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Proprietário dos Mavericks terá que pagar 10 milhões de dólares por danos morais a mulheres vítimas de abuso sexual

Há sete meses, a NBA iniciou uma investigação contra o Dallas Mavericks após uma matéria publicada pelo Sports Illustrated alegando o time de abuso sexual e misoginia por décadas, junto acusações contra o ex-CEO e presidente Terdema Ussery, que deixou o Dallas em 2015.

Foram examinados mais de 1,6 milhões de documentos, e-mails e mensagens de texto e também, houve uma conversa com 215 funcionários e ex-funcionários dos Mavericks para entender o ocorrido. Com a investigação, descobriu-se que houve ‘conduta imprópria’ no local de trabalho contra 15 funcionárias, que incluíam comentários, toques e beijos forçados. Também foi descoberto que Chris Hyde, ex-funcionário de vendas de ingressos, abusou de mulheres sexualmente e assistiu e compartilhou vídeos e imagens pornográficas a elas.

Com a investigação, concluiu-se que a equipe administrativa dos Mavericks era ineficaz, não tinha controle de assuntos internos e que a liderança executiva da equipe não apenas permitia a existência de um ambiente de trabalho inadequado, como também estimulava a equipe para que isso acontecesse.

O proprietário do Dallas Mavericks, Mark Cuban, veio a público no programa britânico The Jump para esclarecer o ocorrido e reconheceu que ele devia ter sido mais responsável e prestado mais atenção ao que aconteceu dentro do time. Ele não foi citado em nenhum dos casos de assédio ou má conduta, mas ainda assim a NBA alegou que ele não prestou atenção suficiente a cultura empresarial dentro da organização.

Cuban deve agora pagar 10 milhões de dólares por danos morais às vítimas. Adam Silver, advogado e comissário da NBA, disse: "Enquanto nada vai desfazer os danos causados para alguns ex-funcionários dos Mavericks, as reformas no local de trabalho e os US$ 10 milhões que Mark concordou em contribuir são passos importantes para corrigir o comportamento e lançar um alerta sobre uma falha social generalizada - a incapacidade de muitas organizações para fornecer um local de trabalho seguro e acolhedor para as mulheres”.

O valor será destinado a organizações que promovem liderança e desenvolvimento de mulheres no esporte e que combatem violência doméstica. Na entrevista para o The Jump, Cuban disse também que: “Nunca nos meus sonhos mais loucos achei que isso estava acontecendo bem embaixo de mim. A dor que as pessoas passaram, a dor que as pessoas que compartilharam comigo quando isso aconteceu, as lágrimas que vi... Doía. Como me senti nem se compara a forma com que elas se sentiram. Tenho que reconhecer que cometi um erro, aprendo com isso e vou tentar consertar”.

Após o artigo publicado em fevereiro de 2018 pela Sports Illustrated, onde o caso começou a ser desencadeado, Cynthia Marshall foi contratada pelos Mavericks como CEO e, na ocasião, afirmou que vai tentar resolver o escândalo pela irmandade entre as mulheres.

Após o incidente, a NBA revisou suas políticas e procedimentos ao respeito no local de trabalho e exigiu que todas as outras equipes fizessem o mesmo. A liga também estabeleceu uma linha telefônica confidencial para que os funcionários das equipes reportem casos de má conduta no ambiente de trabalho.