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Jéssica Bate-Estaca relata como foi assalto com arma na cabeça e diz não sair mais a noite: 'Ainda bem que não me reconheceram'

Há cerca de uma semana, a campeã do UFC 237, Jéssica Andrade, sofreu um assalto em Niterói, no Rio de Janeiro. Por volta de 2 horas da manhã, enquanto dirigia, ela e a esposa viram uma moto se aproximando na contramão.

Jéssica contou com exclusividade ao espnW.com.br sobre os momentos de pânico que passou. “O sinal fechou e eu diminui. Vi uma moto vindo e, quando dei conta, ele já estava entrando na contramão, parou do nosso lado e eu não estava entendendo o que estava acontecendo”, disse a campeã, que completou: “Pensei: ‘será que está perdido? Vai perguntar algo?’ Quando vi o passageiro descendo e engatilhando a pistola, já pensei: ‘agora lascou’”.

Até aquele momento, Jéssica disse que achou que os bandidos fossem levar apenas os pertences, mas um deles mandaram elas descerem do carro, enquanto o outro, pedia a aliança de ouro da Fernanda.

“Não sei o que aconteceu, fiquei meio sem reação, sem entender. Desci do carro, mas em momento nenhum vi ele apontando a arma para minha cabeça, eu não percebi nada”, contou.

Os bandidos entraram no carro e ao tentarem sair, tiveram um problema com o freio de mão, que Jéssica relembra: “O freio de mão do meu carro é um botão e estava puxado. Ele não conseguia sair com o carro. Aí eu falei ‘pronto, ele não sabe mexer com o carro, vai descer dar um tiro em nós, e estamos lascadas’. Ai a Fernanda gritou ‘o freio de mão! ’”, foi então que o parceiro o mandou abaixar o freio e mão e os dois partiram.

Desamparadas, ela e a esposa entraram em uma farmácia próxima. Lá, tinha um casal de idosos e uma moça que trabalhava em um restaurante. Jéssica explicou a situação e pediu para que a moça ligasse para a polícia. “Na hora, eu não lembrava nem a placa do carro”, relembrou.

Com Fernanda em pânico, elas ligaram para a polícia, descreveram o carro e a polícia passou na farmácia, perguntando para onde os bandidos tinham ido. A moça do restaurante a entregou 40 reais para caso precisassem de alguma coisa. “Nessa hora, eu não sabia se eu chorava por causa do carro ou pelo que ela estava fazendo, porque ninguém faz isso. Fiquei muito feliz naquele momento e eu preciso ir até lá dar um presente a ela”, compartilhou Bate-Estaca.

O casal de idosos levou Jéssica e Fernanda para a delegacia. “Essas coisas ruins acontecem, mas Deus está sempre ali com os anjos para nos amparar quando precisamos. E ele mandou essas três pessoas para nos ajudar” – disse, e completou – “Só tenho a agradecer todas essas pessoas”.

Após um tempo na delegacia, os policiais chamaram um taxi para elas voltarem para casa e foi quando elas procuraram bloquear os cartões e tudo mais o que podiam.

Durante o assalto, Jéssica diz: “Eu abaixei a cabeça, deixei levar tudo, fiquei bem tranquila. Não sei de onde tirei tanta tranquilidade. Porque a Fernanda ficou em pane total e desesperada. Eu abraçava ela e dizia que estava tudo bem, que íamos para casa e não ia acontecer mais nada”.

Ela confessou também que, nos primeiros dias, elas ficavam até com medo de sair na sacada de casa e que até agora, não estão saindo mais a noite. Quando precisam, voltam no máximo às 22h para evitar ficar na rua de madrugada.

O que ela comemorou foi o fato de os bandidos não a terem reconhecido. “A minha sorte é que nenhum deles me conheceu. Eu estava com um pano branco na cabeça, estava bem disfarçada, e o tempo inteiro ficava de cabeça baixa”, falou.

Ela também disse que em momento nenhum pensou em reagir. “Se a pessoa te assalta sem arma, você pode usar a autodefesa e consegue se defender de alguma forma, mas quando a pessoa está armada, não tem como colocar sua vida em risco. Bens materiais a gente recupera, mas a vida é uma só”.

A polícia encontrou o carro e os documentos do casal. Jéssica agradeceu não ter estado cinturão naquele dia. Ela também ressaltou, novamente, que as três pessoas que a ajudaram foram anjos.

“Nessas horas vejo que todo mundo me conhece e ali foi uma coisa de Deus não terem reconhecido, termos ficado bem e nos livrado, sem terem tentado me sequestrar”, disse Jéssica, que finalizou com bom humor: “As pessoas pensam que sou rica, mas estou mais pobre que todo mundo junto. Se me sequestrarem, não vão ganhar nada, só uma bala”.