É claro que as diferenças entre a Copa Libertadores feminina e masculina são bem notáveis. Mas há algumas distinções além do superficial que devem ser citadas, já que a competição entre mulheres chega este ano a sua 10ª edição, enquanto a que envolve os homens está atualmente em sua 59ª edição. A primeira edição da masculina aconteceu em 1960 e a feminina apenas 49 anos depois, em 2009.
Assim como a feminina, a Conmebol realizou muitas mudanças durante o torneio masculino e por isso, vale comparar as dez primeiras edições de cada um deles.
1960 x 2009 – 1ª edição
A primeira edição da masculina aconteceu em 1960, onde participaram apenas sete equipes: Bahia (BRA), Jorge Wilstermann (BOL), Millonarios (COL), Olimpia (PAR), Peñarol (URU) , San Lorenzo (ARG) e Universidad (CHI). O critério para que os times participassem era que fossem campeões nacionais no ano anterior e o primeiro campeão do torneio foi o clube uruguaio Peñarol, dentro de casa, no Estádio Centenário, em Montevidéu.
Já a primeira edição feminina aconteceu apenas 49 anos depois, em 2009, dividindo as disputas entre as cidades de São Paulo, Guarujá e Santos. Participaram dez times, um de cada país membro da Conmebol, sendo eles Santos (BRA), San Lorenzo (ARG), Deportivo Quito (EQU), EnForma Santa Cruz (BOL), Universidad Autónoma (PAR), White Star (PER), Everton (CHI), Rampla Juniors (URU), Formas Íntimas (COL) e Caracas (VEN). As Sereias da Vila foram as primeiras campeãs do torneio, vencendo o Universidad Autónoma na final por uma goleada de 9 a 0, clube que na época contava com Cristiane e Marta, respectivamente artilheira e vice artilheira da competição.
A disputa masculina durou três meses, de abril a junho, enquanto a feminina, durou apenas duas semanas de outubro.
O formato de disputa da masculina seria dividir os times em quatro grupos, porém o Universitario, que seria adversário do Olimpia, desistiu do torneio e o time do Paraguai classificou-se direto para as semifinais. Por conta disso, os clubes foram divididos em três grupos, com dois times cada que se enfrentavam entre si em partidas de ida e volta. Em caso de empate, haveria um terceiro jogo, como aconteceu na semifinal entre Peñarol e San Lorenzo.
Já no feminino, as disputas foram feitas em partidas únicas, como são até hoje. Os times foram divididos em dois grupos, compostos por cinco clubes cada. Os dois melhores de cada grupo se classificaram para as semifinais. Os dois perdedores das semifinais fizeram a disputa de terceiro lugar enquanto os dois vencedores, se enfrentaram na final.
1961 x 2010 – 2ª edição
A segunda edição da Libertadores masculina, em 1961, contou com a participação de nove times, dois a mais do que na edição anterior e durou três meses, de abril a junho. A feminina, em 2010, manteve dez equipes participantes e teve o mesmo tempo de duração da primeira edição.
Na masculina, os jogos também foram feitos em formato de ida e volta, mas foi criado um grupo extra denominado ‘preliminar’ por conta das duas novas equipes participantes. Com quatro grupos no total, além do preliminar, os melhores de cada grupo se classificaram para disputar as semifinais. Essa edição marcou a primeira participação do Palmeiras, que disputou a final contra o Penãrol, mas foi derrotado e o time uruguaio venceu o segundo título consecutivo.
Já na feminina, o formato de disputa foi o mesmo e as Sereias da Vila conquistaram o bicampeonato, em final contra o Everton, do Chile, disputada em Barueri.
1962 x 2011 – 3ª edição
A terceira edição da Libertadores durou mais tempo para os homens do que as outras: 5 meses, indo de fevereiro a agosto. A feminina, manteve o padrão de duas semanas. Dessa vez, o masculino levou um time a mais, totalizando dez e o único país a não enviar um representante foi a Venezuela. A feminina, teve duas equipes a mais, totalizando doze.
