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Alex Greenwood abre o jogo sobre troca do United pelo City, inspiração em lateral brasileiro e se declara a Marta: 'Maior da minha geração'

Everton, Liverpool, Manchester United, Lyon e Manchester City: o currículo da lateral-esquerda Alex Greenwood é realmente diferenciado. Depois da frustração na Copa de 2019 pela Inglaterra, a atleta só viu taças: de Uefa Champions League a FA Cup.

Em entrevista exclusiva à ESPN, a lateral abriu o jogo sobre a carreira, conquistas e futebol brasileiro. Mais recentemente, ela participou da temporada vitoriosa do Lyon, com título do Campeonato Francês e Champions League, e se transferiu para o lado azul de Manchester, também sendo campeã.

“Os últimos 12 meses foram incríveis. Conquistei troféus no Lyon e depois voltei para Manchester ganhando a FA Cup, não poderia ter sido mais perfeito. Não acredito que isso acontece com muita frequência”, afirmou Alex.

Por ter passagens pelos rivais em cada cidade que atuou na Inglaterra, a jogadora teve que lidar com muitas críticas. Antes de ir para o Lyon, ela foi peça chave na estruturação do futebol feminino no Manchester United. Após a passagem pela França, ela escolheu defender o City.

“Nenhuma transferência é fácil. Eu estou completamente ciente dos clubes que joguei e de onde vim, não sou estúpida, eu cresci com futebol. Se eu fosse uma outra pessoa e olhasse ‘de fora’ os times que joguei, eu questionaria a transferência, por que escolheu tal time. Já fiz isso, sou uma fã de futebol”.

“Mas, ao mesmo tempo, eles são torcedores. Eles têm direito de ter opiniões. Mas, para mim, foi o que fez sentido para mim, para minha carreira, meu desenvolvimento e para onde quero ir como jogadora. Então, apesar das opiniões serem ok, às vezes elas são irrelevantes”.

Antes da Women Super League retornar - o Campeonato Inglês feminino -, o Manchester City aproveitou a janela de transferências para se reforçar. O clube também contratou Rose Lavelle e Sam Mewis, campeãs mundiais pelos Estados Unidos.

“Elas são brilhantes, dentro e fora de campo. A mentalidade delas é demais. Elas são campeãs! Acaba trazendo confiança e, mais importante, elas são pessoas incríveis”, afirmou a lateral sobre as companheiras norte-americanas.

“Para elas deve ser muito diferente. Aqui na Inglaterra a gente ama o jogo, somos fanáticos. E também tem questões táticas, de velocidade, os fãs podem ser mais ‘firmes’, mas elas estão se adaptando facilmente”, completou.

Mas por quê as atletas estão escolhendo jogar na Inglaterra? Assim como Greenwood, outras jogadoras foram para a Women Super League: Tobin Heath e Christen Press para o United, Pernille Harder para o Chelsea, Alex Morgan no Tottenham…

“Os jogos aqui estão em outro patamar, no sentido de que você não entra em campo sabendo que vai vencer. No Lyon, se você perde alguns jogos é desastroso, não acontece. A não ser que seja contra o PSG ou algo do tipo na Europa. Por isso, na Inglaterra, a questão é a competitividade, isso acaba atraindo mais atletas para cá”.

ÍDOLOS NO BRASIL

Apaixonada por futebol, é claro que Alex Greenwood tem uma relação de respeito com o Brasil.

“Sei da seleção brasileira! Vi Copas, no masculino e, no feminino, a Marta, para mim, é a maior da minha geração. A equipe masculina fala por si só, a qualidade que eles têm. Assistir a Copas do Mundo era incrível!”

“Roberto Carlos, como sou lateral-esquerda… o jeito que ele cobrava falta e bolas paradas. Mas, falando sobre a seleção feminina atualmente, acredito que estejam passando por uma grande transição, vocês têm jogadoras incríveis e quando a equipe se juntar e encaixar, vai ser incrível. Nas últimas competições acredito que não alcançaram os objetivos, mas faz parte da transição. A qualidade do time fala por si só”.

Quando questionada qual atleta ela não acreditou que jogou contra, a resposta foi a esperada de toda jogadora inglesa: Kelly Smith, lenda do futebol feminino no país, mas ela também acrescentou Marta.

“Para ser honesta, quando encarei ela, eu tive uma outra mentalidade. Não queria que ela me vencesse, não queria que me driblasse, mas quando acabou o jogo eu pensei ‘ela é alguém que me inspirou e agora dividimos o campo’”.

E como chega a Grã-Bretanha para os Jogos Olímpicos de 2021? Veja no vídeo acima.

“Às vezes, em um time, você aprende mais sobre você e um grupo de pessoas nos momentos difíceis. Você nem sempre ganha, nem sempre é bem-sucedido”.

SUPERSTIÇÕES

“Não tenho uma superstição, mas tenho uma rotina. Gosto de tomar meu café, escutar música no carro. Mas, agora fui promovida à DJ do clube, lá escutam de tudo. Tenho que organizar a demanda de todo mundo, menos quando ganhamos, que aí qualquer música feliz está bom, ninguém se importa. Me sinto pressionada no cargo [risos]”.