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A trajetória de Nesk, o campeão mundial de R6 na busca pelo auge

Nesk e ziG no Six Invitational, em fevereiro de 2019 Divulgação/Ubisoft

“A gente tinha ido pra a ESL One de Battlefield. Fomos vice três vezes lá, chegamos na final e perdemos. Foram só esses três mundiais, mesmo”, diz Nesk, olhando para cima para recapitular um pedaço de sua carreira no Battlefield, jogo que deu início a sua história como atleta de esports. Fazia silêncio na gaming house da Team Liquid no dia posterior a uma das rodadas da Pro League, e eu rio do comentário.

“Só três mundiais, né? Besteirinha”, digo.

O jogador ri de volta, meio sem entender o tom brincalhão. “Sim, no BF tivemos essas viagens. No Rainbow Six, a primeira foi em 2017”, relembra, referindo-se à final da Pro League em que foi vice com a BRK.

Com cinco anos de carreira no FPS e quatro títulos, Nesk não se deslumbra mais com campeonatos mundiais. Fragger da Team Liquid, veterano do FPS nacional, campeão mundial de Rainbow Six e pai da Mariany, André Oliveira não se deslumbra mais com vitórias, apesar de agradecê-las e comemorá-las sempre que possível.

Estar no palco é rotina. Buscar o título é trabalho, e permanecer no topo é obrigação.


Conhecido como um dos melhores fraggers do mundo, Nesk tem 24 anos e é jogador profissional de Rainbow Six Siege pela organização norte-americana Team Liquid. Nascido em Guarulhos, cidade da região metropolitana de São Paulo, André Oliveira contou em entrevista o longo caminho que o menino frequentador de lan-houses percorreu até tornar-se um dos atletas mais relevantes em sua modalidade.

“Desde pequeno, eu sempre gostei de jogar e de competir”, conta Nesk, acomodado no sofá da gaming house da Team Liquid, na Zona Sul de São Paulo. “Eu jogava com meus amigos jogos de competição, Futebol, CS [Counter-Strike], Gunbound, Grand Chase, sempre jogando contra, buscando X1”, relembra.

“Diferente dos meus amigos da época, que gostavam de ir pra festa no final de semana, eu era o cara que ficava pra jogar com os amigos”, relata. “Eu ia na lan-house, madrugava lá, chamava o dono pra abrir a lan-house”, eu rio alto, e Nesk corresponde, afirmando que frequentou esses locais desde os sete anos de idade. “Foi assim que começou”, diz.

Em 2014, Nesk começava sua carreira como jogador de esports no Battlefield. “Eu queria [ser profissional] desde 2010, desde meus 15 anos, o problema era ter oportunidade. Mas eu já tinha na cabeça que queria tentar essa vida. Aí depois de 4 anos eu consegui começar, porque ainda era difícil… mas as coisas foram melhorando”, conta.

No Battlefield, o jogador foi vice-campeão mundial pela Dexterity Gaming na Alemanha. “No Brasil, não tinha time pra bater na gente, tínhamos os melhores jogadores. Era um cenário pequeno”, relembra. Na época, quem disputou o título ao seu lado foram figuras conhecidas no cenário atual de Rainbow Six: mav, da FaZe Clan; Julio, da NiP; wag, ex-NiP e Ninext, ex-jogador de R6, atualmente na equipe de Apex Legends da Cloud9.

“De 2014 pra cá, eu consegui me manter nessa carreira. Graças a Deus, eu nunca precisei sair por nenhum motivo. Então já tem uns aninhos, né?”, comenta, com um sorriso.

O INÍCIO NO RAINBOW SIX

A mudança para o Rainbow Six foi despretensiosa, mas certeira. “Eu tentei ir pro CS:GO, até consegui algumas oportunidades, mas meus amigos do meu time precisavam que eu jogasse, então larguei o CS e comecei no R6”, conta. No novo FPS, seu primeiro time foi a INTZ, que, apesar de ainda engatinhar na modalidade, conseguiu o título da terceira edição do Elite Six, em novembro de 2016.

Hoje em dia, sob a estrutura de uma das maiores organizações de esports do mundo, Nesk lembra de cada etapa que passou até a contratação na Liquid, e de cada fase vivenciada pelo competitivo de Rainbow Six até a profissionalização. Questiono se, no começo, o jogador imaginava que o cenário se tornaria o que é hoje.

