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Dia do Trabalhador: Manager, a ponte entre os jogadores e a organização de esport

Set acompanhando um dos treinos da equipe de League of Legends CNB e-Sports Club

O porta-voz dos jogadores para a direção e vice-versa. Talvez esta seja a melhor forma para definirmos o trabalho de um manager de uma organização de esporte eletrônico. Uma posição que, levando para a realidade das modalidades tradicionais, estaria na mesma altura de um diretor de futebol dos clubes.

O manager é uma das profissões que o ESPN Esports Brasil escolheu para retratar na série Dia do Trabalhador, que tem a intenção de mostrar a todos um pouco de como é o mercado de trabalho no mundo dos esports. Para mostrar um pouco do dia a dia desses profissionais, a reportagem conversou com dois nomes já respeitados: Set, do CNB e-Sports Club, e Quicksilver, que trabalha na chilena All Knights.

Sucinto, Set afirma que o manager é “fundamental” para uma organização por se tratar do “responsável por fazer o time rodar da melhor maneira” e deixa claro que, sem esse profissional, “algumas atividades fora do jogo podem acabar sendo destinadas à comissão técnica, o que não é legal”. Quicksilver completa o companheiro dizendo que a pessoa que quer ocupar tal função “tem que ter claro que o trabalho dele é resolver problemas e deixar os jogadores tranquilos e focados só no jogo, não precisando se atentar em outras coisas”.

“O manager é uma pessoa de confiança para os jogadores e a direção da organização. É super importante ser organizado em todos aspectos”, aponta Quicksilver

Sobre o trabalho que exerce dentro do CNB, Set fala que é responsável por "várias funções, mas a base de tudo é fazer com que o time funcione da melhor maneira possível. Então, estou sempre acompanhando de perto o trabalho da comissão e dos jogadores, palpitando quando necessário e dando bronca quando precisa".

O manager explica ainda que, "junto com a direção, sou um dos responsáveis e algumas tomadas de decisão, principalmente na janela de transferências, e aí vou além instruindo jogadores em relação a posicionamentos nas redes sociais, gerencio o time de comunicação e sou responsável por alguns assuntos com os patrocinadores”.

Diferente de Set, Quicksilver toma conta de mais de uma formação: "Trabalho com todos os times da organização e respondo a uma gerente geral. Minha função é trabalhar em conjunto com a direção, transmitindo a vontade dos jogadores, as adaptando e fazendo acontecer caso seja benéfica para todos".

O profissional explica ainda que, na All Knights, o gerente geral cuida mais da parte administrativa, enquanto ele foca na rotina diária junto aos jogadores: "Eu acordo eles, arrumo e faço os horários, sou responsável pelas contratações e etc".

TRABALHANDO COM JOVENS

O esporte eletrônico é predominado por jovens que, em algumas modalidades como o League of Legends, são obrigados a sair de casa e morar numa cidade a fim de melhor condições de trabalho, como disputar os principais campeonatos.

Tendo ciência que já passou por muitas das experiências que os jogadores estão passando, Set fala que tenta “ajudar ao máximo no que posso nas coisas fora do jogo” e que preza “muito por ensinar e fazer com que tenham responsabilidade”. Mas o manager do CNB não se considera um pai: “Não vejo isso com bons olhos. Por muitos serem jovens, eu tento usar minha experiência de vida pra ensiná-los a serem cidadãos com responsabilidades próprias. Claro que, quando eles realmente precisam que eu ajude em algo mais complexo, eu estou sempre pronto, principalmente em casos de doenças, em que precisam ir ao médico ou coisas do tipo”.

Quicksilver, por outro lado, é tão jovem quantos os integrantes da All Knights. O manager diz que “é muito divertido viver em uma gaming house onde eu sou o mais novo de todos. Os nossos jogadores têm entre 19 até 22 anos. Mas a idade muitas vezes não demonstra o quão maduro você pode ser. É questão de pensar antes de agir. Os jogadores gostam muito de como você pode resolver os problemas e eu trato de como fazer da forma mais rápida e eficaz. Com isso eles se sentem confortáveis e sabem que a minha idade não afeta”.

“Cuidar desses jovens é algo bem especial já que eles estão deixando a família, que é a base, para seguir o sonho deles. Você tem que fazer eles se sentirem bem. É muito especial estar de lado de jogadores novos. Sim, você se sente como pai e apoiador deles, sabe que eles estão fazendo um sacrifício e muitas vezes você não quer deixar o sonho voar”, finaliza.