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Do Espírito Santo para a Ferroviária; a trajetória de Luana até as semifinais do Campeonato Brasileiro

Embora não seja tão reconhecida no masculino, a Ferroviária é um clube de grande tradição no futebol feminino, que foi fundado em 2001 e é um dos poucos a assinar carteira profissional das jogadoras desde 2017. No ranking da CBF, divulgado em fevereiro desse ano, o time ocupa a 4ª posição.

Campeãs da Copa do Brasil e do Brasileiro em 2014 e da Libertadores em 2015, as Guerreiras Grenás eliminaram das quartas de final o Santos pelo segundo ano consecutivo e avançaram para a semi, onde enfrentam o Kindermann, de Santa Catarina, neste sábado (7) a partir das 18h (de Brasília) no Estádio Fonte Luminosa, em Araraquara.

O clube do interior paulista ainda é um dos poucos a ser comandado por uma técnica. Tatiele Silveira está no comando do time desde o início de 2019.

Uma das grandes revelações é Luana Menegardo. Nascida em Rio Novo do Sul, no Espírito Santo, a meio-campista compõe o elenco da Ferroviária desde 2014. Ela já esteve presente em grandes conquistas do time, como a Libertadores. Na época, tinha apenas 16 anos.

“Acho que naquele ano eu nem tive tanta noção da grandeza que era aquele título, hoje eu consigo ver. Muitas atletas com uma grande história não têm e almejam muito”, disse Luana para o espnW, e completou: “Foi especial porque foi um ano que não tivemos tanto êxito nos campeonatos aqui no Brasil e as pessoas não acreditavam que seríamos campeãs, então nosso grupo se fechou e conseguimos voltar com o título. Agora vamos em busca do bicampeonato”.

A Ferroviária foi convidada pela CBF para participar da Libertadores deste ano, que começa no dia 11 de outubro, no Equador. A vaga ficou para o time após ruptura da equipe do Rio Preto e foi para o Flamengo, que optou por jogar os Jogos Mundiais Militares na China durante o mesmo período.

Na seleção brasileira, Luana também teve algumas passagens pela sub-20. Ela disputou a Copa do Mundo da categoria em 2016 e o Sul-Americano de 2018. “É um lugar onde toda jogadora quer estar e tive a oportunidade de representar o nosso país em alguns campeonatos, foi um lugar onde aprendi, amadureci e cresci muito como atleta e como pessoa”, disse.

Tendo como maior ídolo a Formiga por identificação pessoal, Luana começou a jogar futebol por influência do pai e irmão, que também jogavam. Desde sempre, ela treinava em escolinhas para crianças, mas não muito diferente de outras garotas, não tinha meninas para jogar.

O pai a apoiou muito durante toda trajetória e, como ela mesmo define, ela praticamente ‘pagava para jogar’, já que ela precisava tirar do próprio bolso dinheiro para viagens, alojamentos e alimentação.

O teste que fez pela Ferroviária foi a última tentativa para dar certo na carreira. “Vim para cá e coloquei aquilo na minha cabeça. Aqui tinha que dar certo, e deu!”, falou. Mas, na época, a Ferroviária não tinha alojamento para base, o que ainda exigia do pai que pagasse tudo, inclusive o aluguel de um apartamento.

Foi quando, no ano seguinte, subiu para o profissional e as coisas começaram a melhorar. Um ano depois de ficar sem alojamento, ela conta que as coisas foram acontecendo: profissional, convocação para a seleção e, como ela mesmo definiu: “Foi uma coisa atrás da outra, aconteceu tudo muito rápido depois que comecei a jogar aqui”.

Quanto a expectativas para a semifinal, Luana se mostra otimista, reconhece os dois grandes jogos contra o Santos e disse que a equipe está trabalhando muito pesado visando o Kindermann.

“Sabemos da qualidade delas porque também tiveram méritos para chegar até aqui. Agora é 50% de chance para cada lado, mas vamos usar o fator casa para fazermos um com resultado aqui em Araraquara”, finalizou.