“Eles tinham as promessas”, relembra o fragger. “A cada temporada que passava eles faziam uma coisa a mais, você ficava bem esperançoso para a próxima ser melhor ainda. Começou normal, mas já era muito pro Brasil, e foi melhorando. No primeiro ano, já teve três Elites [Six], duas BGL [Brasil Gaming League]. Era uma coisa que a gente nunca teve no BF em dois anos”, aponta.

O fragger comenta que competir no Siege é diferente dos outros em que atuou. “Você precisa jogar em equipe para ganhar, precisa fazer coisas diferentes. No CS, você tem mira, padrões, smokar, flashar, molotov. Já no R6, você não precisa muito de mira pra ganhar. Precisa de um conjunto. Acho que esse é o diferencial que me chamou a atenção e me fez querer competir nesse jogo. Ele é estratégico e diferente”, opina.

Nesk afirma, sem rodeios, que o principal fator para que sua carreira fosse direcionada ao Rainbow Six: Siege foi o cenário. “No Brasil, não tem nenhum outro jogo que tenha esse cenário, tirando LoL. Nenhum cenário com o apoio da publisher do jogo, não tem”, argumenta. “Foi um grande motivacional para a gente ficar. Quando o R6 veio, não foi um tiro no escuro, foi uma escolha certa”, crava.

O PRIMEIRO MUNDIAL NO R6

Em 2016, problemas no jogo fizeram com que a escalação da INTZ se afrouxasse. Nesk, então, fez parte da formação de outro time — com yuuk e oNe, o trio Nesk, ziG e Bullet atuava lado a lado pela primeira vez, em uma trajetória que traria o primeiro título mundial ao Brasil no Rainbow Six.

A escalação obteve bons resultados, e a campanha rendeu à Black Dragons o título regional e a vaga para a disputa do título da Pro League mundial, em Katowice, na Polônia. Nesk relembra sem ressentimentos do segundo lugar conquistado na ocasião, em dezembro de 2017: “Pra a gente, esse campeonato foi lucro”, conta.

“Fomos com o reserva [D1OGO], porque o Bullet não tinha 18 anos ainda. Ele teve praticamente uma semana pra pegar tudo o que a gente tinha de tática e tal, e uma semana antes a gente mudou tudo, porque não tava dando certo. Mudamos todas as funções um dia antes e seja o que Deus quiser. Acabou dando certo”, conta.

“Ficamos tristes de perder na final, mas perdemos porque os caras foram melhor, não porque a gente jogou mal”, afirma. “Tiramos lucro daquele campeonato por termos ido com reserva. Foi uma vantagem para a gente”, relata.

Dias depois da volta de Katowice, o quinteto deixava a Black Dragons para representar a BRK e-Sports, time que representou durante seis meses. “Vimos uma oportunidade melhor e fomos”, conta, dando de ombros ao justificar a transferência. “Eles ofereceram um salário melhor, uma gaming house mais perto do estúdio. Aceitamos, gostamos da proposta e fomos”, diz.

O time, no entanto, não conseguiu manter os resultados dos meses anteriores. “No começo da BRK, tivemos resultados bons, mas depois, tudo acabou decaindo. Tivemos problemas com a organização, também, muita coisa influenciou. Não estávamos tão confortáveis jogando naquela organização. Aconteceram alguns conflitos internos, também…”, comenta.

“Você pode me contar quais foram?”, pergunto, com cautela. “Ah, posso”, Nesk responde sem o menor rodeio, enquanto rio porque a organização nem existe mais. “Eram coisas que eles prometiam e não davam. Eu falo por mim, porque por mim é de boa, eu não tive nenhum problema, mas os outros jogadores tiveram, e isso gerou uma indignação no time”, conta.

“De vez em quando o time jogava puto com a org, mas jogava. Isso é normal, fora questão de desempenho. Eles tiveram a infelicidade de postar coisas idiotas no Twitter, mas para mim, como jogador, nunca me deixaram faltar nada, sempre tinha tudo que prometiam”, relata, sem mágoas.

Na época, o cenário de Rainbow Six se profissionalizava e dava passos mais firmes em sua consolidação — entre eles, o interesse de organizações como FaZe Clan e Team Liquid no cenário norte-americano. Entre o final de 2017 e o início de 2018, Nesk se surpreenderia com a proposta da equipe norte-americana, interessada no quinteto da BRK. A notícia, no entanto, não passava perto de ser a mais expressiva em sua vida.