A edição de 1962 passou a ser mais valorizada porque foi a primeira vez que o Santos de Pelé participou, vencendo o torneio em cima do bicampeão Peñarol e ainda finalizando com Coutinho na artilharia, Pelé na vice artilharia, além de ter sido o time com a melhor defesa, melhor ataque e também o que marcou a maior goleada. Os times foram divididos em três grupos com três times cada um e o Peñarol avançou direto para a semifinal por ter sido campeão da última edição. Os confrontos também eram feitos no formado de ida e volta.
Já a edição de 2011, que garantiu três vagas para times brasileiros (Duque de Caxias, Santos e São José), foi disputada em São José dos Campos num formato diferente das edições anteriores. Os times foram divididos em Grupos A, B e C. Os melhores de cada grupo se classificaram para as semifinais e o segundo melhor colocado de todos os grupos também. Todas as partidas foram decididas em confrontos únicos e o vencedor foi o São José, derrotando o Colo-Colo em São José dos Campos.
1963 x 2012 – 4ª edição
A 4ª edição do torneio foi de abril a setembro de 1963 e teve um time a menos do que na edição passada, totalizando nove. Já em 2012, a disputa durou apenas dez dias e contou com doze equipes novamente.
O Santos avançou direto para a semifinal no masculino por ter sido o último campeão, enquanto os outros times se enfrentaram entre si, em partidas de ida e volta, subdivididos em três grupos, sendo dois deles com três times e o outro, apenas com Peñarol e Everest. Pela primeira vez, dois times brasileiros estiveram presentes na competição e se enfrentaram na semifinal: era a primeira participação do Botafogo, que se classificou por ter sido o segundo colocado do Campeonato Brasileiro do ano anterior, já que o Santos estava classificado automaticamente pelo título do ano anterior da Libertadores e foi também o campeão brasileiro em 1962.
O time carioca foi eliminado pelo time da baixada, tendo se enfrentado no Pacaembu pelo jogo de ida que terminou em 1 a 1 e no jogo de volta, no Maracanã, o Santos goleou por 4 a 0 e foi para a final, enfrentando o Boca Juniors, vencendo os dois jogos e conquistando o bicampeonato.
Já a edição de 2012, manteve o mesmo formato de disputa da 3ª edição. Os três brasileiros na disputa dominaram a competição. São José e Vitória das Tabocas disputaram o terceiro lugar, que ficou com o até então atual campeão São José. A final foi entre Foz Cataratas e Colo-Colo, onde o time chileno tirou a hegemonia canarinha e venceu a competição pela primeira vez.
1964 x 2013 – 5ª edição
1964 e 2013 marcou a 5ª edição da Libertadores. Com 11 e 12 participantes respectivamente, o masculino teve a duração de 4 meses (de abril a agosto) contra apenas 10 dias no feminino.
O Santos teve vaga garantia na semifinal pelo título do ano anterior e as partidas foram divididas em preliminares, entre o Bahia (BRA) e Deportivo Italia, onde o time venezuelano surpreendentemente eliminou o Bahia. Na fase de grupos, foram divididos três grupos com três times cada. Os melhores classificados dos jogos preliminares e de cada grupo compuseram as semifinais divididas entre Chave A e Chave B. O Santos foi eliminado na semifinal e a final foi disputada entre Independiente e Nacional, com vitória da Argentina e marcando o primeiro título dos Hermanos.
Já em 2013, o formato de disputa foi o mesmo e o São José venceu o segundo título da história.
1965 x 2014 – 6ª edição
A 6ª edição contou com dez times em 1965, um a menos que a anterior. Isso porque a Federação de Futebol da Colômbia teve um desacordo com a Conmebol e optou por não enviar nenhum representante. Essa marcou a última edição que contava apenas com campeões nacionais de cada país. Já em 2014, o feminino manteve o número de times e teve apenas nove dias de disputa contra três meses no masculino.
Os grupos foram divididos em três, compondo três times cada um, também em partidas de ida e volta. Campeão do ano anterior, o Independiente se classificou automaticamente para a semifinal e diante do Peñarol, sagrou-se bicampeão numa final que totalizou três jogos: um de ida, outro de volta e um denominado de ‘playoff’, que serviria como critério de desempate.
A disputa do feminino manteve-se da mesma forma. Com três brasileiros disputando, apenas o São José passou da fase de grupos e sagrou-se campeão pela terceira vez em cima do Caracas (VEN), tornando-se o maior campeão da Libertadores da América.
