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Funcionários da Riot se reúnem em protesto e pedem "fim do silenciamento"

Funcionários da Riot protestam contra as políticas de arbitragem da empresa Divulgação/Emily Rand

Cerca de 200 funcionários da Riot Games saíram dos seus escritórios na tarde da última segunda-feira (06) e se reuniram no estacionamento da empresa para expressar suas preocupações com a forma que a Riot lidou com as alegações de assédio sexual e discriminação.

"Eu amo o meu trabalho. Eu amo o que faço aqui. E é por isso que estou com medo de estar aqui agora", disse o pesquisador e árbitro de League of Legends, Ronnie Blackburn. "Mas eu não vou me desculpar pelo tremor das minhas mãos e pela hesitação da minha voz ... Se você está aqui para mostrar seu apoio, expressar sua discordância ou simplesmente discutir para que você possa entender melhor a situação, isso é uma coisa difícil de se fazer. Então, obrigado. Para a liderança sênior, eu pergunto: por que uma cláusula de compromisso arbitral?"

Com aplausos e gritos da multidão formada por colegas de trabalho, Blackburn continuou.

"O que queremos é um final para o silenciamento de funcionários e a promessa de um julgamento justo para os querelantes", disse ele. "Nós não somos dissonantes por causa da dissonância. Somos dissonantes em nome da justiça, pelo bem dos valores da Riot e pelo bem da Riot ser a grande empresa que queremos que seja."

"Nós não estamos aqui porque odiamos a Riot. Estamos aqui porque acreditamos nos valores que a Riot proclamou. 'Rioters' são Riot. Nós somos a Riot."

Um ponto importante para os funcionários é a recente petição da Riot para empurrar as ações de Chanel Dawnee e Jessica Kent, dois de quatro casos em andamento contra a Riot, para uma arbitragem privada. Os casos são dois dos três processos de rescisão injusta contra a empresa.

Rumores de uma greve circularam após a petição dos casos de Dawnee e Kent. Em resposta, a Riot se encontrou com vários funcionários e discutiu o assunto no seu 'town hall' quinzenal.

"Fizemos uma ligação para que possamos discutir nossa abordagem", disse a Riot em um comunicado na sexta-feira. "Assim que o litígio atual for resolvido, daremos a todos os novos Rioters a opção de optar por sair da arbitragem obrigatória para assédio sexual e reclamações de agressão sexual. Nesse momento, também nos comprometemos a estender essa 'quebra de contrato' para todos os Rioters."

Esse compromisso não foi suficiente para muitos funcionários atuais da Riot, que reiteraram durante a greve que os Rioters que estão com litígios em andamento merecem o direito de escolher como querem confrontar seus abusadores, seja em um tribunal ou por meio de arbitragem privada.

"Corporações não deveriam forçar seus funcionários a uma arbitragem obrigatória, especialmente em casos de assédio e agressão sexual, ou discriminação," disse Yoko Colby, líder criativa associada, que havia compartilhado sua história com a multidão.

"Há provavelmente um futuro realmente brilhante e saudável para a Riot. Eu acho que, na maior parte, a Riot é um lugar maravilhoso para se trabalhar, e eu sou grata pela minha incrível equipe e todos os meus amigos aqui. Mas -- e isso não é uma surpresa para a minha equipe -- eu estou me demitindo dentro de duas semanas. O processo de investigação interna falhou comigo. Isso me fez sentir que o que aconteceu comigo e o que aconteceu com outras mulheres não importava. Simplesmente não importava."

A resposta negativa dos funcionários contra a arbitragem privada forçada, especialmente quando escrito diretamente em seus contratos, não é novidade no setor de jogos ou tecnologia, e faz parte de uma conversa nacional mais ampla sobre os direitos dos funcionários. A Riot Games tem sido o mais recente campo de batalha para a conquista dos direitos de funcionários, principalmente em casos de assédio sexual e discriminação.

"Eu passei o dia todo ouvindo pessoas assustadas," disse o escritor da Riot," Indu Reddy.

Em 24 de abril, a Suprema Corte proferiu uma decisão de 5 a 4 que os funcionários não têm direito a ações coletivas nos casos em que a arbitragem privada é ambígua -- por exemplo, quando a cláusula é escrita em um contrato, logo, a assinatura desse contrato implica consentimento -- dando mais poder a grandes empresas para resolver disputas através de ambientes mais informais, em vez de tribunais públicos. Esse foi o caso mais recente em uma série de decisões favorecendo as empresas maiores em relação aos empregados individuais, incluindo uma decisão similar por 5 a 4 em 2018 no caso da Epic Systems Corp.

Dois meses antes da decisão da SCOTUS, a Google encerrou sua arbitragem obrigatória para todos os casos, seguindo a declaração de novembro de 2018, onde disse que encerraria a arbitragem forçada em casos de assédio ou agressão sexual. Em maio de 2018, a Uber também removeu a arbitragem forçada para casos de assédio e agressão sexual. Frances Frei, integrante da equipe de diversidade, inclusão e cultura da Riot Games, fez parte desses esforços na Uber antes de ingressar na Riot.

"Nós carregamos a carga emocional de compartilhar as perspectivas sobre como forçar as vítimas de assédio e discriminação na arbitragem está errado", disseram os organizadores da paralisação em um comunicado. Frances Frei também expressou desconforto com qualquer política que usa 'forçado' e 'assédio sexual' na mesma frase. Em seu tempo na Uber, a empresa sustentou 'fazer a coisa certa, ponto final' terminando a controvérsia."

No estacionamento da Riot Games, os Rioters pediram para que seu líder sênior "faça a coisa certa" em relação aos funcionários em litígio, e também pediram que a Riot Games remova essa arbitragem forçada para futuros funcionários da empresa.