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46 anos depois, a famosa 'Batalha dos Sexos' continua sendo um assunto pertinente na luta pela igualdade no esporte

Billie Jean King e Bobby Riggs, na 'Batalha dos Sexos' Jim Garrett/NY Daily News

*Africa Madueño Alarcon é Diretora de Recrutamento da Latam da IJGA (Top Junior Golf Academy nos Estados Unidos)

Esta semana marcou o aniversário do famoso jogo de tênis entre o tenista profissional Bobby Riggs e a número um do mundo Billie Jean King.

Um jogo que foi amplamente televisionado pela polêmica que causou graças à publicidade que Riggs com seus comentários machistas provocou. Estima-se que mais de 90 milhões de pessoas assistiram à partida em mais de 37 países, tornando Billy Jean King um ídolo e símbolo da luta pela igualdade no esporte e pelos direitos da mulher em geral apenas um ano depois da formação da Women’s Tennis Association (WTA).

“Eu pensei que se não ganhasse o jogo iria jogar as mulheres 50 anos atrás no tempo, iria arruinar o tour feminino e afetar a auto estima de milhares de mulheres”, disse Billie Jean King na ocasião.

‘The Game’: 20 de Setembro de 1973, Houston, Texas

Bobby era um profissional aposentado que ganhava a vida com jogos de exibição e apostas. Ele desafiou a então pentacampeã mundial Billy Jean a um jogo após ter vencido sobre Margaret Court e aparecer na capa da Sports Ilustrated e da revista Time. Bobby alegou que o tênis feminino era tão inferior que até ele, com 55 anos, poderia vencer a número 1 do mundo.

Pois o mundo assistiu e a vitória foi das mulheres neste dia. O jogo entre Riggs e King oferecia um prêmio de 100 mil dólares, o equivalente a 564 mil dólares hoje. King ganhou tranquilamente (6-4, 6-3, 6-3) num evento cheio de provocações entre ambas partes.

Alguns jornalistas tentaram diminuir a importância da vitória, alegando que ela era bem mais jovem que ele, e que Bobby Riggs entregou o jogo, mas mesmo assim a vitória de King teve um impacto global na luta das atletas da época por direitos iguais. Após o jogo, Bobby Riggs pulou a rede e sussurrou ao ouvido de Billie: “Eu subestimei você”.

“Quando Bobby entrou em quadra o locutor Howard Cossel comentou sobre as conquistas que ele logrou no tenis, quando eu entrei só fez comentários sobre minha roupa e minha aparência”, falou Billie.

O torneio teve um impacto muito maior do que o esperado, principalmente porque aconteceu logo após o lançamento da lei Title IX, que obrigava as escolas e universidades financiadas pelo governo a oferecer oportunidades iguais a ambos sexos, inclusive bolsas de estudo e protegia as mulheres de assédios e intimidações dentro do esporte. Esta nova lei foi um “boom" no crescimento do esporte feminino, onde faltavam líderes e figuras representativas para inspirar a nova geração de atletas.

Pioneirismo na luta pelos prêmios iguais no tênis

Numa época onde os homens disputavam torneios com prêmios absurdamente maiores que as mulheres e que patrocinadores eram escassos, em 1973 Billie ameaçou boicotar o US Open se a disparidade salarial entre os gêneros não fosse negociada.

No primeiro Wimbledon que Billie Jean King venceu, junto com Rod Laver, ele levou um prêmio de 2 mil libras e ela, de 750 apenas.

Após as demandas dela e do grupo de tenistas que a apoiava, o US Open se tornou o primeiro major a oferecer prêmios iguais. Wimbledon foi o último a aderir aos pagamentos igualitários graças à pressão de jogadoras como Serena Williams, em 2007.

Ela se tornou também uma das primeiras mulheres a treinar homens no tênis profissional, venceu 39 majors, incluindo 20 Wimbledon (continua sendo o recorde feminino) e foi incluída no Hall da Fama do tênis internacional em 1987.

Hoje em dia, Billie Jean King continua advogando em favor da igualdade no esporte e no mundo corporativo e pelos direitos LGBT e é considerada uma das pessoas mais influentes no mundo no século XX.