<
>

Mesmo suspensa na semi do Brasileiro, Day largou família e viajou 14 horas para apoiar o Flamengo contra o Corinthians

A missão do Flamengo/Marinha na partida de volta nas semifinais da série A1 do Campeonato Brasileiro é árdua. O objetivo é quebrar a invencibilidade de 32 jogos do Corinthians e garantir uma vaga para a final. Fora de casa, o Flamengo encara o Corinthians e precisa vencer de qualquer forma, já que o jogo de ida foi 2 a 1 para o time paulista.

Mas motivação para vitória é o que não vai faltar, ao menos se depender de Daiana. A zagueira, mais conhecida como Day, estava suspensa na primeira partida, que aconteceu no Espírito Santo.

Por conta disso, o clube a liberou para visitar a família em Varginha, Minas Gerais, cidade onde nasceu. Dois dias antes do jogo, ela chegou em casa, mas segundo ela, estava com o coração apertado e sentia que queria estar com as companheiras de equipe naquele momento.

Conversando com a mãe, ela teve um estalo. “Sabendo do meu amor por futebol, ela [mãe de Day] disse para eu fazer o que queria. No dia seguinte, saí de Varginha e fui para Belo Horizonte. De lá, comprei passagem pra Vitória e viajei 14 horas”, disse em entrevista ao espnW.

No Espírito Santo, ela ficou na casa da companheira de time Ana Carla e, ainda que suspensa, esteve em campo apoiando o time. “Fiquei feliz demais quando cheguei no campo domingo e fui recebida com um abraço de alívio e felicidade da Fernanda, lateral esquerda. O grupo não esperava a minha presença, então, foi algo bem legal”, completou.

Embora a vitória não tenha vindo, Day, que é titular, estará entra para jogar neste domingo a partir das 14h (de Brasília) no Parque São Jorge e se mostrou motivada para jogar.

DE VARGINHA PARA SÃO PAULO

Não muito diferente de outras jogadoras, Day também começou a jogar quando criança e apenas entre garotos. Aos 12 anos, ela teve a primeira oportunidade de defender um time. Era o Padre Vitor, com o técnico Nivaldo que, mais tarde, veio a falecer, o que fez com que ela ficasse longe do futebol por um tempo.

Mas alguns meses depois, a mãe a convenceu de voltar a jogar. Foi quando ela voltou para o antigo time, que tinha mudado de nome e chamava-se Shalom. Observada pelo técnico da cidade, Milton a fez o convite de defender a equipe de Varginha e foi onde ela passou quatro anos.

Sem condições que a família bancasse os custos do futebol, Day se mudou para São Paulo, onde defendeu o Jaguaré Osasco.

"Quando fui para São Paulo, meus pais tiveram resistência para liberar por eu ser nova e filha caçula. O Jaguaré não me fez uma proposta financeira, mas pelo time ser referência do futsal na época, aceitei e recebi boa estadia e alimentação. Seria uma oportunidade boa de aparecer”, disse Day.

Em 2009, a zagueira retornou para Minas Gerais, quando o time acabou e ela passou um tempo sem jogar, até conhecer a escola Arte & Disciplina. Foi quando aconteceu a transição de futsal para futebol e a chance de jogar pelo Atlético MG após ter passado por uma peneira.

"A mudança do futsal para o futebol foi bem difícil no início por conta de vários fatores, principalmente, preparo físico, resistência e domínio de bola”, falou. Mas mesmo com a dificuldade, ela esteve presente no elenco Campeão Mineiro em 2010 e também, teve a experiência de jogar a Copa do Brasil.

Em 2011, Day embarcou para o Rio de Janeiro pela primeira vez e recebeu seu primeiro salário, pelo CEPE Caxias, além de ter sido campeã carioca. Ela até retornou para o salão, mas três anos depois, esteve de volta para os gramados, integrando o time da Marinha.

Em 2015, quando o Flamengo firmou uma parceria com a Marinha, Day continuou e essa é a quinta temporada da zagueira com a equipe.

Hoje em dia, ela consegue viver do futebol e reconhece: "Acho que, aos poucos, o futebol feminino vem sendo valorizado, mas não o suficiente ainda. Algumas coisas precisam melhorar, como calendário e infraestrutura de competições. Precisamos ter mais reconhecimento também”, finalizou Day.