1966 x 2015 – 7ª edição
O ano de 1966 foi quando o Brasil não enviou nenhum representante, assim como a Colômbia. Essa foi a primeira edição que, além dos campeões nacionais de cada país, se classificaram também os vice-campeões. O Brasil não concordou com a regra e optou por não participar do torneio. O novo modelo de classificação contou com 17 times, mas durou menos tempo do que o habitual: dois meses. Já o feminino, manteve a mesma quantidade de equipes e a mesma quantidade de tempo da última edição, porém a diferença foi que, pela primeira vez, a Libertadores foi disputada fora do Brasil, tendo como sede a Colômbia.
Em um total de 95 partidas, os times masculinos foram divididos em três grupos para disputarem entre si a primeira fase, em jogos de ida e volta jogados dentro e fora de cada. O Grupo 1 e 3 contavam com seis times enquanto o Grupo 2, apenas 4 times. Por sua vez, o Independiente já estava classificado para a próxima fase por conta do título da edição anterior.
Os dois melhores de cada grupo, se classificaram para a segunda fase. Com sete times classificados, o Grupo A era composto por 4 times e o Grupo B, 3 times. Os melhores de cada grupo disputaram a final, que contou com três jogos entre River Plate e Peñarol, onde o River venceu o primeiro, o Peñarol o segundo e o terceiro, sagrando-se campeão pela terceira vez – o maior vencedor até então.
Já o feminino, manteve o mesmo formato de disputa dos anos anteriores. Uma das semifinais foi feita entre os dois brasileiros em disputa: Ferroviária e São José. Na disputa de terceiro lugar, o São José foi derrotado nos pênaltis pelo UAI Urquiza enquanto o Ferroviária venceu o Colo-Colo e conquistou seu primeiro título.
1967 x 2016 – 8ª edição
A oitava edição foi a de maior duração até então no masculino, indo de fevereiro a agosto, um total de seis meses, contra duas semanas da feminina. O Brasil voltou a participar da competição, marcando a primeira participação do Cruzeiro enquanto o Santos, que estava classificado, desistiu do torneio neste ano, totalizando vinte times. Já no feminino, o número de equipes se manteve o mesmo e foi disputado novamente fora do Brasil, no Uruguai.
Em 1967, os confrontos foram disputados dentro e fora de casa e os times divididos em Grupo 1 e 2, com seis times e um terceiro grupo, com 7 times. O Peñarol, atual campeão, estava classificado automaticamente para a segunda fase, que contava com dois grupos: um com 4 e o outro com 3 times. A final foi mais uma vez decidida no playoff, entre Racing e Nacional, onde os dois primeiros jogos foram um empate e o terceiro, uma vitória do Racing, que se tornou campeão pela primeira vez e aqui, a Argentina empatava com o Uruguai em número de títulos.
Já em 2016, o formato de disputa não mudou. O Brasil foi representado pelo Ferroviária e Foz de Cataratas. Pela primeira vez, nenhuma equipe brasileira esteve na final e o Foz de Cataratas conquistou o terceiro lugar. A disputa do título foi entre Sportivo Limpeño (PAR) e Estudiantes de Guárico (VEN), onde o time paraguaio venceu por 2 a 1 e conquistou o primeiro título.
1968 x 2017 – 9ª edição
A 9ª edição de 1968 contou com 21 times e, em 2017, novamente 12 times. No masculino, duração de quatro meses e, no feminino, duas semanas.
Os grupos foram divididos em cinco no masculino, com quatro times em cada um, sendo dois times do mesmo país em cada grupo. O Racing já se classificou automaticamente para a segunda fase por conta do título da edição anterior. Os confrontos também foram ida e volta. A segunda fase, foi dividida em grupos A (3 times), B (4 times) e C (3 times). A Argentina dominou essa edição com três times e chegou com dois até a semifinal, que foi disputada de um lado entre os compatriotas Estudiantes e Racing e, do outro lado, Peñarol e Palmeiras. A final foi decidida novamente no playoff, entre Estudiantes e Palmeiras, onde o time argentino levou a melhor e ficou com o primeiro título. A Argentina passou a ser o país com mais títulos do torneio nessa edição.
