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Copa do Mundo: Conheça Asako Takakura, a primeira treinadora mulher da história da seleção japonesa feminina

Vice-campeã da última Copa do Mundo Feminina, a seleção japonesa chegou a atual edição com sede de título após a conquista de 2011, na Alemanha.

Apesar de não estar entre as principais favoritas este ano, as 'Nadeshiko Japan' chegam a última rodada da primeira fase com chances de classificar em primeiro no Grupo D, enfrentando nesta quarta-feira, às 16h, a Inglaterra, forte candidata ao título e atual líder da chave.

A renovação é uma grande marca da equipe convocada para o mundial na França, que conta com 13 jogadoras de até 23 anos; entre elas, as atacantes Riko Ueki e Jun Endo, peças mais novas do elenco, ambas com 19. A aposta na juventude foi uma escolha de alguém que alcançou voos altos com ela ao longo da carreira: Asako Takakura.

Candidata a melhor técnica do futebol feminino no mundo em 2018 pela Fifa, Takakura, de 51 anos, é a primeira mulher a assumir o comando do Japão na categoria. A ex-atleta tem grande parte de sua história entrelaçada com o crescimento da modalidade no país, e durante seis anos comandou categorias de base da seleção feminina nacional até chegar ao profissional, em 2016.

Raízes no esporte

Nascida em Fukushima, a hoje treinadora mal conhecia o futebol quando decidiu se envolver com ele. Ainda aos 9 anos, começou a jogar por influência dos amigos - quase todos homens - em um clube da cidade, onde acabou mostrando habilidade para o esporte.

Em uma época na qual encontrar equipes femininas era quase impossível, Asako conquistou vaga em um time de Tóquio enquanto cursava o ensino médio. Por conta das aulas, ia aos treinos na capital somente aos finais de semana, enfrentando um percurso de pouco mais de três horas para poder treinar com um time de garotas. Nos outros dias, fazia sua preparação com uma equipe masculina de Fukushima.

Ainda aos 15 anos, a jovem teve sua primeira oportunidade na seleção; mas só passou a jogar em um clube profissional aos 17 anos, quando mudou-se para a capital. Estabelecida em Tóquio, assinou com o Yomiuri Beleza, onde foi campeã da L.League em quatro temporadas seguidas (90, 91, 92 e 93), e eleita duas vezes a MVP do torneio.

Como jogadora, Asako Takakura teve rápida passagem pelo Matsushita Electric Panasonic Bambina, de Osaka, em 1999. Na época, já estava casada com o também técnico Kazuhiko Takemoto, que comandava o time masculino do Gamba Osaka. No ano seguinte, transferiu-se para os Estados Unidos onde jogou pelo Silicon Valley Red Devils, antiga equipe da liga feminina - na época, ainda amadora.

Pelo Japão, a meio campista acumulou convocações, chegando a 79 partidas com a camisa da seleção. Asako disputou seis edições da Copa da Ásia - principal torneio de seleções do continente asiático -, dois Jogos Asiáticos, duas Copas do Mundo e também uma Olimpíada, em 1996.

Uma nova visão de jogo

Após encerrar a carreira em 2004 no Speranza FC Takatsuki, Takakura passou a assumir funções dentro das categorias de base femininas do Japão.

Com passagem até mesmo pela seleção sub-13, seu primeiro cargo em categorias competitivas surgiu em 2009, quando se tornou auxiliar técnica da seleção sub-17. O desempenho na função a credenciou a se tornar treinadora da equipe dois anos depois, onde conquistou a Copa da Ásia em 2013 e a Copa do Mundo do ano seguinte, na Costa Rica.

Baseada em uma filosofia que valorizar inteligência e técnica em detrimento da força e fisicalidade, Asako Takakura conseguiu extrair grandes performances da equipe nacional, realizando um trabalho que a levou a assumir o sub-20 em 2015 e, no ano seguinte, a função de treinadora da seleção profissional.

“Eu gostaria de mostrar ao mundo o estilo de jogo do Japão, e realmente acredito que esse seja um atalho até a vitória. Nós não copiamos o jeito de jogar de outras equipes”, declarou a treinadora em entrevista a Fifa em maio.

No lugar de Norio Sasaki, treinador que levou o Japão ao seu primeiro título mundial em 2011, Takakura vem mostrando eficiência em seu estilo de trabalho. No último ano, se tornou campeã novamente da Copa da Ásia, e desde 2012, foi eleita seis vezes ao prêmio de treinadora do ano no continente.