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Piloto teste da F1, Tatiana Calderón tornou-se a primeira latina atrás de um volante na categoria

Tatiana Calderón é oficialmente piloto teste da Sauber. Getty Images

Quando pilotava karts com 9 anos em Bogotá, sua cidade natal, Tatiana Calderón sonhava em pilotar um carro de Fórmula Um. 16 anos depois, ela comandou um Sauber C37 - com câmeras tirando fotos e uma multidão gritando pela Colômbia - ela se tornou a primeira latina atrás de um volante na Fórmula Um.

"É um dia que me lembrarei pelo resto da vida", disse ela após completar 23 voltas no Autódromo Hermanos Rodríguez, na Cidade do México. Calderón completou a corrida como parte de um evento promocional da Alfa Romeo Sauber, a equipe que a contratou para ser piloto de testes. "Foi incrível. Depois [do teste], eu disse à minha equipe que só quero dirigir esse tipo de carro a partir de agora", disse a piloto de 25 anos.

Em um circuito que poucos dias antes coroou o quinto título mundial de Lewis Hamilton, Calderón se juntou a um grupo de mulheres que acabou com a hegemonia masculina na Fórmula Um.

Durante os 68 anos de Fórmula Um, cinco mulheres - Maria Teresa de Filippis, Lella Lombardi e Giovanna Amati, da Itália, Divina Galica, da Inglaterra e Desiré Wilson, da África do Sul - possuem 29 corridas combinadas, de 1958 a 1992. Outras, como a inglesa Susie Wolff, chegaram perto nos últimos anos, embora não tenham conquistado tanto. A corrida de Calderón foi a primeira vez que uma mulher pilotou um carro de Fórmula Um desde as sessões livres de Wolff para a Williams, no Grande Prêmio da Inglaterra de 2015.

"Estamos mais uma vez impressionados pela dedicação e ética profissional dela", disse Xevi Pujolar, chefe de engenharia da Sauber. "Ela corre como uma profissional e este evento marca um passo positivo para o nosso esporte".

Após sua primeira experiência em um carro de Fórmula Um, Calderón impressionou a equipe com sua velocidade, marcando tempos no México parecidos com os pilotos no Grande Prêmio.

"Me pediram para não dizer, mas vou falar mesmo assim: a Tatiana foi mais rápida em algumas voltas do que Fernando Alonso", disse Beat Zehnder, gerente da equipe Sauber. Porém. Zehnder deixou claro que Alonso correu apenas três voltas no dia antes de abandonar a prova. "Brincadeiras à parte, evidentemente estamos orgulhosos dela", ele acrescentou.

Durante mais de 15 anos, Calderón navegou por diferentes categorias do esporte, acumulando sucessos. "Minha meta sempre foi pilotar [na Fórmula Um], romper barreiras e representar mulheres, este é meu sonho", disse Calderón.

Em 2005, ela se tornou a primeira piloto a vencer um campeonato nacional de kart na Colômbia, o equivalente a Little League Baseball ou ao Pop Warner Football. Três anos depois, Calderón foi a primeira mulher a conquistar um título de kart nacional nos Estados Unidos. Em 2010, ela se juntou ao Pro Mazda, um mini-circuito que hospedou muito pilotos jovens, incluindo Marco Andretti e Graham Rahal, ambos da Fórmula Indy, chegando ao pódio duas vezes e terminando entre os 10 maiores pontuadores em sua segunda temporada. Após sua trajetória em um lado do Atlântico, ela se mudou para a Europa em 2012, com o objetivo de se tornar uma piloto de F1.

Quando se juntou à Fórmula Três, o perfil de Calderón se tornou mais chamativo. Em 2013, ela se tornou a primeira mulher a chegar ao pódio no Campeonato Britânico de Fórmula Três e, dois anos depois, foi a primeira mulher a vencer uma corrida no circuito europeu de Fórmula Três.

Antes da temporada de 2017, a equipe Sauber, da F1, a observou e eventualmente contratou Calderón como piloto de desenvolvimento. Neste ano, ela foi promovida para sua posição atual de piloto de teste, atrás de Charles Leclerc e Marcus Ericsson.

"Dei a eles um motivo para acreditarem em mim", disse Calderón. "Todo o trabalho e esforço valeu a pena. E ainda não cheguei onde eu quero".

As posições para pilotos de teste costumam ser a última barreira entre um jovem piloto e um lugar definitivo em uma equipe de Fórmula Um. Por exemplo, Valtteri Bottas, da Mercedes, foi piloto de teste da Williams em 2012 antes de ser promovido um ano depois. Um dos mentores de Calderón, seu compatriota Juan Pablo Montoya, foi piloto de teste da Williams nas temporadas de 1997 e 1998. Três anos depois ele foi promovido após um breve período no circuito CART.

"Conversei bastante com a Tatiana", disse Montoya à ESPN.com em abril. "Não é fácil [chegar na Fórmula Um], é preciso trabalhar muito". Montoya aceitou a função de mentor, oferecendo conselhos e apoio a Calderón. "É ótimo ter inspirado uma geração e tendo sido capaz de abrir portas para outros colombianos atuarem como pilotos".

Começando aos 9 anos de idade, Calderón corria em seu kart, imaginando que era Montoya em uma corrida muito mais importante. "Agora ele me dá conselho antes das corridas, é incrível".

Após ter feito história no México, Calderón voltará para sua casa em Madrid para correr na GP3 Series, um torneio para iniciantes que se fundirá com a Fórmula Três a partir do ano que vem. Nesta temporada, ela terminou sete vezes entre os 10 primeiros no circuito. Para continuar seu desenvolvimento rumo às primeiras colocações, Calderón e a Sauber pretendem testar a sorte dela na Fórmula Dois temporada que vem.

Seu comprometimento é tanto que Calderón negou os rumores de que ela participaria da W Series, uma modalidade apenas para mulheres, a ser iniciada em 2019. “Sempre quis competir contra os melhores. Sempre corri contra homens e não vejo a necessidade de um torneio exclusivo [para mulheres]. Não vou competir lá" – disse ela.

O gosto de Calderón pela realidade foi mais do que suficiente para deixá-la motivada. Conforme entrou na garagem após sua última volta na terça-feira, a multidão de jornalistas se juntou mais uma vez para tirar fotos. Quando saiu do carro, seus olhos se direcionaram aos engenheiros da Sauber. "Quando posso pilotar de novo?"