LAUREN, MARIANY E O INÍCIO NA TEAM LIQUID

“Ela entra me apoiando”, conta André, sem hesitar, introduzindo Lauren Antunes na história de sua carreira. “Ela sempre apoia, sempre ajuda, até demais. Ela entende o jogo, porque joga também, então tá sempre me ajudando. Ela acompanhou o começo da minha carreira, sabe os perrengues que a gente passou”, brinca, contando que a então esposa é constante em sua vida há quatro anos.

Além de Lauren, uma segunda figura feminina foi inserida em sua vida nos últimos meses, como razão, prova e motivo de seu esforço.

“Mariany”, responde, quando pergunto o nome de sua filhinha, já conhecida por mim de fotos postadas orgulhosamente nas redes sociais do casal. “Quando a gente descobriu, ficou assustado, porque a gente era muito novo”, relata. “Mas foi bem na hora que veio a proposta da Liquid”, expõe. “Isso deu uma aliviada. A ajuda dos meus pais e da família dela também foi muito, eles gostaram disso. Quando os pais apoiam, também dá uma aliviada”, confessa.


Nos meses seguintes à entrada na Team Liquid, André experimentaria uma montanha-russa de idas do céu ao inferno.

A notícia de que seria pai veio próxima de sua nova organização, com estrutura e condições melhores, além de um crescimento evidente no cenário de Rainbow Six como um todo. No primeiro grande campeonato com a Liquid, o Six Invitational 2018, o quinteto teve um desempenho abaixo do esperado, caindo ainda na fase de grupos.

“Foi bem frustrante”, relembra. “Chegamos lá depois de muito treino e, pelo tempo que estávamos dedicando, achávamos que passaríamos pelo menos da fase de grupos.” Após o resultado, o time decidiu pela mudança de escalação, e Yuuk deixou a Liquid, sendo substituído por psk.

ATLANTIC CITY

“A line tinha começado a encaixar”, afirma Nesk, referindo-se ao período em alta da Team Liquid após a entrada de psk. “Tínhamos percebido nos treinos e nos jogos que a line-up [escalação] estava diferente das que a gente já teve, que todo mundo jogava de uma forma diferente… tudo o que a gente fazia, a probabilidade de dar certo era maior”, conta.

O time se classificou para a final mundial da Pro League 7 com a FaZe Clan, e o destino era Atlantic City, nos Estados Unidos, local em que o título seria disputado entre os melhores de cada região competitiva. “A gente chegou confiante lá em Atlantic, mas a gente só tinha um objetivo, que era ganhar da FNATIC”, relata.

A revanche contra os australianos, que haviam eliminado a equipe do Six Invitational, era a meta principal — mas, após algumas vitórias, o título parecia palpável. “A gente ganhou deles e depois disso só jogou, não tinha aquele ‘tá, vamo ganhar, vamo ganhar’ (sic). Só jogamos nesse mindset no último mapa, último round, matchpoint pra gente. Aí a gente falou ‘ah, então vamo ganhar. Já que tá aqui, vamo ganhar’”, brinca o fragger.

Nesk relata que, no último mapa contra a Millenium, o time percebeu que a chance de ir para a final só dependia deles mesmos. “Aí a gente foi, jogou e ganhou”, narra. “Contra a PENTA, a gente falou ‘vamos jogar do mesmo jeito, se der, deu.’” O jogador narra com detalhes que o quinteto perdeu o primeiro mapa por 5 a 1 e virou o segundo, em que ganharam por 6 a 5. “No último mapa, quando estava 4 a 1, a gente falou ‘a gente vai ganhar isso. Dá pra ganhar.’ E a gente conquistou o campeonato”, conta, dando sua perspectiva do momento de maior destaque do Brasil no Rainbow Six.

“Você sente aquele hype quando tá jogando, ainda? Aquela coisa de ‘ok, eu quero muito ganhar isso’?”, questiono sorrindo, lembrando da série final entre Liquid e PENTA.

“A gente sente, sim. Todo campeonato a gente sente”, afirma Nesk. “A gente sempre entrou assim. Só em Atlantic mesmo que a gente entrou querendo ganhar de um time, sem ligar muito para ganhar o campeonato. Acho que talvez tenha tido diferença no jeito da gente jogar”, arrisca. “Não sei dizer, mas ali deu tudo certo para a gente”, diz.

“E caiu a ficha na hora?”, pergunto.

