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O fim de uma era: Relembre a história de Dendi com a equipe de Dota 2 da Na`Vi

Danil "Dendi" Ishutin, um dos jogadores mais icônicos do cenário de Dota 2. ESL

A comunidade de Dota 2 foi surpreendida no sábado (1) com o anúncio da saída de Danil "Dendi" Ishutin da Natus Vincere. O jogador, que praticamente virou o rosto do time, estava na organização desde dezembro de 2010 e permaneceu nela apesar dos altos e baixos.

A revelação foi feita através de um vídeo publicado no sábado, no qual o CEO da Na`Vi, Yevhen Zolotarov, explica os planos da organização para a equipe de Dota 2 na temporada de 2018-2019. Zolotarov afirma que Dendi é “basicamente uma era inteira na história do clube” e que as mudanças foram “incrivelmente difíceis” de serem tomadas.

Por sua vez, Dendi foi ao Twitter acalmar aos fãs e garantiu que não está se aposentando. “Estou procurando por times/jogadores. Obrigado pelas palavras carinhosas”, escreveu.

Enquanto isso não acontece, relembramos a carreira do icônico jogador com a Na`Vi!

DA UCRÂNIA PARA O MUNDO

Dendi nasceu em 30 de dezembro de 1989 na cidade de Lviv, Ucrânia. Apesar de uma família simples, o jogador teve acesso a um computador ainda aos oito anos e logo se apaixonou por videogames - principalmente Counter-Strike e Warcraft III. Com a morte de seu pai para o câncer quando ainda era criança, Dendi começou a focar ainda mais nos jogos de computador para tentar lidar com a perda. A partir daí, começou a participar de e vencer campeonatos locais de Warcraft III, o que deu início a sua paixão pelo competitivo.

Aos 17 anos, Dendi já fazia parte de uma equipe e participava de campeonatos de Defense of the Ancients, ou DotA, um modo de Warcraft III. Nos três anos seguintes, passou por diferentes times e ficou conhecido como um dos talentos em ascensão da região da Comunidade dos Estados Independentes.

Foi então que em 25 de dezembro de 2010, Dendi foi chamado para entrar na organização Natus Vincere e dar início a uma era de quase oito anos de estadia. A equipe se estabeleceu como uma das melhores da região e foi convidada diretamente para o The International 2011, o primeiro torneio mundial da Valve para Dota 2 que tinha a maior premiação do esporte eletrônico: US$ 1,6 milhão.

Na competição, a Na`Vi passou por cima dos adversários e perdeu apenas uma partida antes de se consagrar a primeira campeã mundial de Dota 2. A vitória também alavancou a fama de Dendi, que conquistou o público com seu jeito brincalhão e suas incríveis habilidades dentro do jogo, que incluíam um Pudge lendário e a capacidade de criar builds inovadoras como Blink + Force Staff para os heróis.

ALTOS

Após a vitória no TI1, a Na`Vi dominou o primeiro ano do competitivo de Dota 2. Foram seis torneios vencidos até o TI2, quando a equipe chegou como favorita na defesa pelo Aegis.

Na competição, a equipe começou mal e passou raspando na fase de grupos. Depois disso, no entanto, Dendi e companhia passaram por três equipes chinesas para chegar à grande final contra a Invictus Gaming.

Mesmo perdendo para a IG por 3 a 1 na final, a Na`Vi continuou a ser vista como forte e, Dendi, como um jogador incrivelmente habilidoso após a jogada que ficou conhecida como “The Play”.

Com a derrota, veio a necessidade de mudanças na escalação da Na`Vi. Enquanto os times chineses continuam a ficar mais fortes, as equipes da Europa passaram a alcançar a Na`Vi, e vimos a criação de uma das mais famosas rivalidades do Dota 2 internacional: Na`Vi vs Alliance.

A maior competitividade no cenário fez a Na`Vi passar por dificuldades e ter que adaptar melhor seu estilo de jogo. O time conseguiu e chegou ao TI3 forte, dominando seu grupo na fase inicial e chegando até a final da Chave Superior contra a Alliance - utilizando em seu caminho o famoso e contraditório “Fountain Hook” contra a TongFu.

Na primeira final, a Alliance se saiu melhor e mandou a Na`Vi para a Chave Inferior. Após vencer a Oragen Esports por 2 a 1, a equipe de Dendi voltou a enfrentar a Alliance, desta vez na grande final e em uma das séries mais emocionantes do competitivo de Dota 2. A Melhor de 5 foi ao quinto jogo, e quando parecia que a Na`Vi voltaria a levantar o Aegis, uma jogada inteligente da Alliance foi o necessário para garantir a vitória.

… E BAIXOS

Pode-se dizer que, após o TI3, a Na`Vi nunca mais foi a mesma. O time ainda venceu diversos campeonatos menores durante o resto de 2013, mas parecia faltar o brilho que sempre teve. Em 2014, as coisas não melhoraram, e a equipe acabou eliminada precocemente no TI4 em 7º-8º lugar.

Era hora de novas mudanças, e a Na`Vi trocou sua escalação para participar do TI5 - o primeiro em que a equipe não recebeu um convite direto pelos péssimos resultados durante a temporada de eventos. Então, mais uma queda, e o time foi eliminado em 13º-16º em um dos piores desempenhos na história da organização.

Depois de não conseguir se classificar para o Frankfurt Major 2015, o primeiro major da Valve, a Na`Vi decidiu liberar toda sua escalação em outubro do mesmo ano. Quatro dias depois, Dendi retornou ao time com o intuito de reconstruí-lo, e as coisas pareceram voltar a dar certo.

Apesar de ficar em 7º-8º no Manila Major 2016, o time ficou em 2º na DreamLeague Season 5 e no ESL One Frankfurt 2016. Além disso, o primeiro lugar na Starladder StarSeries Season 2 fez com que a equipe chegasse animada para o TI6, no qual voltaram a integrar o rol de times convidados diretamente.

Mais uma vez, decepção. A Na`Vi foi novamente eliminada em 13º-16º, ainda na fase de grupos, e voltou a sofrer com inconstâncias e desempenhos ruins. O ápice da decaída da equipe foi em 2017, quando o time não conseguiu se classificar para o The International e ficou de fora do mundial de Dota 2 pela primeira vez em sua história.

Na ocasião, o consolo de Dendi foi participar do torneio na apresentação da OpenAI, uma inteligência artificial que joga contra ela mesma e aprende sozinha a melhorar em Dota 2. De fato, o “robô” venceu o jogador no 1v1.

Em seguida, na temporada 2017-2018 do Dota Pro Circuit, a Na`Vi até conseguiu se classificar para minors e majors por meio das qualificatórias regionais, mas na grande maioria das vezes deixou a desejar. O mais longe que o time chegou foi o Top 4 de torneios como DreamLeague Season 8, MDL Macau e GESC: Indonésia Minor.

Então, foi eliminada precocemente nos dois últimos majors da temporada - o Epicenter XL e o Supermajor -, e novamente não conseguiu se classificar para o TI8.

Mesmo sem participar da disputa, Dendi marcou presença no evento para conhecer os fãs. Embora esteja passando por uma má fase que parece ser eterna, o jogador nunca deixou de ser um ícone nos olhos do público, assim como nunca deixou de lado sua determinação e seu sorriso.

Agora, só nos resta esperar para descobrir para onde a vida vai levar Dendi. Bem que poderia ser para a América do Sul, né?