A nadadora síria Yusra Mardini é conhecida mundialmente por seu papel em ajudar a salvar um grupo de refugiados do afogamento, empurrando-os, junto com outros três, em um barco pelo mar gelado entre Turquia e Grécia.
A história de Mardini, contada em seu novo livro de memórias “Butterfly”, mostra como aceitar graciosamente o que nos foi dado e transformar isso em inspiração.
“Butterfly” reconta sua angustiante jornada da Síria para a Alemanha, onde ela mora agora, e também compartilha sobre seus conflitos internos em deixar sua casa, nadando pela equipe Olímpica de refugiados no Rio de Janeiro em 2016, e suas relações interpessoais. Mesmo com sua extraordinária e inimaginável história, o livro cria uma ligação com a humanidade. Ela não quer nenhum tratamento especial. “Minha mensagem foi a mesma” – diz a atleta em seu livro. “Um refugiado é um ser humano como qualquer outro”.
espnW.com: Nós ouvimos a palavra “resiliência” geralmente sendo usada para descrever muitos atletas – você, em particular. O que resiliência significa para você?
Yusra Mardini: Significa que eu devo ficar forte e concentrada no que eu quero fazer e no que eu quero ser, e não estar sozinha, o que significa que você está numa boa posição e você deve trazer todos os outros para uma posição onde eles podem sonhar novamente.
espnW.com: Um trecho escrito em seu livro é: “Eu diminui o volume na minha cabeça, lutei para a minha mente continuar”. Muitos esportes são sobre a mente ser tão importante quanto o corpo. Como você diminui o volume na sua cabeça?
Mardini: Eu faço isso apenas me concentrando no que eu quero fazer, concentrando-me no motivo pelo qual eu comecei tudo isso em primeiro lugar. Por exemplo, quando eu diminuo o volume, obviamente é porque eu não quero pensar sobre o quão grande ou quão difícil é a história que eu iria pensar. Eu só quero nadar. E então é isso que eu faço. Eu só me concentro no que quero fazer.
espnW.com: Como é para você esse balanço entre trabalhar sem parar e relaxar?
Mardini: Bom, eu desejo que possa relaxar agora (risos), mas eu tenho muito trabalho a ser feito, com a natação, com todas as entrevistas que estou fazendo e com a Agência das Nações Unidas para Refugiados, e eu estou fazendo muito isso. Eu acho que também vale a pena. Estou enviando uma mensagem para o mundo sobre refugiados e sobre minha história de vida, e sobre minha irmã e eu e as pessoas olham para nós.
espnW.com: Sua história é muito atraente e muitas pessoas vão aprender muito com ela, embora a maioria das pessoas realmente não sejam capazes de se relacionar com isso. Porém, o que eu realmente me relacionei no seu livro foram os desafios interpessoais que você teve, como as lutas que você teve com Sarah, sua irmã, e os desentendimentos com o Sven, seu mentor e ex-técnico. Por que esses conflitos foram tão importantes de serem incluídos em sua história?
Mardini: É importante porque é a realidade. É algo pessoal, isso é verdade, mas eu precisava também mostrar para as pessoas que não somos perfeitos, primeiro de tudo. Em segundo lugar, nós todos temos lutas e discussões nas nossas vidas e no final, nós tomamos as melhores decisões. Talvez algumas vezes as pessoas não concordem 100% com o que você pensa, mas se você acredita nisso, você precisa defender, não importa quem diga “não”. Eu estou apenas mostrando uma parte normal da minha vida.
espnW.com: Você falou sobre como o seu pai te jogou numa piscina quando criança e esperava que compartilhasse sua paixão. Agora, você é uma nadadora muito competente. Eu queria saber se isso foi um amor natural ou algo que você aprendeu a amar com o tempo.
Mardini: Bom, no começo, eu não acho que a natação significava muito para mim. Mas sim, depois que o meu pai deixou a Síria, e depois que parei de nadar e agora que estou voltando, eu sinto que isso é realmente incrível. Eu sinto o quanto a natação significa para mim. Você precisa ser paciente, você precisa realmente continuar e trabalhar duro pelos seus sonhos. Eu percebi isso um pouco tarde, mas sou grata a Deus por isso.
Essa entrevista foi editada por extensão e clareza.
