<
>

Capitã do Iranduba abre o jogo sobre problemas no clube e garante: 'Não falta empenho e dedicação de ninguém da equipe'

O Esporte Clube Iranduba da Amazônia vem passando por dificuldades no futebol feminino e fugindo da zona de rebaixamento do Brasileirão. Após a derrota sofrida pelo Santos por 5 a 0 em partida válida pela série A1 do torneio, a lateral Monalisa desabafou dizendo que realmente o clube está com problemas internos, mas não falou quais.

No último final de semana, o time viajou até São José do Rio Preto, interior de São Paulo, para jogar contra a Ponte Preta. O mal foi muito além da derrota por 3 a 2: as jogadoras viajaram por 15 horas antes de chegar ao destino.

O itinerário começou com viagem de avião até Brasília e de lá, para São Paulo, com mais uma escala até chegarem à Presidente Prudente, e não acabou por aí. De lá, ainda houve uma viagem de ônibus até o destino final, que durou mais 3 horas. Isto tudo em véspera de jogo. A volta reservava mais 17 horas para as atletas.

Foi o que relatou a capitã Djenifer Becker em sua conta pessoal do Twitter, além de ter dito que, na véspera do jogo, foi servido feijoada.

Em conversa com o espnW.com.br, Djeni justificou os motivos pelos quais a levaram fazer o relato nas redes. “Foram para servir como ‘alerta’ tanto para quem está fora criticando a modalidade poder saber e ver um pouquinho da realidade das nossas viagens. E também para quem é responsável pelas nossas logísticas”, disse.

Ela ainda alertou não ser um problema apenas enfrentado pelo Iranduba. “Não falo só pelo que nós do Iranduba passamos, falo de todos os clubes femininos do Brasil, para os responsáveis reverem a forma que estão tratando o futebol feminino”, completou.

Lembrando que, na semana passada, Emily Lima, técnica do Santos, também fez um desabafo em suas redes sociais pela péssima logística oferecida antes do jogo justamente contra o Iranduba, em Manaus.

“Essa logística não tem nada a ver com o Iranduba, até porque se tivesse, jamais o clube faria uma logística desse nível para se prejudicar. E também minha colocação não foi nem para minimizar os resultados negativos. Como falei, foi somente para alertar e procurar soluções, pois os problemas todos nós já sabemos que temos e são muitos, então o foco é na solução”, falou Djeni.

A empresa responsável pelas logísticas é Pallas, terceirizada pela CBF e a mesma que teve problemas com a equipe das Sereias da Vila na última semana.

SITUAÇÃO DO IRANDUBA

A Série A1 do Campeonato Brasileiro está chegando ao fim da primeira fase. Do lado de cima da tabela, Santos e Corinthians brigam ponto a ponto para manter a liderança, com vantagem para o time da Baixada em saldo de gols.

Embaixo, Sport está na lanterna sem somar nenhum ponto (16º). O Iranduba está em 11º, com 12 pontos, apenas um a menos do que a Ponte Preta, Foz Cataratas e Vitória-PE, brigando para não ser rebaixado para a Série A-2 no próximo ano.

O time é 8 vezes campeão amazonense. Na Libertadores do ano passado, fez sua primeira participação no torneio, chegando a fase semifinal, mas foi derrotado pelo Atlético Huila, da Colômbia, que também venceu do Santos na final e faturou o primeiro título da história.

“Quando cheguei no Iranduba, não era conhecido nacionalmente, e reconfiguramos a forma de ver o futebol aqui e de como trabalhar com o futebol, com mais profissionalismo. Foi encantador, no meu segundo ano aqui, estávamos batendo recorde de público. Isso tornou o Iranduba conhecido em cenário nacional, isso encantou todo mundo e todo torcedor daqui”, reconheceu Djeni.

“Por outro lado, [o time] acostumou o público e as pessoas que passaram a conhecer o Iranduba, como um time vencedor, além de levar público para os estádios, éramos líderes na época. Então acostumamos o público desta forma”, desabafou. Em 2017, mais de 25 mil pessoas compareceram à Arena da Amazônia para acompanhar a semifinal do Brasileiro feminino contra o Santos.

Não se sabe exatamente o que está acontecendo internamente. Foi algo que Djeni identificou como “questões burocráticas, digamos assim. Não foi por má fé de ninguém”. Antes da Copa do Mundo, o Hulk perdeu seis atletas titulares e está prestes a perder mais algumas, que já estão recebendo propostas de outros times.

Mas Djeni, assim como Monalisa, se abstém de se aprofundar no assunto: “Esse ano tivemos alguns problemas internos, que não vale ressaltar aqui, acabamos perdendo algumas jogadoras titulares e isso fez nosso time ficar bastante limitado em questão de número de atletas e de qualidade também”, lamenta.

“Ao meu ver, isso é um dos motivos dos resultados não serem o que esperávamos, mas o empenho e a dedicação para dar a volta por cima não está faltando de ninguém da equipe”, completou a meia, confiante com a permanência na elite do futebol.

Em 13 jogos, o Iranduba teve 3 vitórias e 3 empates. Após a última derrota contra a Ponte Preta, o Hulk acabou caindo mais uma posição na tabela e está a duas posições de ficar na zona de rebaixamento.

Para fugir da degola, elas enfrentam o Internacional em casa, no próximo domingo e, pela última rodada, o Sport, em Recife.