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Entre maternidade, depressão e finalmente a estreia no UFC; Vanessa Melo se prepara para triunfar no Ultimate

A peso-galo Vanessa Melo estreou no UFC México há pouco menos de dois meses com uma derrota para a experiente Irene Aldana por decisão unânime. Mas não há o que desanime a paulistana de 31 anos. Com um cartel de 10 vitórias e 6 derrotas, ela entra no octógono novamente no UFC São Paulo, no próximo dia 16 de novembro para substituir Duda Cowboyzinha e enfrentará a norte-americana Tracy Cortez.

Chamada um tanto quanto em cima da hora, Vanessa esperava que sua próxima luta seria apenas em 2020, mas a surpresa do chamado não a assustou. “Meu professor sempre falou, desde o início, que as oportunidades aparecem do nada e se não tivermos treinados, a oportunidade passa. Esse foi meu caso”, disse em entrevista para o espnW.com.br.

Vanessa planejava desde sempre lutar o UFC SP e contou que, antes mesmo do UFC México, seu empresário já dizia que caso ela não fosse chamada para lutar na capital paulista, iria disputar o cinturão de outro evento. Mas deu tudo certo e, para ela, ‘tudo mudou do dia para a noite’.

A felicidade maior de Vanessa para seu próximo compromisso é o fato de poder lutar perto da família. “Lá no México foi difícil. Eu dei uma entrevista no dia do aniversário da minha filha e até chorei. E lutei no dia do aniversário da minha mãe. Foi tudo muito rápido”, relembrou.

A maternidade ‘surpresa’

Como atleta de alto rendimento, tornar-se mãe não é uma tarefa fácil e exige planejamento. Para Vanessa, as coisas aconteceram de uma forma diferente e a filha foi uma surpresa. “Eu não queria ter filho”, disse a atleta, “ela aconteceu”. A peso-galo estava tomando anticoncepcional e, ao mesmo tempo, um remédio para tratamento na coluna, que cortou o efeito da pílula.

Ela descobriu a gravidez com quase quatro meses de gestação e ficou em pânico. “É difícil. A gente sabe como é difícil a vida de lutador, ainda mais com uma responsabilidade tão grande que é minha filha. Ter uma criança para você cuidar e sustentar sozinha... Era isso que pensava no começo”, relembrou a peso-galo.

Apesar de pensar em desistir, ela teve a honra de contar com o apoio da família, que sempre fez questão que ela estivesse feliz e fazendo o que sempre fez: lutar.

A volta foi gradativa. Acima do peso e sofrendo com depressão pós-parto, Vanessa ia para a academia e levava a filha, que sempre se mostrou muito familiarizada com os tatames. Enquanto isso, o professor a ajudava e, aos poucos, ela foi voltando a competir. Primeiro, fez duas lutas de boxe e venceu. Em seguida, decidiu voltar para o MMA.

Sem muito tempo para respirar, ela já logo foi chamada para o UFC México, com apenas uma semana de antecedência da luta e para lá embarcou. “Eu sabia que eu ia entrar para o UFC, sempre acreditei nisso, eu lutava já pensando que eu ia entrar, eu acreditava e sempre acreditei nisso. Nunca saiu da minha cabeça essa perseverança”, confessou.

Os ensinamentos de Aysha

Apesar de ter apenas dois anos, Aysha já ensinou muito para a mãe. Uma criança ‘independente’, como Vanessa a descreve, foi a filha que deu a ela forças para continuar rumo ao seu objetivo.

“A minha filha foi a melhor benção que já tive na vida, a maior conquista. Independente de estar no UFC depois dela, ela que me deu a maturidade. Ela me ensinou a ser uma pessoa melhor, me ensinou a ter perseverança, fé... e acreditar cegamente naquilo. Foi tudo por causa dela. Ela transformou a minha vida”, falou Vanessa.

Ela também não esquece de agradecer aos pais que, como a maioria, não apoiava muito a decisão da ‘profissão-lutadora’ no início por medo das lesões e do esforço demasiado para um retorno lento. “Meus pais me ajudam muito. Hoje em dia sei que posso ajudar e cuidar deles, assim como faço com minha filha. Fico feliz com isso, o quanto a maternidade melhorou minha vida”, disse.

Vanessa relembra de suas dificuldades e conta também que recebeu diversas mensagens de mães que conheceram sua história e ressalta: “Você ter um filho tendo dinheiro é uma coisa. Agora você ter um filho passando dificuldade financeira é totalmente diferente. Às vezes eu ia para a academia pensando o que eu ia fazer, sabe?”.

“Eu corri tanto atrás disso que eu consegui! Então, eu me sinto realizada de estar no maior evento do mundo e hoje em dia consigo dar qualquer coisa para a minha filha”, complementou Vanessa.

Referência na academia

Lutadora dentro e fora do octógono, a perseverança de Vanessa faz com que ela virasse um exemplo dentro da equipe. Atleta da Chute Boxe e Babuíno Gold Team, nem a depressão, nem Aysha e nem as dificuldades financeiras a fizeram desistir de treinar.

“Eles [amigos de treino] me usam de exemplo. Eles falam: ‘meu, a Vanessa tinha tudo para não conseguir e conseguiu. Por que a gente não vai conseguir?’ Eu fico muito feliz com isso, de poder ser uma referência para as pessoas. Às vezes precisam de ajuda por não acreditarem. E eu consegui”, disse Vanessa.

Apesar de estar indo apenas para sua segunda luta no UFC, Vanessa já se mostra feliz e realizada por ter alcançado um grande objetivo, mas claro que mira aquilo o tão desejado cinturão.

“Eu luto e treino para isso”, disse ela quando questionada sobre a possibilidade de ser a primeira mãe campeã do UFC. “Quero me manter lá e chegar até o final e conquistar tudo, mas só de estar lá eu estou muito feliz”, finalizou.