Neste sábado (08), a Scotiabank Arena, no Canadá, recebe o UFC 231. Duas disputas de cinturão estão em jogo. Uma delas é entre Valentina Shevchenko, que vem de uma vitória devastadora contra a brasileira Priscila Cachoeira e Joanna Jedrzejczyk, que perdeu o cinturão para Rose Namajumas no peso palha, em abril. As duas disputam cinturão do peso-mosca, categoria acima das lutas anteriores. Do outro lado, o havaiano Max Hollowey, atual detentor do título após derrubar José Aldo, enfrenta o desafiante Brian Ortega, com 14 vitórias em 15 lutas e o jiu-jitsu muito afiado. Eles disputam o cinturão dos pesos penas.
Em um card repleto de brasileiros, porém, há alguém no card preliminar que se destaca: Claudia Gadelha. Faixa preta de jiu-jitsu desde os 21 anos, a brasileira que completa 30 anos hoje, volta ao octógono após passar por uma cirurgia no joelho. A vitória em cima de Carla Esparza, no UFC 225 em Chicago, Claudinha, que já vinha com lesão, saiu da luta e foi praticamente direto para a sala de cirurgia.
“Machuquei dez dias antes da minha última luta, só consegui lutar por conta do tratamento que o Instituto de Alta Performance do UFC me ofereceu. Fiz a cirurgia uma semana após lutar e na semana seguinte à cirurgia, já estava no instituto fazendo a recuperação” – disse Gadelha em entrevista ao espnW. Para ela, o tratamento recebido dentro do centro de treinamento foi o que a fez recuperar ainda mais rápido para que pudesse voltar saudável. Em dois meses, ela já estava treinando normalmente e, como ela disse, “meu joelho está 100% e sem problema algum, fiz uma ótima preparação para essa luta, não me lesionei e estou pronta”.
Claudinha enfrenta a norte-americana Nina Ansaroff, que conta com um cartel de 14 lutas e 9 vitórias. A namorada da brasileira Amanda Nunes certamente investirá em socos para derrubar Gadelha, já que é sua especialidade. Nina sempre costuma perder peso e se desidrata bastante, o que pode ser uma real desvantagem, já que no duelo que teria contra Rose Namajumas no peso-palha em maio de 2015, ela se sentiu mal e não lutou.
Teoricamente pertencente ao peso de cima, Gadelha vê certa vantagem equiparando-se à americana, não apenas pelo corte de peso, mas por técnica. Por isso, a lutadora afirmou: “A Nina realmente é da categoria de cima e ela desidrata muito para bater 52kg. Apesar dela ser maior do que eu, me considero mais rápida e mais forte que a ela” – disse, completando que se considera uma das garotas mais fortes do peso-palha “Acho que eu, a Jéssica e a Tatiana somos as mais fortes da categoria e a nossa força pode ser equiparada nas categorias de cima. Acho que a velocidade vai fazer diferença nessa luta”.
Morando há dois anos em Las Vegas em busca de uma melhor preparação, Claudinha saiu de sua antiga equipe carioca, Nova União, para treinar no Instituto de Alta Performance do UFC. Com isso, ela afirmou que hoje enxerga a luta de uma outra forma: “Estou muito feliz agora em Vegas e onde treino. Aqui eles lapidam muito a parte da ciência do esporte, algo que nunca tive na vida. Passei da transição da ‘luta briga’ para a ‘luta esporte’. Isso foi desafiador e considero que é um grande diferencial no meu jogo”, disse.
No Instituto, ela contou ter focado muito na preparação física individual e, para essa luta em específico, ela teve dois homens como sparrings e focou mais no cardio do que na força. Confiante, ela finalizou - “Acredito que a evolução vai vir daí: meu treinamento e o fato de eu ver hoje a luta como um esporte de alta performance”.