“Cara, na hora, não. Mas depois de uns segundinhos, caiu”, Nesk desvia o olhar e esboça um sorriso. “Caramba, a gente ganhou mesmo. Primeiro time brasileiro a ir bem numa Pro League e tal. Foi uma coisa muito… A gente colocou nosso nome na história, né. Ficamos muito felizes. Foi uma sensação única na nossa vida”, relembra.

A QUEDA APÓS O TÍTULO

Ainda tricotando sobre a BRK, Nesk brincou que o baixo desempenho do quinteto ainda em 2017 tinha sido uma ida “ao fundo do poço”. “Você acha, então, que essa época foi o fundo do poço da line-up de vocês”, pergunto. Nesk recua. “Não, não. Acho que o fundo do poço foi o ano passado, na última season, quando a gente chegou realmente o mais baixo possível.”

A volta ao Brasil foi o início da má fase. “Acho que todo mundo queria ganhar da gente no Brasil. Mas a gente já veio pensando que voltamos ‘normal’, voltou pro ganha e perde, ganha e perde. A gente não esperava ganhar tudo”, confessa.

“A gente voltou performando bem, a primeira leva da Pro League terminamos em primeiro, tudo tava se encaminhando bem pra irmos bem no Major”, resgata. O Six Major Paris 2018 foi disputado em Paris — e o resultado dos quatro times brasileiros no campeonato era irreconhecível e irrelacionável ao título mundial recém-adquirido.

“Só que de novo nos complicamos na fase de grupos, fomos mal e saímos”, diz. “Depois disso, ficou tudo meio conturbado.”

O Major de Paris teve uma especificidade. Apesar de relatar que seu foco no jogo foi inabalável, um dos acontecimentos mais importantes de sua vida acontecia em outro continente.


“Eu perdi o nascimento dela porque eu tava no campeonato, em Paris”, conta, resgatando Mariany à conversa. “Foi difícil [a campanha], mas perdemos rápido… podia acontecer com qualquer um, não teria como evitar”, relata, se perdendo nas palavras, parando para recapitular. “Só foi difícil essa parte, de perder o nascimento. O resto da gravidez… acompanhei poucas coisas, as mais importantes eu tava junto. Só essa parte, a mais importante, que eu acabei perdendo.”

“Em Paris, você pensava nisso?” questiono.

“Ah, pensava, mas consegui focar no jogo, não atrapalhou meu desempenho. Pensava em voltar logo pra ver ela, e tal. Eu pensava nisso todo dia quando acabava os jogos. Quando a gente perdeu, fomos embora no dia seguinte. Adiantamos a passagem e fomos embora, justamente por causa da minha filha. Cheguei aqui e já vi ela (sic), fui buscar ela na casa dela, a gente veio pra cá”, conta.

“Eu não sei explicar”, diz, olhando para o teto, quando pergunto como foi quando o pai viu Mariany pela primeira vez. “Foi a melhor sensação que eu já tive, até de ganhar um campeonato, tudo. Foi a melhor sensação, pegar minha filha pela primeira vez”, assume.

“Eu lembro até hoje. Pensei que era uma boneca”, brinca. “Porque era bem pequena, muito pequena. Eu vejo ela hoje, o tamanho que ela tá, o jeito que ela tá. Realmente, o tempo voa. Porque há sete meses, ela era pequenininha. Hoje ela já tá grande, tá brincando, tá mais ativa. É muito gostoso essa situação”, conta André, pai de Mariany.

“Já tá engatinhando, ela?” pergunto.

“Ela tá tentando, tenta engatinhar, sim. Ensaiando falar, também”, afirma. “Fica falando papa, mama, essas coisas.” Eu rio, murmurando ‘ai, que bonitinha’. “Já tá tentando falar algumas coisinhas”, conta Nesk, sorrindo, quase acanhado.

“Nunca houve problema por eu estar aqui”, afirma o jogador e marido de Lauren. “Ela sempre entendeu. Sabe que é daqui que vem a nossa renda, pra uma futura compra de apartamento, pra morar junto. Sempre que dá, eu volto pra casa, fico o fim de semana com ela. Quando não tem jogo, no domingo eu vou pra lá, fico com elas e volto pra cá de novo”, conta.

