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Território neutro: A presença de torcedoras iranianas e sauditas na Copa do Mundo da Rússia

Mulheres sauditas passaram a ter a permissão de torcer no estádio apenas em janeiro de 2018 Getty Images

Os últimos meses podem ser considerados históricos para as mulheres da Arábia Saudita. Depois de quase trinta anos, elas passaram a ter permissão de dirigir e de entrar no cinema. Em janeiro desse ano, foi liberada a entrada delas em estádios de futebol no país. Já no Irã, a proibição continua. Por isso, a Rússia pode ser considerada um território neutro para elas, onde muitas aproveitarão a oportunidade de uma Copa do Mundo para viver pela primeira vez a experiência de torcer num estádio de futebol.

Hoje (14), muitas estarão no jogo de abertura entre Rússia x Arábia Saudita e amanhã (15), na partida entre Marrocos x Irã.

No estádio Luznikhi, antes do confronto de estreia da Copa, em Moscou, a organização planejou um desfile de bandeiras, incluindo seis jovens adolescentes dos trinta e dois países participantes. Mas, no último minuto, houve um relato de que as seis garotas sauditas que até então estavam confirmadas, acabaram sendo substituídas por russos. A justificativa do país foi relacionada a logística das jovens e a viagem delas foi cancelada, mas isso é mais um sinal de que a cultura saudita convive com os receios de participação de mulheres em certas ocasiões.

Já Mariam, uma iraniana que vive nos Estados Unidos, falou à agência EFE sobre sua expectativa para o jogo de amanhã: "No Irã não posso entrar no estádio, mas amanhã estarei com meu namorado e meus amigos nas arquibancadas para assistir ao jogo contra o Marrocos, estou muito empolgada". Será a primeira experiência da iraniana em uma Copa do Mundo, que criticou seu país em relação a certas decisões tomadas com as mulheres: "É estúpido que não tenhamos permissão para entrar nos estádios, as regras impostas a nós em nosso país são estúpidas, onde temos que usar um véu. O Irã é um país maravilhoso, mas precisa mudar seus líderes”.