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"Mais experientes": Casters de Overwatch apostam em vitória da Lowkey na final da Contenders

Murizzz, agora da Lowkey, em participação na Copa do Mundo de Overwatch pela Seleção Brasileira. Reprodução/Blizzard

Com transmissão ao vivo no Watch ESPN a partir das 19h, a grande final da primeira temporada da Overwatch Contenders da América do Sul será disputada nesta segunda-feira (6). Depois de quartas de final e semifinais emocionantes, as equipes Lowkey e Fury se enfrentarão pelo título de grande campeã e pela vaga para representar a região no Duelo do Atlântico.

Para analisar as equipes na fase eliminatória até o momento e falar sobre as expectativas para a grande final, o ESPN Esports Brasil conversou com os casters Petar Neto e VeceT, que também comentaram sobre a responsabilidade do time vencedor representar a região e de como a América do Sul está em força comparada às adversárias América do Norte do Norte.

Começando com uma análise das semifinais da competição, Petar afirma que a Lowkey teria muito mais trabalho contra Isurus - a quem venceu por 3 a 0 - caso os tempos fossem outros. “[A Lowkey] passou sem maiores dificuldades pela Isurus, que em outros tempos seria considerada uma grande dificuldade pela história da recente rivalidade criada na Contenders”, diz Petar. “O que vimos, no entanto, foi uma Lowkey muito superior dominando o jogo e o finalizando sem maiores esforços”.

VeceT concorda e crava que “a Lowkey nas semis foi o monstro que todos esperavam”. “[Eles] passaram por cima da Isurus mantendo seu próprio estilo de jogo com o Murizzz de Sombra, e assim deixando o Honorato brilhar de Zarya. Um jogador que chamou muita atenção, inclusive, foi o Fastie, que mudou a postura dentro de jogo e foi bem mais ofensivo”, detalha.

Já na outra semifinal, a Fury surpreendeu e venceu a favorita XTEN por 3 a 2. Segundo Petar, isso se deve ao “estilo diferente com características de gameplay dos europeus” da “equipe australiana com a maior diversidade de nacionalidades na Contenders SA”.

“[A Fury] Era considerada azarão contra a XTEN, que tem jogadores experientes e estrelas como Neil e Valen, que foram decisivos no empate em 2x2 da série”, afirma. “Até que voltamos para Nepal, o mapa do desempate, onde a jovem dupla Shinigami + Win98 brilhou mais uma vez e acabou com a XTEN, que não soube reagir assim como no primeiro mapa da série e acabaram eliminados”.

VeceT também elogiou a dupla de jogadores Shinigami e Win98, “que deram trabalho ao time da XTEN enquanto controlavam os mapas com Pharah e Mercy”. “Outro jogador que brilhou muito foi o Searchy, sempre ali quando o time precisava de um pick-off”, lembra.

O QUE ESPERAR DA GRANDE FINAL

Quando perguntado sobre o que podemos esperar da grande final entre as duas equipes, Petar comenta que é a vitória da Fury é “pouco provável” quando comparada à experiência dos jogadores da Lowkey. “Para mim, a Lowkey é a favorita para levar o título com jogadores mais experientes, já com rodagem internacional e uma incrível sinergia. O embate deve acontecer entre um GOATS muito forte, talvez com uma Sombra da Lowkey, e do lado da Fury a conhecido PhaMercy. Se não der certo, eles voltam pra GOATS e tentam bater de frente”, crava.

Na opinião de VeceT, a Lowkey também é favorita a levar o título e a vaga no Duelo do Atlântico pela vantagem da experiência. “O grande favorito definitivamente é o Megazord do cenário, a Lowkey”, diz. “O time treinou em São Paulo no final de semana e está completamente focado na final, e também no Duelo do Atlântico. São jogadores com experiência ampla, seja em jogos no Brasil e no exterior, vários deles com experiência de palco e de finais decisivas”.

Como destaques na grande final, Petar escolheu Ole pela Lowkey e a dupla Shinigami e Win98 pela Fury. “O Ole já passou por DPS e atualmente joga como suporte da Lowkey. A visão de jogo dele é extremamente expandida pela experiência adquirida jogando a Copa do Mundo e em diversos times com muitos estilos de jogadores, além de ser um dos mais antigos no cenário, já tendo visto de tudo, e hoje ‘desequilibra’ de Zenyatta”, detalha.