“Eu moro perto, então tenho essa vantagem, não tem problema.” Ainda sobre a rotina da paternidade como pro player e vivendo na gaming house, Nesk diz que concilia ‘sabendo que aqui é trabalho’. “A gente consegue viver numa boa. Ela sabe que eu tô aqui, sempre estamos conversando. De vez em quando fazemos uma chamada de vídeo, então é bem tranquilo”, confessa.

O FINAL DE 2018 E O TÍTULO DE MELHOR DO BRASIL

“Você estava na Pro League?” pergunto, referindo à edição do Rio de Janeiro, em que FaZe Clan e Immortals representaram o Brasil. Na ocasião, a Liquid deixou de se classificar por, além de derrotas contínuas na liga regional, um empate inoportuno contra a Team oNe na última e decisiva rodada. “Sim, fui eu, o ziG, o bullet… Tava todo mundo lá, menos o psk e o Silence, eu acho”, relembra.

“Foi ruim, né?” responde, sobre assistir o campeonato da plateia, no camarote. “A gente sempre queria estar lá, com aquela torcida, o planejamento. Ficamos tristes, mas superamos rápido, porque estávamos com mudanças no time. Não foi a mesma dor que tivemos [ao não se classificar] em São Paulo [na Pro League 6]. Estávamos vindo de uma má fase completa. Doeu do mesmo jeito, mas foi mais fácil de superar. Experiência conta bastante, sim”, aponta.

Mesmo em má fase com o time, Nesk compareceu a uma das premiações mais relevantes do esporte eletrônico brasileiro, subindo ao palco do Prêmio Esports Brasil duas vezes na noite. O fragger da Team Liquid foi considerado pelo júri o Melhor Jogador de Rainbow Six de 2018 — e, concorrendo com os multicampeões mundiais FalleN e Coldzera, levou para casa o título de Melhor Jogador de Esports do Brasil.

“Para mim, significou que o meu trabalho foi reconhecido. Todo aquele tempo se dedicando pra um campeonato foi reconhecido. Fiquei muito feliz, me motivou a continuar me dedicando”, confessa. “O cenário mudou, né. Os jogadores estão evoluindo e isso motiva a gente a continuar melhorando e querer ser o melhor”, afirma.

Na época, o consenso no cenário de esports era que Nesk era indubitavelmente o melhor do Brasil, e possivelmente o melhor do mundo no Rainbow Six. Pergunto ao jogador se ele se considera próximo disso, e ele responde sem pestanejar, negando no ato.

“Não, nunca me considerei. Pra mim ainda tem chão. O melhor do mundo é aquele cara que não perde campeonato”, crava. “Que ajuda a ganhar, a se manter lá em cima. Pra mim, eu tô longe disso, muito longe. Tem jogadores dez vezes melhores que eu por aí. Nunca me senti assim, sempre procuro alcançar esses jogadores pra tentar ganhar deles”, diz.

“Nem no Brasil?”, questiono.

“Não, nem no Brasil. Nem no Brasil a gente tava ganhando! Eu nunca me senti desse jeito. Sempre procurei melhorar pra chegar no nível dos melhores”, compartilha.

A BUSCA PELO AUGE

Ao fim da conversa, as respostas de Nesk são diretas e firmes, como se fossem questões esclarecidas em sua própria cabeça frequentemente. “O que te motiva a continuar jogando?” questiono, e ele responde no ato: “Minha família. Não tem outra coisa que me motive. Tenho vontade de competir, mas o ponto principal é a minha família, mesmo.”

“Olha… eu me sinto satisfeito, mas ainda não, porque almejo conquistar mais”, afirma, sobre suas conquistas atuais como jogador. “É isso que me motiva. Eu não fico acomodado com o que eu conquistei. Fico feliz de ter meu trabalho reconhecido, mas almejo conquistar muito mais.”

Com um título da Elite Six, uma Brasil Gaming League, uma Pro League regional e um título mundial da Pro League, Nesk não hesita ao dizer que o que ainda quer conquistar é um Six Invitational. “Pra mim, isso é o que todo jogador de Rainbow Six quer. É o maior campeonato. Quero o Invitational, nem o Major”, revela.

“Você acredita que o título da Pro League foi o seu auge como profissional?”, pergunto.

“Eu acredito que não”, Nesk responde. “A gente já mostrou ter capacidade de chegar muito mais longe. Só tá sendo difícil chegar, mesmo”, brinca. “O que falta é continuar se dedicando, melhorar a parte psicológica, eu acho, adquirir experiência, alguns jogadores. Isso que tá faltando. O auge tá vindo”, crava.