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Conselheira que atacou os esports se diz arrependida, mas ainda é contra LoL no Flamengo

Equipe do Flamengo é a atual líder do CBLoL Divulgação/Flamengo eSports

Um triste capítulo envolvendo os esports aconteceu nesta segunda-feira (25). Em sua conta oficial no Twitter, Marion Kaplan, conselheira Clube de Regatas do Flamengo, em uma tentativa de chamar a atenção para maiores investimentos em esportes olímpicos, acabou atacando um dos mais bem-sucedidos times que representam o clube da Gávea, a equipe de League of Legends do Flamengo eSports.

No Twitter, a conselheira do Flamengo disse que a “modalidade fere o estatuto do clube por 'não se tratar de um esporte'”, ser uma “piada pronta ambulante”, além de rotular a equipe como “uma atividade que não é física nem cultural”.

Questionada no próprio Twitter por pessoas favoráveis ao time do Flamengo e dos esports em geral, a conselheira chamou os jogadores da equipe, como Felipe "brTT" Gonçalves, de “nerds autistas”.

Com a polêmica instaurada, o “debate” na rede social não durou mais que um dia e a conselheira acabou tendo sua conta no Twitter, bloqueada. No entanto, Felipe Felix, do ESPN Esports Brasil, entrou em contato por telefone com Marion para ouvir sua versão do caso.

PALAVRA DA CONSELHEIRA

Marion falou sobre o motivo que a levou a se manifestar no Twitter: “exceto pelo basquete, os esportes em geral no Flamengo estão largados há anos, inclusive escolinhas e projetos envolvendo crianças carentes, algo que ficou pior com a gestão Bandeira”.

Uma determinação da CONMEBOL impõe às equipes que disputam a Libertadores neste ano em ter uma equipe feminina de futebol. Para Marion, o time do Flamengo não possui condições apropriadas: “estive com a equipe de futebol feminino no dia 21 de fevereiro e fiquei absolutamente chocada, muito chateada. O Flamengo não cuida deles, não dá o mínimo, elas precisam comprar suas chuteiras. Fui muito bem recebida pela equipe apesar do descaso do Flamengo”.

Segundo a conselheira, a indignação aumentou quando soube das meninas da Ginástica Olímpica, que estavam vendendo brownies na Gávea para se locomover, já que o Flamengo paga passagens entre março e dezembro: “foi sido prometido na última campanha que elas teriam melhores condições e que não teriam que vender mais nada, que seriam mais bem tratadas”.

Na sequência, segundo Marion, um post na conta oficial do Flamengo sobre o time de League of Legends acabou motivando a conselheira a se manifestar no Twitter. Já na conversa com Felipe Felix, ela reiterou o rótulo de "nerd da pior espécie" e que é “inaceitável receber esse tipo de divulgação”. Ainda de acordo com a conselheira, “o esport não ser uma atividade física e ir contra o estatuto de promover os esportes. Como os esports tem essa divulgação? Futebol feminino e outros esportes não são divulgados, não são filmados. Tudo isso me motivou a me manifestar no Twitter, cuja conta está bloqueada agora. Sofri ataques machistas e fui muito xingada”.

Ao ser perguntada se, após a repercussão e com mais calma, se exagerou no post, ela cita outro ponto importante da polêmica: “exagerei sim. Pais de jovens autistas conversaram comigo e foram gentis em explicar a condição deles. Acabei atacando pessoas que não tinham nada com ao assunto. Em compensação os nerds são pessoas horrendas, seus ataques, ameaças e a arrogância como me trataram. Minha revolta é contra algo que vai contra o estatuto. Fui exagerada, mas enfática e chamei a atenção para outros esportes”.

Perguntamos se ela se arrepende ou teria conduzido de uma forma diferente o assunto. A conselheira se espantou com a proporção do assunto: “fui exagerada, mas não imaginei que teria essa repercussão, que chamar “nerd da pior espécie” teria essa comoção perto do que as pessoas me xingaram. Estou arrependida, talvez. O Twitter é um ambiente hostil, um lugar onde todos ficam se xingando, as também um lugar para você falar o que pensa e aguentar. Foi um grande erro meu, pois fui xingada e fiquei ainda mais raivosa. Minha nota conta está protegida e vou bloquear que me ofender”.

A origem do fato era enaltecer o futebol feminino, mas ela acabou agredindo outra modalidade. O foco da conselheira passou a ser em acabar com o LoL no Flamengo? Ela responde: “minha luta é pelo esporte como um todo. Acho que nossa torcida deixou de ser, como dizem, “raiz”, graças ao marketing, e se transformou no foto-torcedor, o “nutella”. Dão muito valor a esse tipo de modalidade. Eu não contestarei uma mudança de estatuto para o esport ser adequar ao estatuto. Serei voto vencido, mas sou totalmente contra”.

PALAVRA DO FLAMENGO

O ESPN Esports entrou em contato com o Flamengo, que se posicionou sobre o assunto: “A sócia do Flamengo, Marion Kaplan , é uma das 2.700 pessoas que compõem o Conselho Deliberativo do Clube de Regatas do Flamengo. Assim como qualquer sócio proprietário, ela pôde exercer seus direitos estatutários e se inscreveu para fazer parte do CODE em janeiro deste ano. As mensagens que ela postou em suas redes sociais refletem única e exclusivamente a sua opinião pessoal. O Flamengo não compactua com estas ideias”.

Atual líder da principal liga de League of Legends do Brasil, o Flamengo eSports é uma equipe com pouco menos de 2 anos que apresenta retorno financeiro positivo ao centenário clube.