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Centroavante de Nigéria e Barcelona era punida pela mãe se jogasse futebol com meninos na infância

Quando era uma pequena criança crescendo na Nigéria, Asisat Oshoala sonhava em jogar futebol. Sua vontade era tanta que ela passava por obstáculos como o tratamento de sua própria mãe, que deixava de lhe dar o dinheiro da merenda se descobrisse que ela estava na rua batendo bola com os meninos.

Mas nem mesmo a falta de apoio da sua família foi capaz de parar Oshoala, que hoje é centroavante da seleção nacional e do Barcelona.

Inspirada em Jay Jay Okocha e Nwanknwo Kanu, dois principais nomes da história do futebol nigeriano, Oshoala arriscou seu futuro ao deixar os estudos para perseguir o sonho de se tornar jogadora quando recebeu a oportunidade de mudar de cidade e tentar a sorte em um clube profissional, o FC Robo.

Em 2014, veio a oportunidade de ouro: a disputa da Copa do Mundo feminina sub-20. E Oshoala não poderia ter aproveitado de maneira melhor. A atacante foi o grande destaque da campanha nigeriana, que terminou com o vice-campeonato, sendo eleita a melhor jogadora da competição, além de ter terminado como artilheira com sete gols.

No mesmo ano, veio a Copa Africana de Nações profissional e Oshoala voltou a se destacar. Apesar de ter sido apenas a vice-artilheira, com quatro gols, foi eleita a melhor jogadora do campeonato e chamou a atenção de grandes clubes da Europa. Em uma prova do tamanho da exigência que tem consigo mesma, a atacante chegou a afirmar que não gostou do seu desempenho na competição e "que não fez muitos gols e poderia ter jogado melhor".

Disputada por várias equipes, assinou com o time feminino do Liverpool. Na Inglaterra, recebeu o apelido de "Seedorf nigeriana" pela semelhança com a estrela holandesa, e de "Superzee". Na Premier League, se destacou o suficiente para fazer o Arsenal, um dos principais rivais do Liverpool, pagar a multa do contrato e levá-la para Londres.

Depois de jogar pelos Gunners, foi para China e voltou ao futebol europeu quando assinou com o Barcelona em janeiro deste ano, a princípio por empréstimo. Após ver a atacante marcar oito gols em 11 jogos, o clube catalão assinou um contrato de três anos com a nigeriana.

Na final da Champions League feminina, o Barcelona foi atropelado pelo Lyon por 4 a 1. O gol de honra dos espanhois foi marcado por Oshoala. Em 2019, a atacante lidera a seleção nigeriana na disputa da Copa do Mundo e marcou um dos gols na vitória por 2 a 0 sobre a Coréia do Sul. Ao longo de sua carreira, Oshoala recebeu o prêmio de melhor jogadora do continente africano em três oportunidades: 2014, 2016 e 2017.

Se Oshoala teve que se inspirar em jogadores do futebol masculino para seguir seu caminho, ela quer garantir que as próximas gerações de meninas tenham exemplos de mulheres para se inspirarem. Com uma fundação que leva seu nome, a atacante treina e conversa com jovens que querem se profissionalizar como jogadoras.

Mas, acima de tudo, conversa com os pais para garantir que eles saibam da importância do sonho de suas filhas e que o esporte significa tanto para elas quanto para os homens.

"Eu explico para eles o quanto o esporte é importante para as meninas. Mostro que é possível jogar futebol e se manter focada nos estudos ao mesmo tempo. Digo que é possível jogar futebol e ainda ser mulher. É possível com respeito e igualdade", afirmou em entrevista à ESPN americana em maio.