Quando o conflito eclodiu no jogo entre Phoenix e Dallas de sábado da semana passada, as questões iniciais eram quanto tempo Brittney Griner receberia de suspensão e como isso afetaria as pretensões do Mercury de classificar para os playoffs.
Mas desde então, outra grande questão surgiu: quanto esse incidente e a punição subsequente vão prejudicar o relacionamento de Griner com a WNBA? Com base no que ela disse, muito.
Isso destaca um conflito maior do que o que aconteceu na quadra: as estrelas da liga, em particular, sentem que são subvalorizadas pela WNBA. E isso é algo que a nova comissária Cathy Engelbert não pode ignorar quando o seu objetivo é colocar a sua marca na liga.
Terça-feira, Griner foi suspensa por três jogos.
Brittney Griner não está contestando a duração de sua suspensão, mas disse que achava injusto que as principais jogadores de Dallas - Kristine Anigwe e Kayla Thornton - recebessem apenas dois jogos.
Na segunda-feira, Griner enviou uma espécie de alerta à WNBA, dizendo ao repórter do Arizona Republic, Jeff Metcalfe, que a decisão da liga poderia influenciar no seu futuro na WNBA. Perguntada pela ESPN na terça-feira, depois que as suspensões foram anunciadas, se ela mantinha o que dissera, Griner disse que sim.
"Isso afeta minha carreira na WNBA? Claro que sim", disse Griner à ESPN. "Não agora, esse segundo. Mas quanto tempo eu vou continuar, sim, com certeza. Eu amo jogar pelo Mercury; essa é a única razão pela qual eu estou jogando aqui agora."
Será que Brittney Griner está apenas desabafando enquanto o caso ainda está quente? Ou será que ela realmente fará uma pausa em sua carreira na WNBA após essa temporada?
Quanto às punições, o ponto de vista de Dallas é que Griner foi a primeira a agredir - ela deu uma cotovelada em Anigwe. Phoenix discorda, dizendo que Anigwe havia sido física de maneira excessiva com Griner em jogos anteriores - quando ela ainda estava com o Connecticut Sun.
A liga, em seu lançamento, diz que Anigwe instigou o incidente, mas Griner foi quem deu socos e empurrou Thornton. Por isso recebeu três jogos.
Griner foi escolha número 1 do draft, campeã da WNBA, medalhista olímpica e tem sete anos de WNBA. É claro que ela sente que foi desrespeitada pela liga. Não apenas em relação a esse incidente, mas pela forma como o jogo físico contra ela foi marcado toda a sua carreira pelos árbitros.
Sua companheira de equipe, Diana Taurasi, que foi suspensa por deixar o banco no sábado, criticou os árbitros por deixar as coisas ficarem fora de controle. Reclamar sobre os árbitros - seja por marcar muitas ou poucas faltas - é uma parte normal do basquete em todos os níveis. (E algo Taurasi faz muito.)
Mas neste caso, Taurasi e Griner ligam esta questão com os funcionários ao que eles vêem como a falta geral de comprometimento da WNBA em procurar seus jogadores - particularmente os jogadores de destaque.
Diana Taurasi se tornou cada vez mais crítica nos últimos anos sobre o que ela vê de errado na WNBA - as que não foram corrigidas durante sua carreira. Nãoo há dúvidas de que ela está desapontada - não com sua franquia, mas com a liderança da liga. Brittney Griner expressou sentimentos semelhantes, elogiando o seu time, mas atacando a liga.
Taurasi ficou de fora da temporada 2015 da WNBA a pedido de sua equipe russa, que lhe pagou muito mais do que ela conseguiu na WNBA. Griner também ganha muito mais dinheiro no exterior poderia fazer a mesma coisa, embora a WNBA forneça uma visibilidade maior.
Como as jogadoras equilibram seu próprio interesse contra o versus o apoio que têm a uma liga ainda em crescimento? Isso tem sido um debate há muito tempo.
A resposta foi automática nos primeiros anos da liga, quando todas os jogadoras envolvidas cresceram sem a WNBA. Elas tinham problemas com salários, viagens, instalações, arbitragem, etc., mas não falavam muito publicamente sobre isso. Elas também não tinham redes sociais para ampliar suas preocupações e torná-las conhecidas.
Ao mesmo tempo, qualquer empresa que não ouça críticas de seus funcionários tem problemas de sustentabilidade. A WNBA precisa ser forte o suficiente para ouvir e responder às reclamações das jogadoras, mas essa crítica também precisa ser construtiva e realista.
Se esse incidente empurrou fez com que Griner de distanciasse emocionalmente da WNBA, ela está exagerando. A jogador de Phoenix indicou que essa foi a gota d'água de algo que vem incomodando-a há bastante tempo. E ela não é a única jogadora que está com esse sentimento.
Engelbert entrou na liga em julho, então sua credibilidade com as outras jogadoras está sendo estabelecida agora. Uma jogadora dizendo que não sente nenhuma obrigação ou conexão com a liga - mesmo que essas declarações pareçam excessivas - deve ser uma preocupação para Engelbert.
A comunicação com as jogadores não tem sido a característica mais forte da liga, mas precisa ser.
