A principal bandeira das jogadores da seleção feminina dos Estados Unidos, isto é, o pagamento igualitário de salários a homens e mulheres, não é defendido por um dos grandes nomes do futebol mundial: o holandês Frank De Boer.
Em entrevista ao "The Guardian" desta terça-feira, o multicampeão por Ajax e Barcelona e técnico há 13 anos, explicou como vê a discussão, que ganhou apoiadores como a seleção masculina de futebol dos Estados Unidos.
"Eu acho isso ridículo", disse De Boer.
“A final da Copa do Mundo masculina é assistida por 500 milhões de pessoas ou algo em torno disso, e a feminina atrai 100 milhões. Essa é a diferença [entre futebol masculino e feminino]. Então, não é a mesma [realidade]. É claro que elas têm de receber o que é justo e não menos do que isso. Mas devem batalhar pelo que realmente merecem. Se o futebol feminino chegar a ser tão popular quanto o masculino, aí elas conseguirão [igualar os salários]. Mas não é assim. Então, por que pagar o mesmo? Eu acho ridículo e não vejo motivo para essa discussão", disse o holandês, treinador do Atlanta United desde dezembro.
O assunto fez parte da entrevista porque a Federação Holandesa estuda um meio de equiparar os salários de jogadores e jogadoras da seleção. Nos EUA, o tema ganhou força após a equipe feminina sagrar-se tetracampeã mundial, em julho.
A final foi contra a Holanda, finalista pela primeira vez e derrotada por 2 a 0, em Lyon, na França.
De Boer tentou explicar ao "The Guardian" seu ponto de vista. Afirmou que defende igualdade de direitos entre homens e mulheres, isto é, salários iguais para cargos iguais, no mercado de trabalho.
"Eu acredito que esse assunto começou porque as mulheres são mal pagas, especialmente em cargos gerenciais", disse. "Ao me ver, elas têm de ganhar o mesmo que um homem ganharia. Se ela for contratada para ser gerente de um banco, ou algo assim, deve receber o mesmo que um homem ganharia naquele cargo. Afinal, ela fará o mesmo trabalho que um homem faria. Mas essa discussão foi levada ao mundo dos esportes de repente. Mas é [um mundo] diferente [do mercado de trabalho]".
