Nesta terça-feira (30), a técnica Pia Sundhage foi apresentada oficialmente como nova comandante da seleção brasileira feminina de futebol, na sede da CBF.
É a primeira vez que a seleção feminina será comandada por uma estrangeira e a segunda por uma mulher, após Emily Lima, em 2017.
Para abrir a cerimônia de apresentação, Rogério Caboclo apresentou Pia. “É um momento de grande alegria trazer a melhor treinadora do mundo para o melhor futebol do mundo. Eu creio que vai ser a conjunção de fatores que trarão para nós um grande sucesso”, disse o presidente da CBF.
Caboclo também afirmou que pode realizar tudo o que de melhor a CBF pode propor, de acordo com os pedidos da Pia e nada será negado, garantindo: “Desde a integração das seleções principais a seleção de base, até as convicções dela sobre as competições do Brasil, não haverá pedido negado”
Ele também acredita que, com a chegada de Pia, o futebol pode chegar a um outro patamar e será mais prestigiado e ainda finalizou: “Seremos vencedores. Tenho certeza disso. E não é resultado de curto prazo. Eu acredito que a partir de hoje, nós estaremos definindo as próximas décadas do que será o futebol feminino do Brasil”.
COM A VOZ: PIA SUNDHAGE
A nova técnica da seleção brasileira tem muita história dentro do futebol. Eleita em 2012 a melhor técnica feminina da Fifa, Pia mostrou-se muito entusiasmada em comandar o Brasil.
Ela já teve dois dias intensos trabalhando na CBF e afirmou estar muito feliz. “Tenho respirado futebol, é um grande passo para mim, eu estou muito orgulhosa e estou muito feliz. Eu amo isso! Eu espero grandes coisas como técnica, vou trabalhar duro, bem duro, e ter certeza de que darei meu melhor”, falou.
Questionada sobre uma possível final – e título – olímpico no ano que vem, ela acredita ser importante trabalhar um passo de cada vez e primeiro pensar na medalha para depois pensar num título. Mas dá grandes esperanças: “Se fizermos a lição de casa, será ótimo”. Ela também reconheceu que o Brasil jogou bem na Copa do Mundo feminina, apesar de ter sido eliminado pela França nas oitavas de final.
A técnica bicampeã olímpica disse que para ela, o primeiro passo, é trabalhar duro e garantiu que está no cargo para cuidar das prioridades, embora ainda acredite ser cedo para que ela responda quais são elas. “Agora é impossível aqui eu responder essa questão, mas prometo te dar a resposta, passo a passo. Algumas prioridades que o Brasil tem, a seleção tem, saberemos o quanto antes”, garantiu.
RELAÇÃO COM A MARTA
Marta jogou na Suécia durante 5 anos. A seis vezes melhor do mundo é naturalizada sueca e enviou um recado de ‘boa sorte’ à Pia na língua nativa da treinadora, que não fala português, “ainda” – segundo ela mesma.
Ela afirma que já viu Marta jogando na Suécia e que pode enxergar que ela tem o futebol dentro do coração. “Teremos uma boa relação com respeito e eu não sei exatamente no que isso implica na sua posição dentro de campo, é muito cedo para dizer”, disse.
Pia também disse que precisa ganhar respeito da jogadora e criar um relacionamento, e relembrou: “Já conversamos em inglês e sueco, infelizmente ainda não português, mas ela disse que eu preciso aprender português”.
Mas ela também disse que não se pode jogar tudo nas costas de Marta, porque afinal, a seleção brasileira é um time. “Não é tudo sobre a Marta, é o time. Todos os times contam com estrelas, eu tive estrelas nos Estados Unidos, na Suécia, mas no fim do dia é o time que vence”, ressaltou.
A técnica também não deixou de citar Pelé e relembrou da Copa do Mundo de 1958, quando Brasil goleou a Suécia com golaço do 'Rei'. "Toda vez que se fala em Brasil na Suécia, nós lembramos de 1958. Eu era uma grande fã do Pelé. Quando eu era criança, o meu apelido era 'Pelé'. O meu nome é Pia, mas eu me chamava de Pelé", confessou.
E ao relembrar de como o país do futebol é visto na Suécia, ela não deixou de falar de Marta. "Mas existe uma outra jogadora, que é a Marta. Esses dois jogadores representam o Brasil para a maioria dos suecos. É muito inspirador, porque os brasileiros são muito mais técnicos do que os suecos", finalizou.