“Na Fury, Shinigami e Win98, a dupla Pharah e Mercy, levou a equipe até a final de forma surpreendente, mas principalmente fazendo valer a pena o uso dessa dupla de heróis. Por não fazer parte das principais escolhas de heróis nas composições, a execução com maestria causou estrago em diversos adversários”, crava Petar.

Por sua vez, VeceT nomeou Murizzz, da Lowkey, e Searchy, da Fury, como jogadores de destaque. “Na LowKey é até difícil dar um destaque individual, mas nessa temporada o Murizzz está brilhando muito, e sua Sombra tem dado trabalho para todos os times que eles encontraram até agora”, explica. “Já na Fury, para mim o grande destaque vai para o Searchy. Depois que ele entrou no time, tudo ficou muito mais organizado, e o Zenyatta dele fala alto dentro de jogo. Em conversa, ele também já falou que ajuda muito o time nas chamadas de jogo e alvos durante partidas e no tático”.

A AMÉRICA DO SUL NO OVERWATCH

Os casters também comentaram sobre a o nível do Overwatch na América do Sul em relação a outras regiões e quais são as expectativas para o representante sul-americano no Duelo do Atlântico.

Para Petar, o “nível do Overwatch na América Latina cresceu, mas do meio para baixo da pirâmide. O topo [da pirâmide] me parece estagnado por falta de bons adversários locais”. “O ping alto impossibilita o treinamento dos times com equipes mais fortes de outras regiões, o que faria com que os melhores times evoluíssem com o passar do tempo, mas no momento é inviável”, completa.

“O nível do Overwatch no momento está um pouco abaixo no geral. Muitas mudanças aconteceram nos principais times e outras regiões têm muito mais investimento, o que possibilita os jogadores de lá a colocarem mais tempo dentro do jogo”, adiciona VeceT. “No entanto, de modo geral, nossa região sempre está evoluindo e está cada vez mais forte. Em 2018, enviamos uma equipe para a Copa do Mundo de Overwatch e ela deu trabalho a times diversos com inúmeros jogadores da própria Overwatch League, e isso é um testemunho que temos força para ser uma região mais forte”.

Sobre a participação sul-americana no Duelo do Atlântico, que contará com mais três equipes da América do Norte e duas da Europa, Petar acredita que a equipe e o público precisam ter em mente que “mesmo que nossa região tenha mostrado uma evolução no desempenho na última Copa do Mundo, os resultados quando jogamos fora do país não são bons e neles vimos a diferença entre regiões”.

O caster lembra que a maior parte das vencedoras de outras regiões são times “academy” (ou secundários) de equipes da própria Overwatch League, “ou seja, equipes que são preparadas para a realidade da liga principal, que não é o caso da nossa região”.

“Obviamente que o nosso time pode surpreender, e eu torço por isso, mas sinto-me na obrigação também de não me deixar levar pelo clima de festa e alertar o leitor para uma possível frustração, mais ou menos como a Seleção Brasileira de futebol em tempos de Copa”, finaliza.

Do outro lado, VeceT enfatiza que os “nossos jogadores dão a vida para trazer resultados em torneios internacionais”, mas diz que a resposta sobre as expectativas da equipe sul-americana no Duelo tem dois lados.

“Se a Lowkey passar, eu ficaria mais tranquilo. Como dito, são jogadores com experiência nesse tipo de situação e com uma organização por trás, deixando eles focarem mais nos treinos e se prepararem melhor”, comenta. “Por outro lado, temos a Fury, uma equipe que ainda tem muito a se ajeitar em termos técnicos e de experiência. Eles, por exemplo, nunca jogaram de um palco o que pode atrapalhar muito na hora de representar a região no Duelo”.

Finalizando, VeceT afirma que “ambas as equipes têm qualidades para ir bem lá fora, e desejo o melhor para as duas, independentemente do resultado – ainda mais porque isso vai significar muito para nossa região como um todo e a possibilidade de mais uma vaga para o Desafio no final do ano”.