Em 2017, o Brasil foi com apenas um representante, o Corinthians Audax. Já o Paraguai, teve três representantes, mas só teve um classificado para a semifinal; o Cerro Porteño, que foi derrotado pelo Corinthians Audax e não avançou. Quem ficou com o título inédito foi o Corinthians Audax, ao derrotar o Colo-Colo nos pênaltis.
1969 x 2018 – 10ª edição
A 10ª edição da Libertadores da América masculina contou com 17 times e durou quatro meses. Neste ano, nenhum clube brasileiro participou, com a justificativa de que o período de competição ia conflitar com as etapas classificatórias da Copa do Mundo de 1970. Em compensação, a 10ª edição da feminina contou com 3 times brasileiros de um total de 12, mas novamente, só teve duração de duas semanas.
O formato da disputa no masculino, embora o número de times tenha sido menor, aconteceu da mesma forma que a edição anterior. Quem venceu e conquistou o bicampeonato foi o Estudiantes.
O feminino começa no dia 18 de novembro, próximo domingo. Os grupos foram sorteados e o formato de disputa será o mesmo do ano anterior.
Uma grande diferença é que, embora a Argentina domine em quantidade de títulos no masculino, com 24 no total, ela ainda não tem nenhum título no feminino e, este ano, a esperança é que o UAI Urquiza, que divide o grupo com Iranduba (BRA), Cerro Porteño (PAR) e Flor de Patria (VEN), vença pela primeira vez. O Brasil, segundo maior vencedor da Libertadores masculina com 18 conquistas, é quem domina no feminino, com 7 títulos. Até a 9ª edição do masculino, a Argentina sempre dominou (4 títulos), seguido do Uruguai (3) e o Brasil vinha com dois títulos.
O masculino também andou em passos lentos na Conmebol e, para chegar até onde está hoje, alcançando um valor de premiação de 6 milhões de dólares para o campeão, ela passou por grande reformulação nas regras. Por exemplo: até 1987, manteve-se o formato de playoffs como critério de desempate. Em 1988, o playoff foi abolido e passou-se a usar o número de pontos, saldo de gols e, em caso de empate, ir direto para a disputa de pênaltis ao invés de uma partida extra. Em 1995, a Fifa mudou o número de pontos: a vitória, que antes valia 2, passou a valer 3. Empate e derrota mantiveram-se, respectivamente, somando 1 ponto e 0 pontos. Em 2005, a Conmebol passou a contar o gol fora de casa e, em 2008, a regra passou a não valer em jogos de final, fazendo com que o jogo empatado fosse para prorrogação e, em seguida, pênalti. A partir de 2019, a Conmebol anunciou que a final será decidida em partida única.
Hoje, o torneio masculino conta com 47 participantes e tem duração de aproximadamente 11 meses. A Libertadores garante vaga ao campeão do ano anterior, campeão da Copa Sul-Americana e também 7 vagas para o Brasil, 6 vagas para a Argentina e 4 vagas para Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.
O feminino garante vaga para os campeões nacionais de cada país associado a Conmebol, além do campeão da edição anterior e mais um representante do país anfitrião. A premiação ainda não chega nem aos pés do masculino, mas garante 50 mil dólares para o campeão, 35 mil dólares para o vice-campeão e 20 mil dólares para o terceiro lugar. O pagamento da premiação será diferente do ano passado. Em 2017, cada equipe participante recebeu 5 mil dólares. A equipe campeã recebeu a premiação de 20 mil dólares, vice-campeã 15 mil dólares, terceiro lugar 10 mil dólares e a quarta colocada, 5 mil dólares.
No ano passado, a Conmebol em parceria com a Fifa e CBF deu um grande passo para o desenvolvimento do futebol feminino. A nova regra definiu que, a partir de 2019, os clubes de futebol brasileiro que não tiverem times femininos, estarão proibidos de disputar a Copa Libertadores. Alguns times começaram a se movimentar para fazer acontecer, fazendo inclusive algumas parcerias com agremiações já existentes. Mas outros grandes, como o Palmeiras, por exemplo, ainda não apresentaram nenhum time feminino para a próxima temporada.
