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Peso-mosca do UFC, Paige VanZant conta sua luta para construir carreira dentro e fora do octógono

Paige VanZant em sua vitória em cima de Rachael Ostovich pelo UFC Josh Hedges/Zuffa LLC

“Algumas pessoas têm ‘este fator X’ que você não pode ensinar para os outros”, disse o presidente do UFC, Dana White, sobre Paige VanZant em 2015. “E Paige tem isso”.

Naquele momento, VanZant, da divisão peso-mosca, tinha exatamente uma luta em seu cartel do UFC – uma vitória por nocaute no terceiro round em sua estreia – e tinha recentemente fechado um contrato altamente cobiçado com a Reebok. Dos atletas que assinaram um contrato com a marca esportiva na época (Johny Hendrick, Jon Jones, Conor McGregor, Anthony Pettis e Ronda Rousey se uniram à VanZant para completar a lista), ela era a única lutadora sem cinturão. Nessa semana, Rose Namajumas, detentora do cinturão peso-palha, também afirmou parceria oficial com a marca.

Quatro anos depois, VanZant continua sem cinturão e sem uma renovação de contrato com a marca. Em quatro lutas, ela sofreu três derrotas, mas isso não a impediu de crescer dentro e fora do octógono. No ano passado, ela lançou um livro chamado “Rise: sobrevivendo a luta da minha vida”, em que ela falou sobre suas lutas contra assédio moral e agressão. Em 19 de janeiro, no UFC Fight Night 143 – Cejudo vs. Dillashaw, ela conseguiu uma vitória, finalizando Rachel Ostovich com um armlock.

“ESPN The Magazine” conversou com a lutadora, que foi confirmada no UFC 236 para enfrentar a brasileira Poliana Botelho, que deixou o peso-galo e subiu de categoria, e ela falou sobre como construiu sua marca e como o marketing influenciou em sua carreira como lutadora.

ESPN: Como se sente por ser designada como uma lutadora que tem o “fator X”? É alguma pressão para você?

VanZant: Eu realmente não penso muito nisso. As marcas continuam querendo fechar comigo mesmo se eu continuar fazendo sucesso. Isso vem do trabalho duro, do sacrifício, de treinar o máximo que posso para continuar vencendo as lutas e tendo sucesso. As empresas pagam para ver você fazendo algo incrível e é isso que quero continuar fazendo. Quero ter uma imagem realmente boa pois tem muita gente, inclusive jovens, olhando para mim.

ESPN: Você agarrou oportunidades fora do octógono. Como ter sido finalista em “Dancing with the stars” (um concurso de danças como “Dança dos Famosos”), “Chopped” (um reality show de cozinha) e seu recente livro. Qual a próxima?

VanZant: Estou definitivamente focada em lutar. Eu não me machuquei na última luta e então estou muito ansiosa para a próxima e voltar ao octógono o quanto antes. Eu agarrei as oportunidades que vieram. Recebo coisas diferentes de meu agente e tudo o que acho que se alinha a minha imagem, eu capitalizo.

ESPN: Se você tivesse que dar uma pauta em suas lutas, qual oportunidade você agarraria?

VanZant: Eu gostaria de ter meu próprio programa de culinária. Eu gostaria de escrever um livro de culinária, eu adoraria continuar aparecendo em programas de TV. Eu sou apaixonada pela indústria televisiva.

ESPN: Por que você sente que é importante ser vista em lugares que geralmente não vemos lutadores do UFC?

VanZant: Não é algo do tipo “Oh, eu preciso que as pessoas me vejam em um lugar diferente”. Eu entendo que eu tenho que fazer algo que ninguém mais está fazendo. Mas eu não estou forçando nada. Eu estive no “Chopped” porque eu realmente adoro cozinhar. Eu tive aulas de culinária quando criança. Eu fiz parte de “Dancing with the Stars” porque cresci dançando. As coisas são genuinamente como eu sou.

ESPN: Você já sentiu resistência externa ou repulsa sobre estar fazendo essas outras coisas?

VanZant: “Dancing with the Stars” é a única coisa que fiz que realmente tirou um tempo da minha vida [ela fez a final em 2016, terminando em segundo lugar com seu parceiro Mark Ballas]. Demorou cerca de três meses a preparação de todo o processo. Mas há uma impressão errônea de que não estou focada em treinar e lutar. Eu sou uma pessoa muito determinada em ter suecsso no UFC e continuar tendo sucesso no UFC. Todo lugar onde vou, eu levo meu marido [o lutador de MMA Austin Vanderford], um treinador ou parceiro de treino. Eu treino constantemente não importa onde estou e o que estou fazendo. Tudo é estratégico e tenho uma equipe focada nessa concentração, colocando as coisas em um lugar específico na minha carreira para que eu não perca sequer um dia de treino. Eu sou uma lutadora primeiro.

ESPN: A aparência física desempenha um papel nas oportunidades que os atletas obtêm da perspectiva comercial e de marketing. O que você diz para murmurinhos como: "Sua aparência te ajudou a chegar aqui”?

VanZant: Espero continuar fazendo ótimas lutas e continuar mudando essa percepção sob mim, mas eu acho que muitas percepções ficarão com você pelo resto de sua vida. Eu sei o quanto meu trabalho é difícil, minha família sabe também. Estou literalmente dando socos na cara, quebrando braços e membros. Eu não acho que se minha aparência estivesse em minha mente, eu continuaria com essa carreira, então eventualmente essa percepção vai mudar, ou talvez não. Eu não posso mudar o caminho que vejo e é isso. Eu nasci assim.