSI 2019

Luka "Perkz" Perković, à esquerda, e Rasmus "Caps" Winther posam com o troféu Mid-Season Invitational após vitória sobre a Team Liquid Divulgação/Riot Games

Ao longo do Mid-Season Invitational de 2019, os torcedores asiáticos começaram a chamar os jogadores da representante europeia no torneio, a G2 Esports, de "os artistas".

O estilo de jogo extravagante e as escolhas pouco ortodoxas de campeões fizeram com que a G2 parecesse pintar um quadro em Summoner's Rift, semelhante a times lendários no passado. O topo Martin "Wunder" Hansen, no controle de Pyke, se destacou na fase de grupos quando derrotou a SK Telecom T1, repetindo seu feito nas semifinais para eliminar os mesmos sul-coreanos do torneio.

A série de cinco jogos do G2 contra a SKT nas semifinais foi sua obra-prima. A final no domingo contra a Team Liquid foi uma daquelas aulas em onde lhe é servido vinho tinto enquanto se desenha um chalé rústico com vista para um campo de girassóis.

Em um torneio com várias quebras de recorde, a G2 derrubou seu adversário ao completar a série final de cinco jogos mais rápida da história em torneios internacionais. Eles derrotaram a Team Liquid por 3 a 0 e silenciaram a plateia, deixando apenas a voz de Michael Winther, pai de Rasmus "Caps" Winther da G2, ser ouvida na torcida.

Antes do início da série decisiva, Caps, em um vídeo promocional feito para a ocasião, disse que não estava apenas buscando ser campeão. “Qualquer um pode ser campeão uma ou duas vezes”, ele disse. Caps queria ser uma lenda.

E depois de seu desempenho na final e subsequente eleição de MVP da série, essa lenda está apenas começando.

"Agora somos campeões do MSI e cabe a nós continuarmos nesse nível", disse Caps. "Muitas equipes vencem um torneio, e depois não ouvimos mais sobre elas. Não é quem queremos ser."

No campeonato mundial do ano passado, a G2 Esports teve uma das melhores participações de qualquer time na história ocidental de League of Legends quando alcançaram as semifinais. Apesar de terem sido varridos de forma semelhante à forma como venceram a Team Liquid pelo então vencedor, a Invictus Gaming, nas semifinais, foi um resultado que a equipa se orgulhou.

Já Carlos "ocelote" Rodríguez Santiago, dono da equipe, não ficou satisfeito. Em uma das maiores contratações da inter temporada, Caps se transferiu da principal equipe da Europa em 2018, finalista mundial pela Fnatic, e se tornou o dono da rota central da G2. O então meio da G2 e jogador mais condecorado da região, Luka "Perkz" Perković, de bom grado, mudou-se para a pista inferior, criando o elenco mais talentosa da história da região.

Durante o último split na liga europeia de LoL, houve momentos em que a G2 parecia ser o melhor time do mundo e, em outros momentos, seus jogadores se pareciam peças de quebra-cabeça embaralhadas e formando uma imagem imperfeita. No entanto, eles encontraram seu ritmo ideal a tempo para os playoffs e flexibilidade na escolha de campeões, que resultaram em resultados de peso.

Após sucessivas vitórias sobre a rival Origen, a G2 se qualificou para a MSI, não deixando dúvidas em sua maneira artística em tratar o jogo.

"Nós fazemos muitas escolhas estranhas", disse Mihael "Mikyx" Mehle. "Há muitas escolhas que ainda não usamos. Sim, estamos economizando para os momentos certos".

A flexibilidade da G2 em campeonatos e posições no mapa deu uma vantagem sobre o resto de competidores. A base fundamental da equipe permite que a G2 jogue o estilo selvagem que pode executar no palco. Às vezes, parece que a G2 poderia girar uma roleta para ver onde os jogadores se alinhariam no mapa e ainda ganhar. Foi o que impulsionou a G2, afinal de contas: uma decisão de Perkz de que o sucesso era mais importante do que qualquer função no mapa.

"Sempre quis ser o melhor mid-laner e melhor jogador do mundo, mas agora conquisto um título internacional, que provavelmente não teria ganho se o Caps não tivesse participado", disse Perkz. "Então, que seja assim".

Esta não é a primeira vez que uma região, ou mesmo a Europa, tenta juntar uma coleção com os melhores talentos da região para criar uma "superequipe" capaz de vencer torneios internacionais, mas esse é um dos poucos caso com sucesso. A alegria da equipe aparece em todas as entrevistas que eles têm, rindo dos erros bobos que lhes custam os jogos e sempre elogiando a liberdade com a qual podem jogar. Não há sugestões ou ideias descartadas. Eles são como amigos que teorizam combinações malucas que podem funcionar se tudo se encaixar no momento certo. A única diferença é que a G2 tem o talento para transformar esses devaneios imaginativos em realidade.

Estes são “artistas”, os novos campeões internacionais de League of Legends.