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Das quadras para a sala de aula: campeã mundial em 94, Alessandra é pós-graduada, mira mestrado e ainda joga basquete

“Outro dia falaram: ‘Você não se cansa?’. E não, minha paixão é estar na quadra. Eu já tenho 45 anos e não tenho dor nenhuma”, disse Alessandra Santos de Oliveira ao espnW.com.br. A ex-pivô é um dos grandes nomes que esteve na conquista histórica do Mundial de basquete feminino em 1994, na Austrália. Junto com Paula, Hortência e Janeth, ela também esteve em Atlanta-1996 para conquistar a medalha de prata e mais tarde, em Sidney, conquistou o bronze.

Hoje em dia, ela continua jogando tanto no basquete 3x3 – modalidade que será olímpica a partir do ano que vem, em Tóquio – e no 5x5, no qual disputa algumas partidas do campeonato paranaense.

Em 2016, nas olímpiadas do Rio de Janeiro, Alessandra se candidatou para ser voluntária. Lá, ela limpava e secava o piso da quadra, cuidava das bolas e ajudava na organização da Arena Carioca 1. Na ocasião, ela chegou a afirmar que se tivesse quatro anos a menos, estaria jogando, mas que optou por ser voluntária porque queria estar de alguma forma perto do basquete.

Atualmente, a ex-pivô tem se dedicado a crianças, além de ter se formado em Educação Física. “Foi mais um desafio, com 40 anos de idade, sentar todos os dias 7h30 da manhã na sala de aula. Sou formada, pós-graduada. Ano passado tive a pós-graduação pelo basquete TX3 pelo Comitê Olímpico”, contou, assumindo também que já está pensando no mestrado.

Para ela, dividir a sala com jovens foi um grande desafio e ela conta que ganhou alguns mascotes: “Eu tenho uns mascotinhos na sala. Os meninos me olhavam e eu falava que eram meus filhos”, sorriu, agradecendo a oportunidade de bolsa de estudos que a universidade a proporcionou.

Por outro lado, ela disse ter sido mais fácil por conta da mente de atleta dos colegas de sala: “Se eu tivesse num ambiente sem atletas, seria muito mais difícil. Nós falávamos de mesmas emoções, alguns vieram me pedir conselho, como é estar na seleção brasileira, como se focar, como manter. Foi uma troca de experiências. Eu não estava acostumada com o digital e eles são dessa geração, por exemplo”.

Nos estudos, ela disse que aprendeu muitas coisas diferentes e primordiais para seguir em frente, como a parte fisiológica. E sobre aprender outros esportes, ela ressaltou que a experiência que teve enquanto jogava na Europa era ótima, já que durante a off season, as jogadoras eram incentivadas a praticar outros esportes para ter um descanso ativo e, graças a isso, as novidades da faculdade não foram um obstáculo a ela.

Além de incansável dentro de quadra e sempre disposta a aprender coisas novas e se desenvolver fora dela, Alessandra atualmente dá clínica para crianças e adolescentes. “Essa é minha paixão” – confessou a ex-pivô – “Não sei se serão jogadores de basquete, mas é questão de qualidade de vida, promoção do esporte e eles não serem sedentários. Se virarem jogadores, para mim será ótimo. Se tiver outra Alessandra de dois metros para jogar e lutar na seleção brasileira, vou ficar muito contente”, finalizou, dizendo que para ela, é mais importante ainda formar primeiramente bons cidadãos e, depois, ótimos atletas.

Já sobre o cenário atual do basquete, Alessandra citou o crescimento da LBF, que será transmitida pela ESPN Extra e pelo WatchESPN todas as quintas-feiras e estreia nessa semana, excepcionalmente na sexta-feira (08), Dia Internacional da Mulher, às 19h30, com o jogo entre SESI Araraquara e Vera Cruz Campinas.

“Lógico que tem muito o que evoluir, são pequenas sementes sendo plantadas e semeadas para que no futuro, ele se torne como esteve no passado. É um trabalho árduo, difícil, terão altos e baixos, erros e acertos, estou aqui para apoiar e tentar dar meu melhor, o que puder ajudar e estar sempre farei”, disse Alessandra.

Ela também relembrou que o grande problema atualmente é a seleção brasileira e que para melhorar este buraco, a liga terá papel fundamental. “Fico feliz de cada ano que passa, a LBF evoluindo. Espero que evolua mais e que a gente consiga garimpar talentos que estamos precisando para a seleção brasileira”, conclui.