<
>

Kobe Bryant fala sobre relação com Gianna Bryant, apoio ao esporte feminino e mais em entrevista recuperada de jornal

O Los Angeles Times, principal jornal de Los Angeles, divulgou neste sábado o áudio completo da última entrevista feita pelo periódico com Kobe Bryant antes da trágica morte da lenda do Los Angeles Lakers no dia 26 de janeiro. Kobe, em outubro de 2019, falou sobre vários assuntos, mas, principalmente, sua relação com a filha Gianna, que estava no acidente, e o esporte feminino, além da experiência de treinar um time feminino de crianças e adolescentes.

O Mamba treinava uma equipe de garotas entre 11 e 14 anos, incluindo a sua filha Gigi, e era um dos maiores apoiadores do esporte feminino, seja por estar ao lado de Gianna na beira da quadra em partidas da WNBA, seja por fomentar o esporte em si em sua "Academia Mamba".

"Eu amo o jogo em geral. E sempre fui um grande apoiador dele. Obviamente parando para assistir Tamika (Catchings) jogar e a gente crescendo junto na Itália e depois vendo ela fazer o que fez por Tennessee e Indiana. Então sempre fui um grande apoiador do jogo das mulheres. Então tendo filhas e uma em particular que quer muito jogar basquete (Gianna) e outra que quer jogar vôlei (Natalia)", comentou. "Então ajudar a crescer com o esporte feminino, não só o basquete e também o vôlei e outros esportes, é extremamente importante. Tudo que eu puder fazer pra ajudar, vou fazer".

Quando perguntado sobre as semelhanças entre seu estilo de jogo e o de Gigi, Kobe foi enfático. "É uma viagem ver os movimentos que ela faz. As expressões e os movimentos, sabe? Ver a genética. É uma viagem. Genética é real, cara".

"O que eu amo de Gigi é sua curiosidade sobre o jogo, ela é muito curiosa sobre o jogo. Mesmo em situações de muita pressão, com a competitividade no alto e o jogo na linha ela é capaz de vir e perguntar uma coisa bastante específica sobre o que está acontecendo, o que não é muito comum", prosseguiu.

A relação com a família, inclusive, foi o principal fator para não termos visto muito de Bryant na beira da quadra durante partidas dos Lakers no Staples Center. "Eu tenho minha rotina em casa. Não é que eu não quero ir (aos jogos dos Lakers) é que eu prefiro dar banho e cantar músicas do Barney com minhas filhas. Joguei por 20 anos e perdi estes momentos. Para mim, viajar até o Staples significa que estou perdendo uma oportunidade de passar outra noite com minhas crianças quando eu sei o quão rápido passa. Quero ter certeza que os dias que estou longe são os dias que eu tenho absolutamente que estar. Prefiro estar com eles do que fazendo outra coisa", explicou.

Por fim, Kobe também falou sobre a sensação de treinar um time de crianças e "preparar a nova geração".

"Olhando para o basquete dos jovens e o jeito que é construído atualmente eu queria criar algo que ensinasse basquete para as crianças da maneira correta. Quando eu cresci na Itália nós jogávamos uma liga chamada 'Mini Basquete'. As cestas eram menores, as quadras eram menores, as bolas eram menores e isso permitia que a gente arremessasse da forma correta e que usássemos a nossa imaginação então conseguíamos fazer as coisas que os profissionais estavam fazendo, como aprender a finalizar ao redor do aro, esse tipo de coisa", relatou. "As crianças hoje de oito ou nove anos tentam jogar nas medidas profissionais e não dá. Você acaba tendo 10 crianças embaixo da cesta tentando colocar a bola lá de qualquer jeito. E eu não queria isso, queria um lugar aonde as crianças poderiam aprender estrutura de uma equipe, movimentação de bola e como arremessar da maneira correta".

"Eu acho que treinar crianças é a coisa mais importante que podemos fazer. Se você pensar em um professor na sala, eles estão ensinando o curricular, fazendo questionários e essas coisas, mas falta o fator emocional. Saber o que as crianças estão passando. Quando você está em sala, aprende história, pensamento crítico e essas coisas. Mas quando você joga tem um elemento emocional que toda criança passa jogada a jogada, que faz eles mais abertos emocionalmente, mais vulneráveis e também mais poderosos", disse antes de deixar um ensinamento que mostra a mudança de Kobe pós aposentadoria.

"Se nós técnicos não formos conscientes disso, podemos trazer muitos danos às crianças, com uma virada de olho, um grito ou coisas desse tipo que também podem ajudá-los positivamente. Mas não é algo que levamos a sério. Em esportes parece que você só tem ir lá e brilhar. Não é assim. É preciso de muito cuidado e é por isso que eu amo trabalhar com crianças. Para ajudá-los não só no jogo, mas também prepará-los para o caminho e, tomara, para a vida, para os problemas que inevitavelmente virão", finalizou.