Por 'profissionalização', federação mineira cobra taxas para campeonato feminino e causa racha com clubes

Nessa semana, os oito clubes interessados em competir o Campeonato Mineiro de Futebol Feminino se reuniram com a Federação Mineira para determinar as diretrizes da competição. Em seguida, o Cruzeiro publicou uma nota dizendo que, por conta de novas taxas cobradas pela FMF, os times discordaram em participar desta edição do torneio.

Além do Cruzeiro, estavam presentes representantes do América-MG, América Futebol Clube–TO, Atlético-MG, Esporte Clube Futgol, Ipatinga Futebol Clube, Minas Boca Futebol Ltda. e Valadares Esporte Clube.

As taxas a serem cobradas pela Federação Mineira são de arbitragem e quadro móvel, que ficam sob responsabilidade do time mandante que, segundo Leonardo Barbosa, Diretor de Competições da FMF, já havia sido divulgada no arbitral. A taxa, que não era cobrada até o ano passado, não agradou os clubes.

“Fomos pegos meio de surpresa este ano (...) Parece que há um tempo, a federação já quis impor essas taxas, mas nunca realmente aconteceu, porque entendia-se a necessidade dos clubes com despesas, o futebol feminino infelizmente não tem a mesma arrecadação do masculino”, disse um representante do Ipatinga ao espnW.com.br.

“Do ponto de vista econômico, os três grandes clubes teriam condições de arcar com a despesa, mas a gente se uniu no sentido que precisamos ajudar os clubes menores”, disse Bárbara Fonseca, Coordenadora de Futebol Feminino do Cruzeiro.

Já do ponto de vista da federação, a decisão é um passo para a profissionalização do futebol feminino. Todas as competições regidas pela Diretoria de Competições, departamento responsável pelos campeonatos profissionais da FMF, não cobram taxa de inscrição desde 2014, mas, em contrapartida, cobram arbitragem e quadro móvel.

“Antes disso [2014], os clubes pagavam uma taxa de participação. Dentro dessa taxa, a federação recebia e arcava com todos os custos. Foi um pedido dos clubes essa taxa ser alterada”, falou Leonardo.

O custo de inscrição (no masculino) girava em torno de 25 mil reais e as taxas de arbitragem dependem muito do local a ser realizada a partida, mas o diretor disse que em Belo Horizonte, custará cerca de 690 reais.

Ele também garantiu que, para viabilizar o campeonato, a Federação conseguiu negociar uma taxa menor do que o campeonato masculino sub-15. Dos oito times, quatro são de BH e os outros, do interior de Minas Gerais, o que também fará com que as equipes precisem arcar com viagens.

“Fizemos uma grande movimentação no Conselho Técnico por entender que a FMF está em um grande momento de adequação da profissionalização do Mineiro”, disse Deraldo Costa, representante do Minas Boca, time de Sete Lagoas.

“Não temos patrocinadores a altura para fazer um grande campeonato. As outras 7 equipes me acompanharam na decisão de não levar o conselho técnico até o final no formato da FMF. Assim, o Minas Boca não disputará a competição”, finalizou.

A Federação afirmou estar disposta a fazer um novo conselho técnico caso os clubes voltem atrás e há possibilidade de remarcar o campeonato, que estava previsto para início em 15 de setembro.

A FEDERAÇÃO X OS CLUBES

Para Leonardo, a isenção da taxa faria do Mineiro um campeonato amador, assim como é a Copa BH. “Se a gente solta um edital dizendo que a federação vai pagar as taxas, todos os times amadores vão fazer parcerias com times profissionais, vou ter 20 times no campeonato que muitas vezes não têm condições e a gente nunca vai ter um campeonato feminino qualificado”, disse o diretor.

“A intenção da federação é estimular as equipes profissionais, mas poder exigir delas o mínimo de organização”, completou.

Segundo Bárbara, os clubes já arcam com ambulância (que gira em torno de R$1200) e segurança privada (cerca de R$800). Os times já têm uma despesa fixa de cerca de 2 mil reais por partida. “As taxas de arbitragem, principalmente para as equipes do interior, ficariam bem apertadas, porque você tem que pagar deslocamento, diária e outras coisas mais”, afirmou a coordenadora do Cruzeiro.

“Entendemos que a federação tem totais condições de nos ajudar”, completou.

Em comparação às regras da Federação Paulista de Futebol, os clubes também arcam com segurança privada e ambulância, mas não com arbitragem e o quadro móvel. A diferença entre eles, porém, é que o Campeonato Paulista não é considerado profissional e sim, amador.

Mas ainda há esperanças por parte dos clubes. O representante do Ipatinga se mostrou otimista e está acreditando numa movimentação da federação para que o Mineiro aconteça, principalmente pela importância dele para os clubes.

“Tenho muita confiança no bom senso que a federação vai ter, de rever a cobrança das taxas para que a gente possa fazer a competição, pela importância, porque vale vaga para o Campeonato Brasileiro”, falou.

“A gente espera que a Federação Mineira possa seguir o exemplo de outras federações e até mesmo da CBF que vem fomentando o futebol feminino e apoiando”, finalizou o representante do Ipatinga, clube que ainda não é profissionalizado.

E o pedido do Cruzeiro foi de, assim como nos outros anos, que a FMF ajude o futebol feminino, mas mais uma vez, justificou a decisão de não participar do campeonato: “Então nesse raciocínio, de unidade, de estar com os outros clubes, que a gente sabe a dificuldade que é, resolvemos sair da competição porque achamos que é muito desprestigio da federação por parte de clubes que estão batalhando para fazer o futebol feminino crescer”, finalizou.