A nova gestão da Confederação Brasileira de Basquete (CBB) completou um ano no dia 10 de março. Sob a batuta do presidente Guy Peixoto, protagonistas da modalidade começam a participar das decisões e discutir ideias. Um fio de esperança para nomes como o de Magic Paula. Campeã mundial na Austrália-1994 e prata na Olimpíada de Atltanta-1996, a ex-armadora garante: nunca foi ouvida pela entidade.
O novo estatuto da CBB foi aprovado em agosto do ano passado. Agora, as eleições e assembleias deliberativas terão participação efetiva atletas, ex-atletas, clubes e técnicos. A definição saiu nos últimos dias de fevereiro e, além dela, o grupo contará com Hortência, Norminha, Paula, Agra, Oscar e Marcel.
“Sempre estive à disposição da Confederação, mas nunca fui ouvida. A partir do momento que aparece a oportunidade, contem comigo no que eu puder contribuir. Quero muito ser uma voz ativa para as necessidades do basquete feminino; não fazer nada da minha cabeça. Quero que a comunidade do basquete feminino participe”, disse Magic Paula ao espnW.
Ela não descarta 100% a possibilidade, por exemplo, de um dia ser treinadora da seleção feminina. “Não tenho esse perfil e não me preparei para isso. E essa perspectiva nunca apareceu. Mas claro que para toda proposta, tem que avaliar prós e contras. É muito subjetivo dizer eu aceitaria ou não. No mundo inteiro, as comissões técnicas femininas têm mulheres no comando. Falta um departamento feminino (na CBB). Que tal a gente seguir o que o mundo faz? Precisamos abrir a cabeça.”
A CBB realizou o primeiro Fórum do Basquete Feminino na última terça-feira e, além de Paula, participaram Hortência, Janeth, Adriana Santos, Helen Luz, Guy Peixoto, o presidente da Liga de Basquete Feminino (LBF), Ricardo Molina, e o técnico da seleção brasileira, Carlos Lima.
Entre as sugestões discutidas estão criar uma cartilha com um padrão de treinamento para o basquete feminino, fazer com que os treinadores das seleções masculina e feminina dialoguem mais e que, juntos, eles trabalhem para fazer clinicas por todo o Brasil.
Paula criticou o comando da CBB nos últimos anos e elogiou a iniciativa de mudar o estatuto para ela e outros personagens importantes do presente e do passado tenham voz ativa.
“Essa gestão sofre bastante pela falta de competência das gestões anteriores. É um legado muito complicado... suspensão da FIBA (Federação Internacional), falta de patrocinadores... tudo isso compromete o trabalho. Mas estamos sentindo boas intenções. Dar espaço aos atletas já é o início de alguma coisa.”
Campeão mundial (Austrália-1994) e duas vezes pódio em Jogos Olímpicos (prata em Atltanta-1996 e bronze em Sidney-2000), o basquete feminino do Brasil vem sofrendo com trocas de técnicos (foram sete, em oito anos), faltas de jogos internacionais para as categorias de base, preparações fracas à véspera de torneios importantes e uma LBF que ainda precisa de ajustes.
Em 2017, a seleção perdeu a disputa do bronze na Copa América e ficou fora do Mundial deste ano, na Espanha. O País disputará o torneio novamente no ano que vem, desta vez como pré-olímpico para brigar por vaga em Tóquio-2020.
