O Palmeiras anunciou recentemente sua nova camisa. Após 12 anos tendo a Adidas como fornecedora, o contrato palmeirense agora é com a Puma.
Mas o que chamou a atenção nas mulheres foi um detalhe que muitas vezes passa desapercebido: a ausência do decote. Jornalista e palmeirense, Luana Maluf publicou em suas redes sociais dizendo que a camisa feminina está do jeito que a torcedora merece: ‘sem decotão, linda e campeã’.
De fato, a baby look do antigo fornecedor tinha um decote que chamava a atenção, o que fazia com que algumas torcedoras não se sentissem à vontade para usar – ainda mais nas arquibancadas do Allianz Parque. “Eu não tenho nenhuma camisa feminina no armário. Vou direto na seção infantil. Quando não tem meu tamanho, uso a P masculina”, disse Luana ao espnW.
Fundadora do Projeto “Passa a Bola”, grupo de garotas que se reúne toda semana para jogar futebol, ela disse que a marca pediu opinião das meninas para entender as necessidades. Para ela, camisa de futebol tem que ser democrática: “Ela deve atender ao corpo e à necessidade de um grupo imenso de pessoas, tendo como preocupação apenas o tamanho. Quando você faz uma camisa com um decote enorme, automaticamente você está excluindo mulheres que não se sentem à vontade ou não ficam bem no modelo”, afirmou a palmeirense, que diz também que o decote é “invasivo e desconfortável” e que conhece muitas mulheres que deixavam de comprar o modelo feminino por este motivo.
Não é a primeira vez que vemos mulheres reclamando do decote das camisas de futebol. Na temporada 2017/2018, o Flamengo lançou uma camisa inspirada na época vitoriosa do time da Gávea na década de 1980 e colocou botões na gola.
Porém, a versão feminina foi apresentada com um decote e justamente sem o principal detalhe: os botões. Nas redes sociais, algumas torcedoras se manifestaram com revolta.

Fabio Kadow, diretor de marketing da Puma Brasil, revela que o primeiro passo para a criação da nova camisa foi ouvir os próprios palmeirenses. “Uma das questões apontadas pelas meninas foi o decote que as últimas camisas traziam, motivo pelo qual muitas delas acabavam comprando a masculina ou infantil. Os designs de nossas camisas femininas já são normalmente mais fechados. Então vimos que deveríamos e poderíamos manter assim, sem perder a feminilidade”, afirma o executivo.
O diretor também destaca a importância do uniforme do Palmeiras para o torcedor. “É muito mais do que uma simples camiseta. Nossa responsabilidade é grande. Procuramos tratar as torcedoras com respeito”, aponta.
Mas, embora alguns times e marcas estejam aos poucos se adaptando aos modelos femininos sem o decote em ‘V’, as torcedoras ainda enxergam alguns pontos que precisam melhorar.
Isabel Nascimento, dona do canal ‘Imparcialmente Santista’, no Youtube, disse que as camisetas do Santos, fabricadas pela Umbro, não têm gola que a incomodam e os motivos que a levam para a seção infantil são outros: “Às vezes, compro infantil por ser mais barato e ter modelos que não tem na feminina, como a branca e dourada, por exemplo. Eu não queria a camiseta rosa, queria dourada. Então comprei infantil”, ressalta a torcedora.
As camisetas femininas atuais do Corinthians (Nike) também não têm decote. A jornalista Maíra Telles explica: “Ela é um pouco mais aberta no pescoço que a masculina. As decotadas são as retrôs e, para usá-las, coloco uma regata por baixo para me sentir mais confortável”, explica.
Jornalista e atleticana, Clara Gomes admite que algumas das camisas do Atlético-MG (Topper) têm um generoso decote em 'V', mas destaca ainda outro detalhe, que vai ao encontro com o problema sofrido pelo Flamengo em 2017. “O decote realmente não me incomoda. O que vejo muitas vezes é o modelo feminino ser muito diferente do masculino, o que acaba descaracterizando a camisa”.
O fato é que as torcedoras têm se tornado cada vez mais consumidoras de camisas de futebol, o que aumenta o desafio para as marcas no desenvolvimento e diferenciação dos produtos. Embora o gosto seja algo muito pessoal, é primordial que elas sejam ouvidas para que, cada vez mais, possam usar roupas e frequentar estádios de maneira mais agradável e confortável. Afinal, arquibancada é um lugar de todos – e todas.
