Estrela do basquete universitário, Sabrina Ionescu escreve sobre Kobe Bryant: 'Nossos caminhos se conectaram por um motivo'

A ala do Oregon Ducks Sabrina Ionescu é, sem dúvidas, um dos maiores destaques no basquete universitário norte-americano feminino. No ano passado, ela escolheu não ser draftada por não ter conquistado o título da NCAA e, neste ano, faz sua última temporada junto do ‘Oregon Nation’.

A morte de Kobe Bryant foi algo que chocou o mundo e Sabrina, amiga da lenda do Los Angeles Lakers, disse que dedicaria a temporada a ele.

Em uma carta escrita ao The Players Tribune, Sabrina não deixou de citar Kobe. O texto é intitulado “Dear Oregon Basketball”, que faz referência ao “Dear Basketball”. Sabrina não deixa de agradecer os pais, familiares, técnica e amigas de time, mas foca no ex-jogador e relembra alguns momentos que viveu com ele.

Quando Sabrina estava indo para Los Angeles para fazer parte do Wooden Award, premiação que reúne atletas universitários, ela foi convidada por Kobe para trabalhar como assistente técnica de jogadoras da academia dele. Ela conta que, naquele momento, ao passar pela porta do ginásio, Kobe disse que ela fez a escolha certa quando optou por não ser draftada naquele ano, reconhecendo que não seria uma escolha ‘normal’ da parte dela.

“A maioria das pessoas viu o fato de que nada seria normal para nós esse ano como negativo. Mas Kobe? Ele viu isso como uma bênção. Ele viu a pressão que estávamos prestes a enfrentar esse ano como um privilégio. Um desafio a superar. E o fato de que foi assustador para mim no começo? Ele viu isso como uma oportunidade. Aproveitar do seu medo era como uma oportunidade de aprender algo novo sobre você – isso é o Mamba Mentality e eu levei isso a sério”, escreveu.

Na carta, Sabrina também fala como o basquete é uma paixão e sua vida e agradece todas as pessoas que tem estado a sua volta o tempo todo de darem a ela a oportunidade de ser uma ‘nerd’ sem se sentir estranha no que faz.

Mas, apesar de tantas glórias que vem sendo conquistadas em 2020, ela não deixou de lembrar o quanto tem sido doloroso lidar com a perda de um amigo. “Não posso deixar de dizer o quanto estou triste por saber que vou dar o próximo passo na minha jornada no basquete e a cada passo seguinte, sem um dos meus maiores mentores - e sem o meu mentor que mais entendeu exatamente do que se tratava minha jornada”, disse.

A morte de Kobe a fez questionar sobre sua própria jornada. “Como o mundo me uniu com alguém como Kobe, alguém que me entendeu tão bem - talvez a primeira pessoa na minha vida que realmente me levou a esse nível mais profundo do basquete - apenas para arrancá-lo da minha vida depois de menos de um ano? E por quê? Parecia cruel. Ainda parece”.

Para ela, o caminho dos dois se conectou não apenas para aprender diversas coisas sobre o mundo do basquete, mas ela citou que, para Kobe, o basquete feminino não era algo que ele gostaria de ver crescer por caridade, mas ele queria fazer parte do movimento.

“Ele se envolveu porque queria fazer parte disso. E é isso que eu sempre amei muito sobre Kobe, e é uma das coisas que espero que as pessoas se lembrem dele. Ele não se importava com a sua idade, sexo ou origem... ou nada disso. Até o seu talento, no final das contas, não era o que Kobe estava lá para julgar. Tudo o que ele realmente se importava era o seu amor pelo jogo”, falou.

Sabrina finaliza agradecendo a cada pessoa que tem feito parte de sua trajetória e da história dos Ducks: “Vamos pegar o trabalho que não foi finalizado e finalizá-lo”, concluiu.