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CEO da The Union, Luis Felipe fala sobre como é entrar no cenário de esports: 'Não é só ganhar campeonato'

O CEO da organização também fala sobre as dificuldades das novas organizações, diferenciais, o foco no lifestyle e novidades para o cenário de CS:GO


Atualmente, o cenário de esports é extremamente atraente para diversas empresas - por diversos motivos, sendo eles diferentes para cada - e a cada semana, novas organizações surgem. A The Union é uma dessas organizações que chegam ao mercado para tentar se destacar e se tornar uma das melhores dentro das várias modalidades do esporte eletrônico.

Em conversa com o ESPN Esports Brasil, Luis Felipe, CEO da The Union, fala sobre como é entrar em um mar cheio de “peixes grandes” e tentar se destacar no meio, as dificuldades que as organizações mais novas sofrem para conseguir se colocar dentro desse mercado e também sobre os próximos passos da organização.

Apesar de começar sua caminhada dentro dos esports em 2021, a The Union já existia dentro de um outro cenário: o de poker. Juntando duas paixões daqueles que comandam a organização, essa experiência prévia com o poker pôde se tornar um diferencial e Luis revela sobre como identificou as coisas que aprendeu ao longo dos anos no jogo de cartas e que poderia implementar dentro da nova empreitada.

“Uma coisa que trouxemos do poker para os esports é a maneira que você entrega a experiência para a comunidade. Quando você tem torneios de poker dentro de algumas empresas, a experiência de estar vivendo aquele evento é uma parada muito insana e tentamos trazer essa mesma experiência para dentro dos esports”, conta o CEO.

“Falando de poker em si com esports, sabemos muito bem como é trabalhar com os esportes da mente, querendo ou não esports é também um esporte da mente. Então sabemos desde o começo de como trabalhar com um atleta de poker e, na mesma linha, seguimos com um atleta de esports. É trabalhar o psicológico dele, entregar uma experiência única e colocar ele em um conforto bacana, além de fazer ele estar sempre preparado para a pressão”, adiciona.

Apesar dos diferenciais, entrar para o cenário de esportes eletrônicos não é algo fácil para aqueles que querem colocar os pés em um oceano que ainda tem muito a ser explorado, mas que já conta com peixes grandes para todo lado. Além do valor alto a ser investido pelas organizações para adentrar no mercado, o CEO fala sobre alguns problemas que os mais novos esbarram ao encontrar com as organizações já consolidadas no mercado.

“A maior dificuldade nos esports hoje, por mais que falemos de ‘peixes grandes’, a gente sabe que para você se conectar com as empresas que estão dentro do nicho é muito complicado, porque as cabeças das organizações já se conhecem. Então pra você se conectar com esse pessoal você tem que ser meio enxerido, tem que realmente chegar chutando a porta, fazendo coisa diferente”, revela.

Luis acredita ainda que, com a chegada de organizações como LOUD, entrar no cenário de esports se tornou algo muito além de apenas ganhar campeonatos: “Hoje em dia não é só ganhar campeonato, é criar conteúdo, entregar influenciador de qualidade, trazer um pessoal que confia no projeto, etc”.

Antes de entrar realmente de cabeça para esse cenário, 2021 foi um ano de teste para a The Union. Apostando em coisas confortáveis para aqueles que lideram o projeto, como os próprios fundamentos que aprenderam ao longo dos anos no poker, hoje a organização conta apenas com um elenco competitivo dentro do Counter-Strike: Global Offensive - além dos influenciadores que representam a organização.

No entanto, entrar no mercado sem um diferencial pode ser um tanto quanto arriscado. Para se destacar, Luis revela que a organização tenta misturar aspectos de diferentes modalidades, como trazer as grandiosas mansões do Free Fire para dentro do CS:GO e também seguir passos de outras grandes organizações já presentes no cenário como focar também no lifestyle, assim como é feito dentro da LOUD.

“Nós fizemos um ano de teste no ano passado pra sentir o mercado e ver qual seria o investimento em cada área. Nós pensamos o que a galera dentro do The Union gosta de jogar? Todo mundo gosta de CS:GO, então pensamos ‘E se a gente fizer uma mansão pro CS:GO?’, que é uma coisa que quase não tem e porque não investir em um cenário que precisa de ajuda, né”, observa o CEO.

Hoje de olhos em outras modalidades dos esports, já com elenco fechado para disputar a Liga Brasileira de Free Fire (LBFF) e observando atentamente o cenário de VALORANT - tendo até mesmo sondado o treinador Fluyr, que atuou ao lado da Ninjas in Pyjamas no Masters Reykjavík -, apesar do cenário nacional de CS:GO não ser tão valorizado, Luis revela que existem planos fortes para fortalecer ele ainda mais.

“O cenário de CS vai mudar daqui pra frente. Temos um conselho dentro do CBCS e vamos ter mais campeonatos para o cenário nacional de CS:GO, isso vai melhorar pra toda a comunidade. Vai ajudar bastante”, finaliza.